Palavras ou silêncio?

A-Voz-Do-Silencio
“Queira a profundidade da fala que nos pede
calma. Calma para dizer… Calma para ouvir.”
(Pe. Fábio de Melo)

Semana passada fui ao show do Pe. Fábio de Melo em Rezende/RJ. Foi um momento especial. Um momento como esse engrandece a alma. E nessa noite, as palavras entraram em meu coração como um bálsamo. A surpresa de um gesto de carinho, um olhar, valeram mais do que muitas palavras. Pontes foram construídas.
Hoje, lembrei de cada palavra ouvida nessa noite. Pensei muito sobre o poder que elas têm. Sim, as palavras têm o poder de construir, desconstruir, ferir, curar, consolar, maldizer, bendizer, abençoar e amaldiçoar. E, uma vez ditas, não há como voltar atrás. São como a areia jogada ao vento, não se pode juntar. Por esta razão, precisamos cuidar para que as palavras que proferimos sejam melhores do que o nosso silêncio. É onde o céu começa e termina. É sensato pensar assim.
Há quem passe a vida tentando desconstruir a imagem alheia com palavras. Cometem a injustiça da calúnia e do julgamento precipitado. Geralmente, quem não usa o senso crítico para ouvir e o bom senso para falar, comete injustiças. E as consequências de uma injustiça pesam muito mais em quem a praticou. Prefiro mil vezes sofrer uma injustiça a praticá-la, assim como é melhor ser enganado do que enganar. Pois, a injustiça não tem o poder de usurpar os meus valores e a minha dignidade. Nasci em “berço de palha”. Fui educada por meus avós. E os valores cristãos foram a base. Na vida, passei por muitas dificuldades, mas sempre mantive o caráter e não me deixei corromper. Passei fome, andei muito sob sol e chuva. Meus pés nunca cansaram, apesar das longas distâncias percorridas e minhas mãos são calejadas pelo trabalho, o que é motivo de orgulho para mim e para quem conhece a minha vida. Todas as dificuldades me ajudaram a construir cada pedaço deste território humano que sou. Deus mora em mim e com Ele aprendi a não permitir que ninguém destrua o que foi cuidadosamente construído. Quem não me conhece não pode falar a verdade sobre mim. E como diz o Pe. Fábio de Melo: “A minha salvação não depende do que os outros sabem de mim, mas do que Deus sabe a meu respeito”. Estou em constante construção, buscando sempre ser um pouco melhor a cada dia. Minha filosofia de vida é: Não faça ao outro o que não gostaria que fizessem com você.
O que me motiva a falar sobre as palavras que desconstroem, são as pessoas que encontramos na caminhada e fazem pauta de nossas vidas. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Julgar, caluniar, manchar a imagem alheia é uma forma de injustiça. Nesse caso, optemos pelo silêncio.
Precisamos aprender a viver como irmãos, cada um respeitando as diferenças do outro. Não somos obrigados a agradar a gregos e troianos, mas a todos devemos o respeito. Um coração verdadeiramente bom semeia a paz.
Cuidemos para que nossas palavras sejam vida. E disse Deus: “Haja luz…” E houve luz. Com palavras vindas da fé Ele criou o mundo.

As andorinhas…

balcon_florido

Compartilho um lindo poema, “Las Golondrinas”, de Gustavo Adolfo Bécquer, poeta espanhol. Nasceu em Sevilha em 1836 e morreu em Madrid em 1870.

Tradução:

As andorinhas…

Voltarão as escuras andorinhas em tua varanda a fazer seus ninhos,

e outra vez, com a asa em tuas janelas, batendo, chamarão.

Porém, aquelas andorinhas que o voo refreavam tua formosura

e minha felicidade ao contemplar, aquelas andorinhas que aprenderam

nossos nomes, essas… não voltarão.

Voltarão as densas madressilvas do teu jardim, os muros a escalar, e

outra vez, na tarde, ainda mais formosas, suas flores se abrirão.

Porém, aquelas flores, coalhadas de orvalho, cujas gotas olhávamos

tremer e cair, como lágrimas do dia, essas… não voltarão.

Voltarão em teus ouvidos muito amor, palavras ardentes a soar.

E o teu coração de seu profundo sono, talvez, despertará.

Porém, mudo e absorto e de joelhos, como se adora a Deus ante seu altar,

como eu te quis… Desengana-te… assim não te quererão jamais!


VOLVERAN LAS OSCURAS GOLONDRINAS
Volverán las oscuras golondrinas
en tu balcón sus nidos a colgar,
y otra vez con el ala en sus cristales
jugando llamarán;

Pero aquellas que el vuelo refrenaban
tu hermosura y mi dicha al contemplar,
aquellas que aprendieron nuestros nombres…
Esas… no volverán!

Volverán las tupidas madreselvas
de tu jardin las tapias a escalar,
y otra vez en la tarde, aun más hermosas,
sus flores se abrirán;

pero aquellas, cuajadas de rocio
cuyas gotas mirábamos temblar
y caer, como lágrimas del dia…
Esas…no volverán!

