Category: Catolicismo

Reza, fanfarrão!

Eu não quero acreditar que tu ainda não tá rezando para proteger nosso Brasil do flagelo dos contra-valores que ameaçam a liberdade religiosa, o direito à vida e a própria célula-mãe da sociedade, a família. O flagelo do comunismo! O que tu tá pensando, fera? Hein? O que tu tá pensando da tua vida que tu ainda não rezando essas MIL ave-marias, rapá?! Seu fanfarrão! Só faltam trezentas daqui até o dia das eleições, pela salvação do Brasil… Manda vê! Compreendeu? Primeiro a gente reza… Depois a gente vê!

Publicado originalmente no blog O Possível e o extraordinário

Campanha de oração

Campanha de Oração – pela salvação do Brasil!

O Brasil vive uma situação política terrível. Enquanto governantes ímpios zombam de Deus e das raízes católicas do povo brasileiro, o país caminha a passos largos em direção à Foice e ao Martelo que, derrotados no Leste Europeu, querem fincar raízes aqui no Novo Mundo. Os brasileiros, inermes e apáticos, não se apercebem do abismo que se lhes abre aos pés. Não se descortina, no horizonte, nenhuma esperança meramente humana que possa libertar o país da sombra que, sobre ele, paira ameaçadora.

Já não há o que fazer, mas o nosso auxílio está no Nome do Senhor – que fez os Céus e a Terra. As hostes do Inferno levantam-se contra o Brasil e o pretendem tomar de assalto, diante da apatia do seu povo; mas esta aqui é a Terra de Santa Cruz. Esta é a terra que tem por Padroeira uma Senhora poderosa e terrível, uma Virgem que, sozinha, venceu todas as heresias do mundo inteiro. Esta aqui é Terra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Este é o país que, em sua história, já pôde contar com as inestimáveis graças desta Boa Rainha. Foi Ela que, no século XVII, livrou-nos da dominação holandesa. Foi também Ela que, no século passado, livrou-nos do comunismo. É a Ela que recorremos mais uma vez, e que mais uma vez há de nos valer. Porque jamais se ouviu dizer que algum dos que tivessem a Ela recorrido, fosse desamparado.

É a Ela que recorremos, gemendo e chorando sob o peso de nossos pecados, sem termos absolutamente mais a quem recorrer. É a Virgem Aparecida que vai salvar o Brasil. É aos pés d’Ela que depositamos a nossa confiança; e a Ela que recorremos neste momento terrível que a nossa Pátria atravessa.

Rezemos pela Pátria! Unamo-nos à Campanha de Oração pela Salvação do Brasil. Reproduzo-a, como foi originalmente publicada no En Garde. Divulguemo-la. E rezemos. Que Nossa Senhora Aparecida Se compadeça de nós, e nos salve!

* * *

A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.

Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.

Esse é o momento de atendermos ao pedido da Virgem!

1000 Ave-Maria’s pelo Brasil!

Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: “Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!”

Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria’s, cada um, pelo nosso país!

Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.

Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que “a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La”. Rezemos, pois!

Replique em seu Blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TV’s, rádios, Blogs, jornais, revistas… tudo!

A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!

Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!

Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, por Ela prometeu em Fátima: No fim, meu Imaculado Coração triunfará!

Mãe Maria, Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, rogai por nós!

Publicado originalmente nos blogs En Garde e Deus Lo Vult

Site da campanha: http://www.salvemobrasil.com/

O presidente precisa ser crente?

Em tempos de eleição, sempre somos confrontados com a nossa crença religiosa e os valores morais e aqueles apresentados pelos candidatos. Alguns deles fazem questão de dizerem que são desta ou daquela denominação, deste ou daquele movimento, enquanto outros são mais genéricos. Mas nunca vi ninguém dizer, categoricamente, que era ateu.

E foi pra contribuir com a escolha do voto, com consciência de quem pensa o que sobre aborto, homossexualismo, símbolos religiosos em repartições públicas e outros temas candentes que estão diretamente relacionados e, não raro, com opiniões bem diversa da doutrina católica, que 2 das mais importantes TVs católicas brasileiras realizaram um debate entre os principais presidenciáveis. Abaixo, há um resumo do aconteceu no evento.

Por Roldão Arruda- Estado de São Paulo via Blog do Carmadélio

Os candidatos Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e José Serra (PSDB), protagonizaram uma boa aula de cidadania e espírito republicano na segunda-feira, durante o encontro promovido e transmitido ao vivo pelas emissoras católicas Canção Nova e Rede Aparecida. Em diversos momentos eles mostraram que às vezes é preferível perder votos a abdicar de princípios para agradar a plateia.

