
Estamos começando um novo ano. Temos mais uma oportunidade para realizar tudo aquilo que não foi possível nos dias que se passaram.
Fiz uma retrospectiva de tudo que vivi no ano passado, e pude ver que acertei, errei, magoei, fui magoada, fiz coisas boas e ruins, ajudei e deixei de ajudar. De tudo que foi analisado, fica a certeza da vontade de recomeçar e colocar cada coisa em seu devido lugar. Questiono-me que postura vou adotar para o novo ano. Tentar realizar aquilo que eu não consegui ou desistir? Conhecemos tantas frases que dizem, “nunca desista dos seus sonhos”, mas há sonhos que de tão grandes, não é possível sonhá-los sozinho. Nesse caso, o que fazer? Às vezes, tenho medo de estar sendo teimosa, por querer continuar lutando para alcançar aquilo que o coração pede. Chega a ser frustrante, desejar realizar algo, e se ver cada vez mais distante do objetivo. Eu sei, que na caminhada em busca dos nossos objetivos, sempre haverá obstáculos, mas quando eles são grandes demais, a tendência é querer encaixotar e guardar. Sabe, eu nasci no interior do estado do Maranhão. Cresci subindo em mangueiras, goiabeiras, cajueiros, cajazeiras… para mim, era um desafio pegar a fruta que estivesse no lugar mais alto, no galho mais difícil, e sem a aprovação de qualquer adulto, pois era um perigo. Uma queda, era morte certa. Algumas vezes conseguia pegar aquela fruta desejada, outras vezes não conseguia, porque os obstáculos eram sempre muito grandes. Galhos frágeis, caixas de abelhas, de formigas e a altura. Lembro-me de uma ocasião em que bati a cabeça em uma caixa de formigas, meus cabelos claros, ficaram escuros, cheios delas. Levei uma bronca daquelas e passei uma semana tirando formigas dos cabelos.Você consegue imaginar a cena? Depois, eu até conseguia sorrir, lembrando do ocorrido. E por culpa delas, fui descoberta. Minha avó, muito preocupada comigo, questionou a razão de correr tanto risco, argumentou que era perigoso, e que não me queria subindo em árvores. Eu falei que gostava de pegar as frutas lá do alto, ela dizia que as frutas que estavam mais baixas tinham o mesmo sabor, eu nunca concordei. Nunca gostei de fazer as coisas que qualquer um fazia. Na minha opinião, elas eram mais doces, tinham um sabor diferente, o sabor da conquista. Minha avó veio com outro argumento, dizendo que eu deveria esperar que elas caíssem, a areia fofa amortecia a queda e raramente elas ficavam machucadas. Então, lembrei dos passarinhos, eles aproveitavam e faziam a festa com as frutas lá do alto. Eu achava que era uma covardia, eles tinham asas, e eu, não. E facilmente faziam o que eu tanto gostava de fazer. Decidi criar algo para ajudar. Peguei uma lata de óleo, vazia, abri, fiz dois furos na lateral, prendi com um pedaço de arame na ponta de uma vara de mais ou menos 2,5m. A partir daí, eu subia até um determinado galho e conseguia alcançar a fruta do alto com a vara que tinha uma cesta de lata. Quando a fruta não cabia na cesta, eu balançava até que ela caísse. Quanto aos passarinhos, eu sempre deixava alguma coisa para eles, afinal, eu não conseguia pegar todas as frutas do alto de uma árvore, somente as escolhidas. Toda essa história foi para lembrar que desde criança, eu já gostava de desafios, e nunca desisti fácil. Nos tornamos adultos, ficamos mais racionais, realistas e aos poucos, vamos perdendo a capacidade de criar soluções e meios para alcançar os nossos sonhos, objetivos, metas… No fundo, eu sei que ainda mora dentro de mim, aquela mesma criança que gostava de subir em árvores, que achava injusto não ter asas, e que de uma forma mágica, conseguia alcançar o topo de uma árvore, mesmo com a ajuda de uma vara de 2,5m. Neste ano, vou tentar resgatar esta criança guerreira, e que ela possa ser o incentivo, do qual eu necessito para seguir em frente, sonhando, acreditando, buscando, e lutando sempre.
Minha avó, era devota de Nossa Senhora Aparecida, meu avô, de Santo Antônio. Sempre fui incentivada a acreditar em milagres, por menores que eles fossem. Eles acreditavam que tudo era possível, só precisava acreditar.
Não vamos deixar que morra em nós a esperança de dias melhores. A esperança de ver renascer aqueles sentimentos mais bonitos que ficaram guardados. A esperança de um novo encontro, de um novo olhar, de um novo sorriso, de uma nova chance… a chance de fazer acontecer, e dar continuidade ao que, por alguma razão, ficou inacabado.
Um Feliz e abençoado 2011 a todos os amigos do Gente de Fé.