Volverán del amor en tus oídos
las palabras ardientes a sonar;
tu corazón de su profundo sueño
tal vez despertará;

pero mudo y absorto y de rodillas,
como se adora a Dios ante su altar,
como yo te he querido… desengáñate.
Así no te querrán!

Gustavo Adolfo Becquer

VOLTARÃO AS ESCURAS ANDORINHAS

Voltarão as escuras andorinhas
em teu balcão seus ninhos a pendurar,
e outra vez com a asa em seus cristais
brincando chamarão;

Mas aquelas que o vôo refreavam
tua formosura e minha felicidade ao contemplar,
aquelas que aprenderam nossos nomes…
Essas… não voltarão!

Voltarão as densas madressilvas
de teu jardim os muros a escalar,
e outra vez na tarde, ainda mais formosas,
suas flores se abrirão;

porém aquelas, coalhadas de orvalho
cujas gotas olhávamos tremer
e cair, como lágrimas do dia…
Essas… não voltarão!

Voltarão do amor em teus ouvidos
as palavras ardentes a soar;
teu coração de seu profundo sono
talvez despertará;

porém mudo e absorto e de joelhos,
como se adora a Deus ante seu altar,
como eu te quis… desengana-te.
Assim não te quererão!

Tradução: Zélia Tellaroli N. Zamora

Gustavo Adolfo Becquer
Poeta espanhol, nasceu em
Sevilha em 1836 e morreu
em Madrid em 1870

Como foi o meu ano?

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Mais um ano fica para trás e com ele a certeza de que o tempo não volta. Ontem era janeiro. Hoje, já é quase o último dia de dezembro… de 2011. Foram muitos momentos vividos. Idas e vindas. Em alguns momentos, fomos obrigados a parar, em outros, a caminhar lentamente ou correr. Há quem tenha caminhado apenas em dias de sol, há quem tenha caminhado sob sol e chuva.

Hoje, me fiz a seguinte pergunta: Como foi o meu ano? Antes de responder, vou relembrar um pouco tudo que vivi. Fiz uma lista de objetivos. Estabeleci metas. Confesso que, algumas, bem difíceis e desafiadoras, mas possíveis. Não colocaria como meta escalar o Monte Everest, porque eu estaria frustrada agora.  Alcancei 60% do que gostaria. Aceitei o resultado pelo imprevisto que tive. Um acidente com óleo quente (postei aqui quando aconteceu) me deixou em casa por três meses, ou seja, fiquei um tempo sem trabalhar. Foi um tempo difícil. Sofri muito, mas sobrevivi. A gente não sabe o porquê de essas coisas acontecerem, mas é um fato, elas acontecem. Vivi um milagre. A minha recuperação foi um milagre. E por que não dizer que a minha vida é um milagre? Sim – A minha vida é um milagre. Jesus sempre esteve presente, principalmente, naqueles momentos de revolta. Quando eu pensei que estava sozinha Ele segurou a minha mão. Como diz a música “Quem tem Jesus, tem tudo”. Só não podemos esquecer de fazer a nossa parte. Em julho (já recuperada) fui ao PHN, do Dunga, na Canção Nova, presente que ganhei da minha madrinha. Ela sabe que todos os anos eu vou, mas este ano seria muito difícil já que eu estava evitando gastos por não estar trabalhando. O acampamento foi lindo. Fiquei três dias. Tive a oportunidade de reencontrar pessoas que gosto muito e havia algum tempo que não as via.  Foi um momento muito especial e de agradecimento a Deus. Gosto da proposta PHN. Para viver bem e com dignidade é preciso dizer “Por Hoje Não” a muitas coisas.

As lutas, os desafios, as dificuldades é que dão um sabor especial à vida. O ano foi de muitos erros e acertos. Sorri, chorei; magoei, fui magoada; cometi injustiças, fui injustiçada; cuidei, fui cuidada; confiei, desconfiei; perdoei, fui perdoada; fui importante para uns, insignificante para outros e o contrário também; tive dificuldades, mas superei. Amei demais, amei de menos, fiz o possível e o impossível dentro dos meus limites. Fui limitada em alguns momentos. Mas, até nossos limites devem ser respeitados. Quem sabe, com paciência, perseverança, conseguiremos ultrapassá-los. Transbordei de esperança, depois, a vi ir embora a passos curtos, não sei se por fraqueza ou pelas circunstâncias.  Quando pensei em desistir, o amor, que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13:7),  foi a base forte, capaz de fazer o coração ensaiar novas batidas de esperança. O coração persiste na fé e acredita que o amor vence tudo. O que tiver de ser, será.

Tudo é um aprendizado. Cada erro cometido foi uma oportunidade de melhorar e aprender a agir de outra forma. Os acertos foram um sinal de que fiz o melhor. Foi um ano de amadurecimento e descobertas.