O encontro se destinou sobretudo a verificar se o pensamento dos candidatos estava calibrado ou não com o pensamento dos organizadores do evento. Isso ficou perceptível a partir da forma como eram feitas as perguntas, quase sempre precedidas de considerações destinadas a deixar claro o ponto de vista da Igreja Católica sobre o assunto.

No pontapé inicial, o apresentador, um padre, perguntou aos três se o presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus. Quem se saiu melhor foi Marina Silva, que já foi católica e hoje faz parte do grupo evangélico Assembleia de Deus. Disse, de maneira ousada para o local, que a crença pode representar um ponto a mais para o futuro presidente, mas não é imprescindível, porque ateus também podem ser bons governantes.

A resposta completa dela foi: “Do ponto de vista do Estado laico, obviamente que não é preciso acreditar. Do ponto de vista dos valores que a fé cultiva no coração, no caráter, é, com certeza, uma delta a mais, altamente relevante. Todas as culturas têm em suas mentes e corações três valores comuns a todos os povos: o sentido da justiça, o sentido da liberdade e o desejo de amar e ser armado. Percebo isso como um dom de Deus. O bom é que Deus é tão generoso que mesmo aqueles que não acreditam em Deus podem ser agraciados com esse dom. Pessoas que não creem podem ser justas e éticas e também podem buscar a liberdade.”

O tucano Serra seguiu na mesma direção, embora de maneira muito mais tímida. Batizado na Igreja Católica, disse que seria bom se o presidente acreditasse em Deus. Plínio, católico de quatro costados, muito à vontade no ambiente, pulou a resposta, preferindo usar o tempo para protestar contra a ausência da petista Dilma Rousseff, acusando-a de fugir para não ter que expor seu pensamento sobre os assuntos ali tratados.

Plínio mostrou ousadia, no entanto, ao apoiar a proposta de retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, tremendamente criticada pela Igreja Católica, desde Roma. Eis o que ele disse: “Essa é uma república laica, com gente que acredita em Deus e gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir em ter símbolos religiosos em prédios públicos, porque os prédios públicos são de todos. Os devotos, nas cidades e no campo, devem colocar os símbolos em qualquer lugar, mas não nas repartições públicas, porque nelas o que deve valer mesmo é o princípio da igualdade de todos. Não considero que a Igreja do Cristo deva fazer muita força para segurar essa proposta. É um resquício de uma ideia de cristandade, de uma ideia de sociedade inteirinha dominada pelo cristianismo.”

Serra também mostrou fidelidade ao seu pensamento quando perguntado sobre ensino religioso nas escolas públicas – outra questão pela qual a Igreja Católica vem se batendo. Ele disse que o ensino religioso deve ser ministrado, como disciplina opcional, em escolas de propriedade das igrejas, mas não na rede pública. Lembrou que se fosse aberta a possibilidade de se contratar professores para ensinar cristianismo, outras vertentes religiosas entrariam na Justiça, exigindo o mesmo direito. “Haveria uma inflação de ensino religioso, o que o tornaria impraticável.”

Plínio e Marina apoiaram o ensino religioso na rede pública como disciplina opcional, ou seja, que não reprova o aluno. Para Marina, o Estado brasileiro “é laico, mas não ateu”.

A candidata do PV, como era de esperar, foi confrontada com a questão do aborto. Como é que uma pessoa que defende com a veemência a vida das plantas, não se mostra tão segura na defesa da vida humana, chegando a propor um plebiscito sobre o assunto? – quis saber o jornalista da Canção Nova que fez a pergunta. A representante dos verdes respondeu o de sempre: embora seja contrária ao aborto, do ponto de vista da sua fé, acha que o Brasil ainda precisa debater mais o assunto. Daí a ideia de plebiscito.

Sobre o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, o candidato do PSOL deu uma no cravo e outra na ferradura. De um lado disse, en passant, que considera a homossexualidade um pecado. Ficou com o papa. De outro, porém, apoiou o projeto, porque entende que ninguém deve ser discriminado, perseguido ou humilhado por causa de sua “opção sexual”.

