A J U S T I Ç A D O R E I N O D E D E U S:
Com Jesus chegou o tempo do julgamento da injustiça, porque Ele vai realizar a
a justiça esperada. Para isso acontecer, no entanto, era necessário, primeiro, superar
naquela sociedade, naquele povo de Deus, as tentações que geravam as injustiças.
Jesus ensina que o Reino de Deus vem primeiro para os necessitados…e, seu
anúncio vem acompanhado da realização de sinais de sua atuação, (a cura dos
doentes, o perdão, a reconciliação…) Os doutores da Lei rejeitam esses
ensinamentos e esses sinais da chegada do Reino de Deus.
Jesus se mostra, também, para o desespero das autoridades judaicas, ser livre
na sociedade do seu tempo, em relação ao comportamento social vigente, (“Halaká”)
e, da mesma forma, livre em relação a interpretação das leis (Torá).
Jesus rejeita a Halaká, na medida em que esta deturpa a vontade de Deus,
substituindo-a por normas humanas: Mc 7,2-13; Mt 12,1-8; Mc 7,14-23…
Com certeza, Jesus respeitava e vivia o sentido profundo da Torá, expressão
da vontade de Deus. Mas vivia-a com liberdade: Mt 12,9-14; Lc 13,10-17; Jo 5,9…
A lei para Jesus -é fácil deduzir pelos textos evangélicos acima citados-, deve
estar a serviço do ser humano e não ao contrário. É o que afirma diretamente o texto de
Mc 2,27-28. “O sábado foi feito para o homem,” deve estar a serviço dele, de sua
libertação e, não de sua escravidão.
Mateus 5, 21-48:
- O F E N Ç A E R E C O N C I L I A Ç Ã O
21-26: Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás.
Jesus cita a lei que proíbe matar e, proíbe esse ato desde a mais simples ofensa
ao irmão. Mesmo ofendido e inocente, o discípulo de Jesus deve ter a coragem de dar o
primeiro passo para reconciliar-se. Caso sinta-se culpado procure, urgentemente, a
reconciliação, porque sobre a sua culpa pesa um julgamento.
- A D U L T É R I O E F I D E L I D A D E
27-32: Ouviste que foi dito: Não adulterarás.
Jesus radicaliza apelando ao amor verdadeiro e leal. O adultério começa com
o olhar de desejo, e o mal deve ser cortado pela raiz. A exceção citada no versículo 32
pode referir-se ao caso de adultério da esposa e, ou, ainda, da união ilegítima por causa
do grau de parentesco que trazia impedimento matrimonial segunda a lei ( Lv 18, 6-18).
- J U R A M E N T O E V E R D A D E
33-37: Também ouvistes o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso.
A necessidade de juramento é sinal de que a mentira e a desconfiança
pervertem as relações humanas. Jesus exige relacionamento em que as pessoas sejam
verdadeiras e responsáveis.
- V I O L Ê N C I A E R E S I S T Ê N C I A
38-42: Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente.
Como se pode superar a vingança ou até mesmo a justa punição?
O Evangelho propõe atitude nova, a fim de eliminar pela raiz o círculo
infernal da violência: a resistência ao inimigo não deve ser feita com as mesmas
armas usadas por ele, mas através de comportamento que o desarme:
-Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir a face direita, volta-lhe
também a outra.
- A M A R C O M O O P A I A M A
43-48: O Evangelho abre a perspectiva do relacionamento humano para além das
fronteiras que os homens costumam construir. Amar o inimigo é entrar em relação
concreta com aquele que também é amado por Deus, mas que se apresenta como
problema para mim. Os conflitos também são uma tarefa do amor. O versículo 48
é a conclusão e a chave para se compreender todo o conjunto formado pelo
parágrafo 5, 17-47: os discípulos são convidados a um comportamento que os torne
filhos testemunhando a justiça do Pai.
Nós somos os discípulos, somos os outros, somos os irmãos…