Fiz aniversário dia 23 deste mês e fui surpreendida por um grupo de amigas cantando, para mim, a música “Amigos pela fé” na porta da minha casa, com carro de som e tudo mais. Foi incrível. Um lindo presente. É bom olhar para o lado e saber que não estamos sós. 

Diante de tudo, a resposta para a pergunta “Como foi o meu ano?”, não poderia ser outra: Meu ano foi maravilhoso!

Desejo um excelente ano novo, sobretudo, um olhar novo sobre todas as coisas. O ano será realmente novo se estivermos dispostos a fazer diferente. É preciso renovar o coração, as atitudes e os valores que nos fazem pessoas melhores. Enfrentar os desafios com coragem, aproveitar melhor as oportunidades, viver mais as alegrias, acreditar mais em si e no outro, vencer os medos, amar mais, alimentar o coração com bons sentimentos e fazer o bem – sempre!

Façamos o nosso melhor. Sejamos felizes no que pudermos ser.

Feliz ano novo. Feliz olhar novo… Muita paz, saúde, força, coragem, esperanças renovadas, vitórias, amor e muita disposição para o trabalho.

Boas festas.

O amor é paciente.

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Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha….

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

(1 Coríntios 13:1-8; 13)

Atitudes são sementes!

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“Determinando tu algum objetivo, ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos.” (Jó 22:28)

Hoje, lembrei do meu primeiro emprego. Pensando nas exigências do mercado de trabalho, eu diria que foi bem inusitado e diferente. Sabe aquela expressão “com a cara e a coragem”? Foi exatamente assim que as coisas aconteceram.

Aos 18 anos, ansiosa e necessitada, fui a uma revistaria, peguei um jornal, folheei até a página de empregos. Um anúncio chamou atenção: “Empresa de Natal-RN, contrata cinco recepcionistas com experiência, 2° grau completo, boa aparência e que more próximo ao bairro São Francisco. Levar currículo ao endereço (…) até as 14h. Faremos entrevista na mesma tarde.”

Tinha acabado de concluir o ensino médio. Ainda não havia recebido o certificado, mas tinha uma declaração do colégio. Quanto à experiência de trabalho, eu não tinha nenhuma e a aparência não estava das melhores. A única coisa que me deixou animada foi morar ao lado do bairro exigido. Como não possuía um currículo digitado, passei em uma papelaria e comprei um já pronto e preenchi. (só com meus dados pessoais).

Mal consegui almoçar. Às 13h30 cheguei ao local. Ao entrar, fiquei assustada com a quantidade de moças, muito bem arrumadas, e todas com os seus currículos envelopados em mãos. Na hora, senti uma vergonha enorme, talvez, por não estar tão apresentável quanto as outras e por não ter a experiência que era exigida.

Pediram que todas as moças entrassem em uma sala que parecia um pequeno auditório. Todas entraram e ocuparam a maioria das cadeiras que havia. Sentei na última fila para observar o que aconteceria. O entrevistador, (que era um dos donos da empresa) um homem de cabelos grisalhos, aparentava ter mais de 50 anos, alto e de expressão muito séria. Começou a chamar uma a uma. Ele olhava o currículo, fazia algumas perguntas e orientava a pessoa a aguardar um contato. Era muito rápido. Comecei a pensar: Se eu entregar o currículo, não vou conseguir o trabalho. E agora, o que faço meu Deus? De repente veio uma idéia. A idéia era ser a última entrevistada e tentar conversar com aquele homem. E foi isso que fiz. Quando estava na última entrevistada, as mãos gelaram e as pernas tremiam. Fiquei muito nervosa, mas estava decidida a dizer a verdade e pedir uma oportunidade. Finalmente, chegou a minha vez. Ele fez um sinal com a mão, levantei, segui em sua direção e sentei. Pediu o currículo e assim que o tirou do envelope, imediatamente falou: Você não tem experiência! Não leu no jornal? – Senti um nó na garganta que impedia a saída de qualquer palavra, porém, respirei fundo e disse que eu não tinha qualquer experiência, por esse motivo, havia ficado até o final, porque queria conversar. Falei da minha vontade de trabalhar, dos meus sonhos e da minha vida. Falei ainda, que poderia aprender tudo de forma rápida e que se ele me desse a oportunidade, eu não o decepcionaria.  Não sei o que aconteceu ali, mas de uma coisa eu tenho certeza, Deus estava comigo. Depois de tudo o que falei, ele ficou alguns segundos em silêncio, fez algumas perguntas e disse que havia gostado muito da minha atitude e faria uma experiência comigo. Pediu que eu o acompanhasse, mostrou as instalações da empresa e explicou que era uma escola de informática e que havia várias unidades em outros estados. Tinham uma meta de atingir 2.000 mil alunos. Fiquei muito animada. Já estava ansiosa para começar.

Participei de todos os treinamentos. Em poucos dias houve a inauguração. O marketing agressivo fez a escola atingir rapidamente a metade de sua meta.