Serra também titubeou um pouco ao falar sobre a questão dos programas de prevenção da Aids, sempre criticados pela Igreja, que gostaria que a prevenção fosse feita à base da abstinência sexual e da fidelidade no casamento. O tucano defendeu os programas de prevenção, baseados na distribuição de preservativos, mas também disse que não vê problema em incentivar a abstinência e monogamia, como fez o presidente americano George W. Bush em seu governo, se isso ajudar a reduzir a incidência da doença.

Não foi fácil para ninguém. Mas foi um bom exercício democrático, no qual os candidatos tiveram que se confrontar com um grupo de posições baseadas em dogmas da fé, analisar o caráter do Estado brasileiro, e, no fundo, tentar equilibrar temas de fé com direitos civis – uma questão muito nova no Brasil, do ponto de vista histórico. A candidata Dilma perdeu uma excelente oportunidade de se exercitar.

Por que sou católico?

Gilbert Keith Chesterton é um daqueles escritores católicos que quase ninguém conhece, mas quando lê a primeira linha logo não quer parar mais de conhecer seus escritos. Eu sou um desses leitores (bem) principiantes de Chesterton. Li (confesso) poucos fregmentos de suas principais obras, mas já deu para perceber sua grandeza e ortodoxia. Segue abaixo um (dos muitos) belíssimo texto do autor que encontrei no blog do Angueth, que é especializado nas obras do inglês.

Do livro A  Coisa de G. K. Chesterton via Blog do Angueth

(…)

É a mais pura verdade que encontramos erros reais, que provocaram rebelião, na Igreja Romana pouco antes da Reforma. O que não conseguimos encontrar é um daqueles erros que a Reforma reformou. Por exemplo, era um abuso abominável que a corrupção dos monastérios algumas vezes permitisse que um nobre rico se passasse por patrão ou mesmo abade, ou se valesse das rendas que supostamente pertenciam a uma irmandade pobre e caridosa. Mas tudo que a Reforma fez foi permitir que o mesmo nobre rico tomasse posse de TODA a renda, apoderasse de toda a casa e a transformasse num palácio ou numa pocilga, e apagasse totalmente a última inscrição da pobre irmandade. As piores coisas de um catolicismo mundano foram feitas piores pelo protestantismo. Mas as melhores coisas permaneceram de alguma forma através da era da corrupção; não, elas sobreviveram até mesmo a era de reforma. Elas sobrevivem hoje em todos os países católicos, não somente na cor, poesia e popularidade da religião, mas nas mais profundas lições da psicologia. Elas foram tão completamente justificadas, depois do julgamento de quatro séculos, que cada uma delas está agora sendo copiada, até mesmo por aqueles que a condenaram; ocorre, contudo, que a cópia é, muitas vezes, apenas uma caricatura. A psicanálise é a Confissão sem a salvaguarda confessional; o comunismo é o movimento franciscano sem o moderado equilíbrio da Igreja; e as seitas americanas, tendo urrado por três séculos contra a teatralidade papista e o mero apelo aos sentidos, agora “abrilhantam” suas cerimônias com filmes super-teatrais e com raios de luz vermelha caindo sobre a cabeça do ministro. Se tivéssemos um raio de luz para lançar, não deveríamos lançá-lo no ministro.

(…)

Eu poderia escolher qualquer assunto aleatoriamente, da carne de porco à pirotecnia, e mostrar que ele ilustra a verdade da única verdadeira filosofia; tão realista é a observação de que todos os caminhos levam à Roma. De todos eles, tomo aqui apenas um fato; que a coisa é perseguida época após época por um ódio irracional que muda permanentemente sua razão. Ora, quase todas as heresias mortas estão, pode ser dito, não só mortas como condenadas; isto é, estão condenadas ou serão condenadas pelo senso comum, mesmo fora da Igreja, uma vez que sua atmosfera e mania tiverem passado. Ninguém hoje deseja reviver o Direito Divino dos reis que os primeiros anglicanos defenderam contra o Papa. Ninguém hoje deseja reviver o calvinismo que os primeiros puritanos defenderam contra o rei. Ninguém hoje lamenta que os iconoclastas foram impedidos de destruir todas as estátuas na Itália. Ninguém hoje se lamenta de que os jansenistas fracassaram em destruir todos os dramas da França. Ninguém que saiba alguma coisa sobre os albigenses deplora que eles não tenham convertido o mundo ao pessimismo e à perversão. Ninguém que realmente compreenda a lógica dos Lollards (um grupo de indivíduos muito mais simpáticos) anseia realmente que eles tivessem sido bem sucedidos em tirar todos os direitos e privilégios políticos daqueles que não estivessem em estado de graça. (…) O estudo de casos históricos mostra-nos comumente o espírito da época indo na direção errada, e os católicos indo na direção, pelo menos, relativamente certa. É como uma mente sobrevivendo a centenas de diferentes estados de humor.

Quando um martelo acerta o prego certo bem na cabeça centenas de vezes, acabamos por suspeitar que não é inteiramente por coincidência. Mas essas provas históricas não seriam nada sem as provas humanas e pessoais, que demandariam uma descrição completamente diferente. Basta dizer que aqueles que conhecem a prática católica a consideram não somente certa, mas sempre certa quando tudo o mais está errado; tornando a Confissão o trono mesmo da sinceridade, quando o mundo lá fora fala dela como um tipo de conspiração; preservando a humildade, quando todos estão louvando o orgulho; carregada de caridade sentimental, quando o mundo fala de um brutal utilitarismo; carregada de severo dogmatismo, quando o mundo está ruidoso e dissoluto com seu vulgar sentimentalismo – como acontece hoje.

(…)

Leia o texto na íntegra aqui.

“Eu, medo daquele estúpido? E ele é só o macaco de Deus”

Via O Ultrapapista Atanasiano

Uma entrevista com o exorcista da Santa Sé  Apostólica, Pe. Gabriele Amorth.

Padre Amorth

(…)

Como são considerados os exorcistas dentro da Igreja?

AMORTH: Somos muito mal tratados. Os irmãos sacerdotes que são encarregados dessa delicadíssima tarefa são vistos como doidos, fanáticos. Em geral quase não são tolerados nem pelos bispos que os nomeiam.

Qual o fato mais clamoroso dessa hostilidade?

AMORTH: Tivemos um convênio internacional de exorcistas perto de Roma. Pedimos para ser recebidos pelo Papa. Para não dar a ele o peso de somar outra audiência às tantas que já dá, pedimos simplesmente para ser recebidos na audiência pública das quartas-feiras na Praça de São Pedro.
Inclusive sem que fosse preciso mencionar-nos nas saudações. Fizemos o devido pedido, como lembrará perfeitamente Mons. Paolo De Nicolò, da Prefeitura da Casa Pontifícia, que acolheu de braços abertos o nosso pedido. Um dia antes da audiência porém o próprio Mons. De Nicolò disse-nos – na verdade com grande constrangimento, pelo que se viu muito bem que a decisão não dependia dele – que não viéssemos, não éramos admitidos. Incrível: 150 exorcistas provenientes dos cinco continentes, sacerdotes nomeados pelos seus bispos segundo as normas do direito canônico, que requerem padres de oração, ciência e boa fama – portanto mais ou menos a fina-flor do clero -, pedem para participar duma audiência pública do Papa e são enxotados. Mons.
De Nicolò disse-me: "Naturalmente prometo que lhe enviarei logo uma carta com os motivos". Passaram-se cinco anos, e ainda estou a esperar essa carta. Certamente não foi João Paulo II a excluir-nos. Mas que seja proibido a 150 sacerdotes participar duma audiência pública do Papa na Praça de São Pedro explica o quanto são dificultados os exorcistas pela sua Igreja, quanto são mal vistos por tantas autoridades eclesiásticas.

O Sr. combate o demônio quotidianamente. Qual é o maior sucesso de Satanás?

AMORTH: Conseguir que não creiam na sua existência. Quase conseguiu. Também dentro da Igreja. Temos um clero e um episcopado que já não crêem no demônio, nos exorcismos, nos males extraordinários que o diabo pode fazer, e tampouco no poder que Jesus concedeu de expulsar os demônios. Há três séculos que a Igreja latina – ao contrario dos orientais e de várias confissões protestantes – abandonou quase completamente o ministério dos exorcismos. Sem praticá-los, estudá-los nem vê-los, o clero já não crê. Já não crê tampouco no diabo. Temos inteiros episcopados contrários aos exorcismos. Há nações completamente carentes de exorcistas, como a Alemanha, a Áustria, a Suíça, a Espanha e Portugal. Uma carência assustadora.

(…)

É dever dos bispos nomear exorcistas?

AMORTH: Sim. Quando um sacerdote é eleito bispo, encontra-se ante um artigo do Código de Direito Canônico que lhe dá autoridade absoluta para nomear exorcistas. A um bispo o mínimo que se pode pedir é que tenha assistido pelo menos a um exorcismo, dado que deve tomar uma decisão tão importante.
Infelizmente, não acontece quase nunca. Mas se um bispo se encontra ante uma solicitação séria de exorcismo – ou seja, feita não por um maluco – e não toma providências, comete pecado mortal. E é responsável por todos os terríveis sofrimentos daquela pessoa, que às vezes duram anos ou uma vida, e que teria podido impedir.