A escola já estava funcionando há três meses. Tudo estava indo muito bem. Eu fazia o meu trabalho da melhor forma possível. Um belo dia, o Sr. Juca, o mesmo que deu a oportunidade de trabalho, disse que gostaria de ver o meu desempenho no telemarketing. Fiquei muito feliz. Era um setor muito interessante. O salário era melhor e oferecia comissão. O telemarketing era o principal responsável pelo grande número de alunos da escola. Mais uma vez passei por treinamentos e comecei no telemarketing. Dentro de três meses eu conseguir ser a melhor operadora.  Mantive o posto por mais três meses e fui promovida à coordenação. Dessa vez, fui à Natal conhecer a unidade de lá e fazer novos treinamentos.

Coordenei o telemarketing com muita dedicação. Depois de um tempo, auxiliava no treinamento de novos operadores. Na época, fiquei fascinada por informática. Fiz todos os cursos que despertaram interesse. Aprendi tudo que foi possível, e o que teoricamente para alguns seria impossível, eu aprendi também.

Depois do meu primeiro emprego surgiram novas oportunidades. Aproveitei as mais interessantes. O mais importante é que nunca abandonei o hábito de tentar, tentar e tentar.

A razão de contar sobre o meu primeiro emprego é para mostrar que podemos ir longe, só depende de nós. Mesmo quando tudo parece difícil ou impossível, há sempre um jeito.

Devemos ter atitudes positivas. Ninguém chega a nenhum lugar se não ousar fazer algo a mais.

Atitude exige coragem, liberdade, confiança e a habilidade de mudar sempre que necessário.

Ter atitudes positivas é deixar para trás o medo e não permitir que frustrações passadas atrapalhem o presente. Uma atitude decisiva nos leva à consciência de que a vida acontece aqui e agora e de que é preciso ser o autor da própria história.

Toda atitude positiva é uma semente que plantamos. Mova-se. Saia do lugar que limita sua visão.  Pense e faça diferente! E não esqueça: Do céu só cai chuva! (ou aviões…rs). Para os milagres acontecerem precisamos fazer a nossa parte.

“O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa atitude com relação a elas.” (Antonie de Saint Exupéry)

Ps.: Peço desculpas por possíveis erros de digitação. Não tive tempo de revisar.

A força que vem da fé.

17122010(096)

“A força mais potente do universo? – A fé.” (Madre Teresa de Calcutá)


Hoje, faz 13 dias que me acidentei. Alguns ferimentos já dão sinal de cicatrização, outros, ainda precisam de uma boa melhora. Estou sentindo dificuldades para andar. Tenho um ferimento na lateral externa da perna direita, próximo ao joelho, e como é em um local de movimento, está  inflamado. É tudo muito doloroso. Dormir naturalmente é coisa rara. O médico receitou uma medicação para dormir, mas prefiro não fazer uso desse tipo de medicação. Para não contrariá-lo, já que é meu amigo e muito dedicado, concordei em tomar uma medicação fitoterápica. Ele disse que sou muito cabeça dura, mas eu gosto de mim assim.

Ficar confinada em casa não é fácil. Quando não estou sentindo dor, aproveito o tempo para ler e ver filmes. Estou sentindo falta de muitas coisas; as missas, o grupo da sopa, cinema, academia, enfim, tudo que gosto. Não posso esquecer que sou uma pessoa de muita sorte, porque tenho ao meu lado pessoas muito especiais. Dizem que os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado principalmente nos momentos de alegria. Se um amigo consegue partilhar uma alegria, na dor também estará. Conheço muitas pessoas, mas eu digo sem medo de errar, amigos de verdade, são poucos. Conto nos dedos das mãos, e os que eu conto estão comigo. Com o tempo aprendi a enxergar melhor quem gosta de mim e quem apenas simpatiza. Confesso que é um pouco decepcionante fazer essas descobertas, afinal, quando gostamos, tudo que queremos é reciprocidade. É natural do ser humano amar e querer ser amado. Não canso de dizer que, no mundo, não há nada que pague pela sensação de ter alcançado o coração de alguém.  E quando consigo alcançar um coração, imagino que ele sinta um pouco do que eu sinto. O bonito é essa troca. Eu aprendi que essa troca acontece de uma forma que, eu mal sei explicar, mas com certeza, algo encaixou, houve uma ligação. E com os amigos, acontece assim, ou melhor, com o amor é assim. Por isso é provado na alegria e na dor. Se não resiste, então, não era amor.

Tenho uma amiga que é um pouco “língua grande”, é o nome que damos, aqui, para quem fala demais. Ela é aquela que fala de tudo e de todos. Ela vem quase todos os dias me ver, entre uma conversa e outra, ela disse: “Ai, amiga, e se você ficar com muitas cicatrizes, o que vai fazer? E se ficar feio? Será que alguém vai olhar para você? Quantas perguntas, não é? Minha maior preocupação, no momento, é sarar logo. Eu estaria mentindo se dissesse que não fico incomodada, mas sei que, depois, isso é mais fácil de resolver. Tenho uma boa cicatrização e até acho que não vou ter muitos problemas. Eu disse para ela que isso é muito pequeno, é menor que um câncer; é menor que a dor da amputação de um órgão; é menor que a dor de não ter a visão; é menor que a dor que sentimos quando perdemos alguém que amamos; é menor que o sofrimento de pessoas que passam por problemas com o alcoolismo e drogas; é menor que a dor de uma criança, na rua, passando fome e sem perspectivas; a dor é menor, porque há amor em mim, porque há um Deus em mim e Ele opera de dentro para fora. Eu continuo a mesma, com os mesmos sonhos, com as mesmas esperanças e um coração talvez um pouco melhor. Neste momento, eu só preciso de tempo, e da paciência das pessoas que gostam de mim. Quem ama, cuida. Quem ama, espera.

Um padre, que admiro muito, disse-me que nossa fé e coragem são constantemente provadas. Cabe a nós, viver com sabedoria os nossos calvários. A lamentação não nos edifica, devemos tirar de cada situação uma lição. Nunca fugi de nenhum problema. Sempre tive muita força nos momentos que pensei não ter. Não vou negar que fiquei muito fragilizada e triste, mas digo de cabeça erguida: Infeliz, jamais! Quem tem esperanças, sabe que nenhuma tristeza é eterna. Como diz um escritor: “O sol que aparece depois da chuva é mais bonito…” Amanhã, quero lembrar que enfrentei mais um problema com muita coragem. É mais uma história que tenho para contar.

Quando o sofrimento bate à porta.

Na vida, é natural passarmos por momentos difíceis.  Momentos que tiram as nossas forças e nos fazem questionar: Onde está DEUS nos momentos difíceis de nossas vidas? Até mesmo Jesus, o nosso Deus humano, sentiu-se abandonado no momento de dor. Por que haveria de ser diferente com todos nós?

Os últimos meses foram difíceis para mim, ou melhor, de dezembro até aqui.  Passei por diversas dificuldades. Algumas eu venci, e outras precisei esquecer por não terem remédio. Semana passada, passei por um momento de terror… ainda estou em recuperação. Vou tentar ser breve, não gosto de falar de coisas ruins. Exatamente na quarta-feira passada, eu estava com sintomas de dengue. Já estava dando febre e sentindo dores no corpo. Neste dia, estava sozinha em casa e decidi que comeria batata frita. Coloquei o óleo para esquentar, quando o telefone chamou. Tive a impressão ter desligado o fogo, mas não foi o que aconteceu. Quando voltei, a panela estava em chamas, tentei apagar o fogo, mas foi em vão, as chamas alcançavam o teto da cozinha. No momento eu tive duas opções sair de casa e deixar tudo queimar ou tentar tirar, para fora, a panela em chamas. Como sempre, eu escolhi fazer o mais difícil. Estava tudo tomado pela fumaça, eu não conseguia ver nada e respirava mal. Abri a porta da cozinha, protegi as minhas mãos com panos e peguei a panela em chamas. Enquanto me descolava, gotas de óleo quente respingavam em meus braços. Quando alcancei a porta, sem forças em meio ao desespero, atirei a panela o mais longe que podia, mas ao bater no chão, subiu uma quantidade muito grande de óleo. Tentei sair o mais rápido possível, ainda assim, fui atingida em vários lugares. A dor foi muito grande, no entanto, foi menor que o desespero de saber que estava toda queimada. Conhecendo os primeiros socorros, liguei um chuveirão que tem fora de casa, sentei no chão e fiquei alguns minutos debaixo da água para diminuir a temperatura das queimaduras. Quando estava mais calma, tentei chamar os vizinhos, mas não tinha forças para gritar ninguém. Entrei novamente, abri as janelas e portas para sair a fumaça. Peguei o telefone e liguei para todas as pessoas que vieram à mente. Logo chegou ajuda e fui ao hospital. As queimaduras, que são de 2º grau, poderiam ser tratadas em casa, mas tinha um agravante, eu estava com dengue e por este motivo, fiquei internada. Não sei se alguém consegue  imaginar a dor que eu passei e, ainda, estou passando. Foram duas situações juntas. Não sei qual o propósito dessas coisas acontecerem. Confesso, fiquei muito triste, inconformada pelo o que aconteceu. Estava começando um novo trabalho, estava estudando e agora, no mínimo, preciso esperar, a queimadura do rosto, cicatrizar para recomeçar tudo novamente. Infelizmente, preciso adiar algumas coisas importantes. O médico acha que, no máximo, em dois meses, eu já esteja completamente recuperada.  Apesar de saber que os dias difíceis ainda não acabaram, estou preparada para eles. Tudo que sei, é que acredito que vai ficar tudo bem. O Deus que eu sirvo, é o mesmo que me dá forças. Sei que vou carregar marcas do episódio, mas as marcas não são nada. O mais importante é estar viva.