Está dizendo que a maior parte dos bispos da Igreja católica está em pecado mortal?

AMORTH: Quando eu era pequeno o meu velho pároco ensinava-me que os sacramentos são oito: o oitavo é a ignorância. E o oitavo sacramento salva mais que os outros sete juntos. Para cometer pecado mortal é preciso uma matéria grave mas também o pleno conhecimento e o deliberado consentimento. Essa omissão de ajuda por parte de muitos bispos é matéria grave. Mas esses bispos são ignorantes: não há portanto deliberado consentimento e pleno conhecimento.

Mas a fé permanece intacta, isto é, permanece uma fé católica, se alguém não crê na existência de Satanás?
AMORTH: Não. Conto-lhe um episódio. Quando encontrei pela primeira vez o Pe. Pellegrino Ernetti, um célebre exorcista que exerceu o ministério por quarenta anos em Veneza, disse-lhe: "Se eu pudesse falar com o Papa eu lhe diria que encontro demasiados bispos que não crêem no demônio". Na tarde seguinte o Pe. Ernetti veio até mim para me dizer que de manhã tinha sido recebido por João Paulo II. "Santidade", dissera-lhe, "há um exorcista cá em Roma, Pe. Amorth, que se o visse lhe diria que conhece demasiados bispos que não crêem no demônio". O Papa respondeu-lhe, taxativo: "Quem não crê no demônio não crê no Evangelho". Eis a resposta que ele deu e que eu repito.

Ou seja: a conseqüência é que muitos bispos e muitos padres não seriam católicos?

AMORTH: Digamos que não crêem numa verdade evangélica. Portanto, sendo o caso, eu os acusaria de propagar uma heresia. Mas fique claro que alguém é formalmente herege se é acusado de alguma coisa e permanece no erro. Hoje ninguém, pela situação que há na Igreja, acusa um bispo por não crer no diabo, nas possessões demoníacas e por não nomear exorcistas porque não crê. Contudo, eu poderia dizer-lhe muitíssimos nomes de bispos e cardeais que logo que foram nomeados para uma diocese tiraram a todos os exorcistas tal faculdade. Ou bispos que sustentam abertamente: "Eu não creio nisso. São coisas do passado". Por quê? Infelizmente porque houve a influência perniciosíssima de certos biblistas, e poderia citar-lhe muitos nomes ilustres. Nós que tocamos todos os dias o mundo sobrenatural sabemos que meteu a colher em tantas reformas litúrgicas.

Por exemplo?

AMORTH: O Concílio Vaticano II tinha comandado a revisão de alguns textos. Desobedecendo a essa ordem, o que se quis foi refazê-los completamente.
Sem pensar que se podiam piorar as coisas em vez de melhorá-las. E tantos ritos foram piorados por essa mania de querer jogar fora tudo o que havia no passado e refazer tudo desde o começo, como se a Igreja tivesse até hoje sempre tapeado e enganado, e só agora tivesse chegado o tempo dos grandes gênios, dos superteólogos, dos superbiblistas, dos superliturgistas, que sabem dar à Igreja as coisas certas. Uma mentira. O último Concílio tinha simplesmente pedido a revisão desses textos, não a sua destruição.
O Ritual dos exorcismos, por exemplo: era para ser corrigido, não refeito. Havia orações que têm doze séculos de experiência. Antes de eliminar orações tão antigas e que por séculos demonstraram a sua eficácia, seria preciso pensar longamente. Mas não. Nós, os exorcistas, experimentando o Ritual "ad interim", vimos que são absolutamente ineficazes. Também o Ritual do Batismo das crianças foi piorado. Foi desvirtuado até quase eliminar o exorcismo contra Satanás, que sempre teve enorme importância para a Igreja, tanto que era chamado "exorcismo menor". Contra esse novo rito protestou publicamente também Paulo VI. Foi piorado o novo Ritual de Bênçãos. Li minuciosamente todas as suas 1200 páginas. Pois bem, foi cuidadosamente tirada toda referência ao fato de que o Senhor nos protege de Satanás, que os anjos nos protegem do assalto do demônio.
Tiraram todas as orações que havia na bênção das casas e das escolas. Tudo tinha de ser benzido e protegido, mas hoje a proteção contra o demônio já não existe, já não existem defesas e tampouco orações contra ele. O próprio Jesus tinha-nos ensinado uma oração de libertação no pai-nosso: "Livrai-nos do Maligno. Livrai-nos da pessoa de Satanás". Em vernáculo foi traduzida de forma errônea, e agora se reza dizendo: "Livrai-nos do mal". Fala-se dum mal genérico, do qual no fundo não se sabe a origem. Ao contrário, o mal contra o qual Nosso Senhor Jesus Cristo tinha-nos ensinado a combater é uma pessoa concreta: é Satanás.