O que aconteceu é pequeno diante dos problemas de muitas pessoas pelo mundo afora.  Só tenho a agradecer a Deus por não estar cega ou mesmo ter perdido a vida. Agradeço a Deus pela minha família, por cuidarem tão bem de mim.

Tenho muita fé que vou sair desta situação com coragem e vontade de recomeçar.

O propósito de expor, aqui, o que aconteceu comigo é unicamente para mostrar que não devemos desistir de viver, de lutar e principalmente acreditar que: “Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.” Martin Luther King

Acreditando sempre.

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“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, porém o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13:13)

Esses dias fui almoçar com uma amiga. É uma amiga de longas datas, me conhece muito bem e sabe tudo de mim. Ela é aquela pessoa que sempre diz o que eu preciso ouvir, mesmo que, algumas vezes, não seja o que quero. Estávamos conversando sobre “resiliência.” No meio da conversa, começamos a falar sobre otimismo e pessimismo. Ela falou algo que ficou na memória: “Você é a pessoa mais otimista que conheço.” Depois, quando já estava em casa, comecei a lembrar da conversa e a frase veio à mente: “Você é a pessoa mais otimista que conheço.” Fiquei pensando durante quase uma hora e questionando se sou, de fato, uma pessoa otimista. Analisando situações do cotidiano, as dificuldades, alegrias, lutas, ganhos, perdas, cheguei à conclusão de que sou mesmo uma pessoa otimista, mas o que leva uma pessoa a ser otimista? Será Deus? Será a fé? Ou o otimismo é uma característica dos tolos?  Prefiro acreditar que o otimismo tenha alguma ligação com a fé. É uma força que vem  de dentro, acompanhada de uma grande vontade de ver, fazer e esperar pelo melhor.

Eu sempre espero pelo melhor; sempre tenho esperanças, mesmo quando devia deixa-la morrer;  sempre confio nas pessoas, mesmo quando há evidências que peça o contrário; estou sempre buscando motivos para lutar por aquilo que acredito,  estou constantemente buscando um “sim”, mas também sei respeitar um “não”,  desde que ele seja transparente. O otimista é assim, quando tudo parece perdido, lá está ele com a sua teimosa mania de achar que “ainda pode dar certo.” Que fique bem claro, não é falta de amor próprio, é a esperança de ver o meu coração, um dia, ser tudo o que quer.”  Normalmente, o otimista sabe esperar pelo tempo certo de fazer o que é preciso. Ele está sempre vendo uma oportunidade em meio às dificuldades. A palavra “esperança” é a que mais combina com um otimista. Luther King disse que: “Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.” Visto que prolonga o tormento, não seria a esperança o derradeiro mal? É assim que  Nietzsche define a esperança, “o mal derradeiro.” Será esta a razão de Simone de Beauvoir dizer que é horrível assistir à agonia de uma esperança? Talvez Rubem Alves tenha razão quando disse que a esperança é uma droga alucinógena. O esperançoso otimista tem uma preciosa visão, vê o que ninguém consegue. Vê, até, o que talvez não exista, e não existindo, acredita que um dia possa existir. Para o otimista nenhuma ideia é absurda ou inatingível e tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado. Dizem que os pessimistas sofrem duas vezes, sofrem antes e depois do fracasso. Sofrem antes de tentar, achando que não vão conseguir e sofrem depois, por não terem conseguido. E geralmente não conseguem, porque não tiveram força para lutar. Que ninguém se engane, o otimista sofre também, porque idealiza, sonha e projeta os seus sonhos e, embora seja paciente, tem pressa de viver os seus sonhos.

O otimista é um sonhador.  Eu, por exemplo: “tenho em mim todos os sonhos do mundo” e acredito que “condições de palácio tem qualquer terra larga.” Vamos construí-lo?

Por estas e outras, gosto de Fernando Pessoa.

Enfim, “Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade.” Walt Disney

E ainda nos momentos mais difíceis eu estarei dizendo: “E mesmo quando eu chorar, as minhas lágrimas serão para regar a minha fé e consolar meu coração.” Kleber Lucas

Paz e bem.


Jesus recomenda o amor.

partilha

“Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”. João 15:12

Jesus Cristo, foi um grande mestre que viveu na Palestina há quase 2.000 mil anos. Sua influência foi provavelmente maior que a de qualquer outra pessoa que já tenha existido. Iniciou sua verdadeira missão por volta dos 30 anos de idade a fim de dar testemunho da verdade. Logo após ter sido batizado por João no rio Jordão, Jesus fez um retiro de 40 dias no deserto, onde teve uma profunda experiência com Deus, e por esse motivo sofreu muitas tentações, mas venceu.  Esse retiro mostra a necessidade que Ele teve de preparar-se para a sua missão. Foi um tempo de oração, discernimento, recolhimento e partilha. Do mesmo modo, façamos como Ele.