O Sr. tem um observatório privilegiado: tem a sensação de que o satanismo esteja difundindo-se?

AMORTH: Sim. Muitíssimo. Quando diminui a fé aumenta a superstição. Se uso a linguagem bíblica, digo que se abandona a Deus e se abraça a idolatria; se uso uma linguagem moderna, digo que se abandona a Deus para abraçar o ocultismo. A diminuição assustadora da fé em toda a Europa católica faz com que o povo se entregue às mãos de magos e cartomantes, enquanto as seitas satânicas prosperam. O culto do demônio é anunciado a massas inteiras através do rock satânico de personagens como Marilyn Manson, e atacam-se também as crianças quando jornais e quadrinhos ensinam a magia e o satanismo. São muito difundidas as sessões espíritas, nas quais se evocam os mortos para ter respostas. Agora aprende-se a fazer sessões espíritas com o computador, com o telefone, com a televisão, com o gravador, mas sobretudo com a escritura automática. Já não há necessidade do medium: é um espiritismo "self service". Segundo as pesquisas, 37 por cento dos estudantes fez pelo menos uma vez o jogo do cartaz ou do copo, que é uma verdadeira sessão espírita. Numa escola em que me convidaram a falar, os jovens disseram que o faziam durante a aula de religião sob olhos complacentes do professor.

E funcionam?

AMORTH: Não existe diferença entre magia branca e magia negra. Quando a magia funciona, é sempre obra do demônio. Todas as formas de ocultismo, como esta grande atração pelas religiões do Oriente, com as suas tendências esotéricas, são portas abertas para o demônio. E o diabo entra. Rápido.
Eu não hesitei a dizer imediatamente, no caso da freira assassinada em Chiavenna e no caso dos dois jovens de Novi Ligure [trata-se de delitos que chocaram a Itália recentemente, n.d.tr.], que houve uma intervenção direta do demônio porque esses jovens se dedicavam ao satanismo. Prosseguindo a investigação a polícia descobriu, em ambos os casos, que esses jovens seguiam Satanás, tinham livros satânicos.

O que aproveita o demônio para seduzir o homem?
AMORTH: Ele tem uma estratégia monótona. Disse isso a ele, e ele o reconhece… Leva a crer que o inferno não existe, que o pecado não existe sendo só uma experiência mais a fazer. Concupiscência, sucesso e poder são as três grandes paixões nas quais Satanás insiste.

Quantos casos de possessão demoníaca encontrou?

AMORTH: Depois dos primeiros cem casos desisti de contar.

Cem? Mas são muitíssimos. O Sr. diz nos seus livros que os casos de possessão são raros.
AMORTH: E de fato são. Muitos exorcistas têm encontrado somente casos de males diabólicos. Mas eu herdei a "clientela" dum exorcista famoso como o Pe. Candido, e portanto os casos que ele não tinha resolvido ainda. Ademais, os outros exorcistas mandam para mim os casos mais resistentes.

Qual o caso mais difícil que encontrou?

AMORTH: Estou tratando dele agora, e já faz dois anos. É a mesma jovem que foi abençoada – não foi um exorcismo propriamente – pelo Papa em outubro no Vaticano e que causou sensação nos jornais. É atingida 24 horas por dia, com tormentos indescritíveis. Os médicos e os psiquiatras não conseguiam entender nada. É plenamente lúcida e inteligentíssima. Um caso realmente doloroso.

Como a pessoa se torna vítima do demônio?
AMORTH: Pode-se cair nos males extraordinários enviados pelo demônio por quatro motivos. Ou porque isso consiste num bem para a pessoa (é o caso de muitos santos), ou pela persistência no pecado de modo irreversível, ou por um malefício que alguém faz por meio do demônio, ou por práticas de ocultismo.

Durante o exorcismo de possessos, que tipo de fenômenos se manifestam?

AMORTH: Lembro-me dum camponês analfabeto que durante o exorcismo me falava só em inglês, e eu precisava dum intérprete. Há quem mostra uma força sobre-humana, quem se eleva completamente da terra e várias pessoas não conseguem mantê-lo sentado. Ma é só pelo contexto em que se desenvolvem que falamos de presença demoníaca.

Ao Sr. o demônio nunca fez nada de mal?
AMORTH: Quando o cardeal Poletti me pediu para ser exorcista encomendei-me a Nossa Senhora. "Envolvei-me no vosso manto e estarei seguríssimo". O demônio fez-me tantas ameaças, mas nunca me causou dano algum.

O Sr. não tem medo do demônio?
AMORTH -. Eu, medo daquele estúpido? É ele que deve ter medo de mim: eu ajo em nome do Senhor do mundo. E ele é só o macaco de Deus.

Padre Amorth, o satanismo difunde-se cada vez mais. O novo Ritual torna difícil fazer exorcismos. Impede-se aos exorcistas a participação numa audiência papal na Praça de S. Pedro. Diga-me sinceramente: o que está acontecendo?
AMORTH: A fumaça de Satanás entra em todas as partes.

Em todas as partes!

Talvez tenhamos sido excluídos da audiência do Papa porque tinham medo de que tantos exorcistas conseguissem expulsar as legiões de demônios que se estabeleceram no Vaticano.

Está brincando, não?

AMORTH: Pode parecer um modo de dizer, mas creio que não seja. Não tenho dúvida alguma de que o demônio tenta sobretudo os postos altos da Igreja, como tenta os postos altos da política e da indústria.

Está dizendo que também aqui, como todas as guerras, Satanás quer conquistar os generais adversários?

AMORTH: É uma estratégia vencedora. Sempre se tenta efetuá-la. Sobretudo quando as defesas do adversário são fracas. E também Satanás tenta. Mas ainda bem que existe o Espírito Santo que sustém a Igreja: "As portas do inferno não prevalecerão". Apesar dos abandonos. Apesar das traições, que não devem surpreender. O primeiro traidor foi um dos apóstolos mais próximos a Jesus, Judas Iscariotes. Mas apesar disso a Igreja continua no seu caminho. Mantém-se em pé pelo Espírito Santo, portanto toda a luta de Satanás pode ter somente sucesso parcial. Claro, o demônio pode vencer algumas batalhas. Inclusive importantes. Mas jamais a guerra.

(Grifos meus)

Santo Cura d’Ars como padroeiro de todos os sacerdotes!

Santo Cura d'Ars

No último dia 11.6, encerramento do frutuoso ano sacerdotal, esperava-se que o Santo Padre proclamasse São João Maria Vianney como padroeiro de todos os sacerdotes (atualmente ele só é padroeiro dos párocos). Mas, como não aconteceu, foi lançada na internet uma campanha de petições para que enfim o Cura d’Ars, zeloso e santo sacerdote, seja exemplo de todos os padres. Segue abaixo o texto da petição e link para assiná-la:

Beatíssimo Padre,

Fiéis da Igreja Católica, nós somos os primeiros beneficiários do ministério dos sacerdotes, que dirigimos a Sua Santidade o Papa Bento XVI esta súplica, para obter a proclamação de São João Maria Vianney Padroeiro de todos los sacerdotes da Igreja Católica. Desejamos associar-nos à petição dos sacerdotes, convictos de que do seu amor ao ideal sacerdotal dependa a nossa santificação…”

Assine também!

Para os sacerdotes, o texto e o link são diferentes. Confira no site Presbíteros.

Oração de desagravo do Anjo de Portugal

Hoje a Igreja do mundo inteiro celebrou o Corpus Christi. O dia de fazer memória da presença real de Cristo na Eucaristia, que não quis partir para o Pai sem permanecer conosco. É dia portantod e adorar a Jesus sacramentado e também de fazer memória das (infelizmente) inumeras ocasiões de ofensas a este tão grande Sacramento. Há uma oração belíssima que o anjo das aparições de Fátima ensinou as três pastorinhos, pedindo perdão à Santíssima Trindade justamente pelos agravos ao Corpo e Sangue do Senhor.

“Santíssima Trindade, Pai, Filhoe e Espírito Santo, eu Vos adoro profundamente e Vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido e pelos merecimentos infinitos de Seu Santíssimo Coração e pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.”