Durante a sua missão Jesus forneceu, aos seus seguidores, a chave para lidar com os diversos problemas da vida. A chave é o amor. Num dos sermões mais famosos da história, o Sermão da Montanha, Jesus ensinou aos seus discípulos a demonstrar amor a seus semelhantes.  Ele disse: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” (Mateus 7:12). Este princípio é chamado de a “Regra de Ouro.” Os “homens” a quem Jesus se referiu incluem até mesmo os inimigos. No mesmo sermão, ele disse: “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem.” Não resolveria tal amor, muitos dos problemas que enfrentamos hoje em dia? O líder hindu Mahatma Gandhi achava que sim. Ele teria dito: “Quando nos unirmos com base nos ensinamentos de Cristo no Sermão da Montanha, teremos solucionado os problemas, não só de um país, mas do mundo inteiro.” Os ensinamentos de Jesus sobre o amor, se aplicados, podem sanar os males da humanidade, porque o amor é dedicação e partilha.

Amor em ação

Jesus praticava o que ensinava. Ele colocava os interesses de outros acima dos seus e demonstrava amor em ação. Certo dia, Jesus e seus discípulos estavam pregando a muitas pessoas sem parar nem mesmo para uma refeição. Jesus viu que seus discípulos precisavam “descansar um pouco”, por isso foram a um lugar isolado. Mas uma multidão chegou lá primeiro e ficou esperando por eles. Como você teria reagido se estivesse no lugar de Jesus? Ele teve compaixão, e principiou a ensinar-lhes muitas coisas. Sua forte compaixão o motivou.

O que Jesus fez para beneficiar outros não se limitou a ensinamentos espirituais. Ele também deu ajuda prática. Por exemplo, certo dia usando cinco pães e dois peixes, ele alimentou 5.000 mil homens (além de mulheres e crianças) que ficaram ouvindo os seus ensinamentos até o anoitecer.  Tratava-se de um milagre? Sem dúvida, pois ele tinha o poder e fé para isso. Jesus era movido por um forte desejo de ajudar as pessoas. Ele também curou muitos doentes. Curou cegos, aleijados, leprosos, surdos, e ressuscitou mortos. Em suas andanças, um leproso lhe suplicou: “Se apenas quiseres, podes tornar-me limpo.” Jesus reagiu, e estendendo a mão, tocou nele e disse-lhe: “Eu quero. Torna-te limpo.” (Marcos 1:40, 41)

Acha difícil crer que Jesus realizou tantos milagres? Pois Ele realizou a maior parte de seus milagres em público. Até mesmo os opositores, que sempre procuravam encontrar uma falha Nele, não podiam contestar os milagres.

Os ensinamentos e a vida de Jesus nos cativa, de forma que nos sentimos motivados a imitar o seu amor. Como isso será possível? Conheça mais sobre Ele e veja como “o amor de Cristo nos compele” a imitá-lo. (Coríntios 5:14)

Que a partilha da quaresma não se limite à bens materiais, mas que seja o amor o principal bem a ser partilhado.

“Eu quero ver o amor rompendo as cercas, eu quero ver o amor unindo as raças,  eu quero ver o amor calando as armas,  eu quero ver você vendo também.” Pe. Fábio de Melo

Paz e bem.

Sinais ou coincidências?

jesus e pedro

“Fé, é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura.” (Tagore)

Todos nós, já vivemos situações que nos levaram a questionar se foram apenas coincidências ou um sinal de algo que estávamos esperando. Coincidência ou não, é um fato. Sempre acontece, e muitos não sabem explicar ou simplesmente preferem acreditar nas coincidências.

Faz mais ou menos dois meses, que me aconteceu algo bem interessante. Eu gerenciava uma equipe de vendas, e tínhamos um trabalho externo a realizar. O lugar ficava próximo a uma Igreja. Eu estava um pouco angustiada por alguns problemas. Olhei para a Igreja e decidi ir até lá. No caminho, falava com Deus em pensamento: Senhor, não é que eu tenha pouca fé, mas hoje eu preciso de Ti, preciso de um olhar, preciso sentir que Tu seguras a minha mão, eu preciso de uma direção. Cheguei à Igreja e entrei. Haviam apenas três pessoas sentadas, duas mulheres e um homem, eles estavam em oração. Segui aos bancos da direita que ficam próximos ao altar, sentei e comecei a orar. Naquele momento, senti uma força muito grande. Lembro como se fosse hoje, estava de cabeça baixa, quando um homem, com um terço na mão, se aproximou de mim. Meio sem jeito, tímido e com uma voz mansa, falou: “Filha, tenha fé. Deus está com você. Ele conhece a tua aflição. Confia, a providência divina está a caminho.” Eu o agradeci pelas palavras, e continuei onde estava. Fiquei pensando, será que ele fala isso para todas as pessoas, e coincidiu com a situação? Eu sou um pouco curiosa e estava pronta para fazer a pergunta, quando ele falou novamente: “Me desculpe, mas eu estou emocionado, nunca havia sentido isso antes. Me senti um verdadeiro instrumento de Deus.” Agradeci a Deus por ter usado aquele homem para falar comigo. Eu poderia pensar que foi apenas uma simples coincidência? Não, eu não poderia, foi muito forte. Por qual razão aquele homem diria tudo aquilo? Prefiro acreditar que foi uma resposta. A cada dia que passa mais certeza eu tenho da ação de Deus em minha vida. Nada é por um simples acaso.

Outro dia, perdi um documento e tive que ir tirar a segunda via. Cheguei ao local, peguei a senha de atendimento e fiquei aguardando a minha vez. Como de costume, eu sempre converso com alguém. Na ocasião, havia uma mulher, com mais ou menos 70 anos, sentada na fileira de cadeiras que ficava à minha frente. Tenho fascínio por linguagem corporal, já li muito sobre o assunto e sempre gostei de observar as muitas formas do corpo falar. Então, além do que eu senti, pude ver que sua expressão era de sofrimento. As cadeiras ao seu lado estavam todas ocupadas, mas depois de meia-hora uma delas desocupou. Sem pensar muito, sai de onde eu estava e sentei ao lado dela. Ela estava totalmente fechada à conversas, parecia distante. Percebi que usava um terço enrolado no pulso direito, tentei iniciar uma conversa e perguntei se ela rezava o terço diariamente. Quando ela me olhou, pude ver em seus olhos todo o sofrimento que estava escondido, percebi ainda, o pouco interesse em responder, mas ela afirmou que rezava. Silenciou por um instante e concluiu: “Apesar de rezar, estou desacreditada. Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece”. Xeque-mate: Era tudo o que eu precisava. Eu disse a ela que, se estava pensando assim, é porque não acreditava na ação de Deus, e o tempo de Deus é diferente do nosso. E as “assombrações”, nada mais eram do que provações. Tudo tem uma razão de ser, e que para alcançar as graças do alto, ela teria de abrir o coração e acreditar que aquele momento difícil chegaria ao fim. A nossa conversa foi interrompida pela vez do atendimento, era a vez dela. Passado alguns minutos, ela saiu da sala, onde foi atendida, e se dirigiu a mim dizendo: “Uma jovem ensinando uma velha a ter fé. Obrigada, minha filha. Eu precisava ouvir tudo o que você falou.” Depois que ela se foi, respirei profundamente e pensei: Fui um sinal de Deus para ela ou foi coincidência? Eu não a encontrei ao acaso, havia algo a mais naquele encontro. O fato de eu ter ficado inquieta para falar com aquela mulher, já significava muitas coisas. Sei que eu também fui beneficiada de alguma forma. Eu continuei em meus pensamentos, a voz ainda ecoava. Não foi agradável ver que na altura da idade em que ela se encontrava, faltava a fé. Lembrei do que nos narra o evangelho, que certa vez os discípulos se adiantaram, pegaram sua barca e foram na frente de Jesus, e o mesmo ficou na margem para orar. Por volta das três da manhã, os discípulos enfrentaram uma tempestade muito forte. Todos com medo, e o Senhor foi até eles, caminhando sobre as águas. Pedro assustado com tudo aquilo, disse: “Se realmente é o Senhor, deixe que eu vá até aí.” E o Senhor concedeu a Pedro que andasse sobre as águas, mas quando o mesmo viu a fúria dos ventos, a força das ondas e parou de olhar nos olhos de Jesus, começou a afundar. Rapidamente clamou por socorro, e o Senhor estendeu a Sua mão. Eu não sei por qual tempestade aquela senhora estava passando, mas estou certa de que ela deixou de olhar nos olhos de Jesus. Aquele encontro, as poucas palavras trocadas, o olhar apressado, o sofrimento escondido, tudo isso aconteceu no momento em que Jesus entrou naquela barca desacreditada.

Há pessoas que têm dificuldades em ver as grandes coisas que Deus faz, e que se disfarçam em pequenos detalhes. Esses sinais estão sempre diante de nós, ainda assim, nos negamos a ver ou fechamos os olhos. O ideal seria se Ele fosse mais direto em determinadas situações. Quantas incertezas iriam embora se Deus nos falasse diretamente. Seria um incentivo à coragem. Você já pensou sobre isso? Eu acredito que é uma questão de ver com o coração. Não é assim a fé? Crer naquilo que não vemos. Resolvi mudar a minha visão. Hoje, posso ver com mais clareza, tudo aquilo que antes eu via como uma coincidência. Eu sei que Ele sempre fala comigo e nunca me deixa sem respostas. Embora, algumas vezes eu não entenda, aprendi a ver e sentir. No silêncio, vi que não estou só. Nós não estamos sós. Há sempre um sinal.

Não permita que as tempestades o impeçam de dar um passo adiante. Aprenda a ver o que Deus quer mostrar.

“Tua presença meu Senhor, posso sentir. Vejo as pegadas que deixaste em meu jardim… Onde em mistério Tu te mostras sem que os olhos possam ver, mas o percebe o coração que sabe crer” Pe. Fábio de Melo.

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