Que Deus nos dê almas adoradoras do Seu Santíssimo Corpo e Sangue para consolar o seu Coração muitas vezes machucado e ultrajado pelas mãos dos próprios cristãos.

Você sabe a diferença entre jejum e abstinência?

Via VS Blog, por Rafael Vitola Brodbeck

Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais, nem outros petiscos durante o dia (nem mesmo cafezinho, chimarrão etc). Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.

Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente (bovina, ovina, aviária, bubalina etc), bem como seus caldo de carne. Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

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Quarta-feira de Cinzas: jejum e abstinência obrigatórios.

Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: jejum e abstinência obrigatórios.

Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial (carne permitida só na refeição principal/completa) recomendados.

Dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas: jejum e abstinência recomendados.

Dias assinalados pelo calendário antigo como Quartas-feiras das Têmporas e Sábados das Têmporas: jejum e abstinência parcial recomendados.

Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas não o jejum. Essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência, conforme estabelecer a conferência episcopal (no Brasil, a CNBB estabeleceu qualquer outro tipo de penitência, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc).

Repostei este artigo porque muitos de nós (eu inclusive) temos dúvidas quanto aos exercícios espirituais exigidos pela Igreja neste período de quaresma. Ele esclarece bem isso. É o quarto mandamento da Igreja: ”abster-se de comer carne e observar o jejum nos dias estabelecidos pela Igreja”.

A caridade católica

“A suma intransigência católica é a suma caridade católica. É praticada em relação ao nosso próximo quando, para seu próprio bem, ele é ofendido, humilhado e castigado. É praticada em relação a um terceiro quando para defendê-lo da injusta agressão de outrem e protegê-lo do contágio do erro se desmascaram seus autores e fautores, mostrando-os como os iníquos e perversos que verdadeiramente são, expondo-os ao desprezo, horror e execração de todos. É praticada em relação a Deus quando, para Sua glória e a Seu serviço, torna-se necessário silenciar todas as considerações humanas, calcar sob os pés todo respeito humano, sacrificar todos os interesses humanos – e mesmo a própria vida – para obter o mais alto de todos os fins. Tudo isso é intransigência católica e catolicidade intransigente na prática desse puro amor que constitui a caridade suprema. Os santos são os tipos dessa indesviável e sublime fidelidade a Deus, são os heróis da caridade e da religião. Porque há tão poucos verdadeiramente inflexíveis no amor a Deus em nossos dias, há poucos compromissados na ordem da caridade. A caridade liberal é condescendente, carinhosa, até mesmo suave na aparência, mas no fundo é um desprezo essencial ao verdadeiro bem do homem, aos supremos interesses da verdade e por fim a Deus. É o amor do homem a si mesmo, usurpando o trono do Altíssimo e exigindo a adoração que pertence a Deus somente.”
(D. Félix Sardá y Salvany, El Liberalismo Es Pecado via Blog Spem in Alium [grifos meus])

Deus e a tragédia no Haiti

Como era de se esperar, a catástrofe da semana passada, ocorrida na centro-américa, seria objeto de debate entre ateus e crentes. Mesmo entre estes últimos, o ocorrido despertou a velha questão do castigo divino. Deus castiga ou não seus filhos? As desordens da natureza podem ser interpretadas como resultado da ira de Deus contra a humanidade?

Dando uma olhada na blogosfera católica, encontrei a repercussão do assunto. O blog do Carmadélio, por exemplo, nos posts Tragédia no Haiti. Ateus excitados e justificados. Será?  e Crer em Deus em tempos de Tragédia traz alguns argumentos contra o raciocínio ateísta de que as tragédias são a prova da inexistência de um ser divino, como o apresentado por um artigo publicado na Folha On-line (leia citação abaixo).

Grandes catástrofes naturais como a que se abateu sobre o Haiti constituem uma espécie de experimento teológico natural. Não é necessário PhD em filosofia para colocar-se a pergunta que não quer calar: se existe um Deus onisciente, onipotente e benevolente, como ele pôde produzir –ou pelo menos permitir– tanto sofrimento?

(…) É justamente para combater a ideia de que o acaso (e com ele a ausência de propósito) está no comando que, suspeito, criamos a noção de Deus. [1]

Também o blog de D. Henrique, bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju, traz uma bela reflexão:

Deus não age no mundo? Não poderia evitar o mal? Sim, Deus age no mundo. Mas, quem pode compreender a sua ação? Ele não é um ser entre os outros seres; não pode ser apreendido, sua ação não pode ser capturada pela nossa inteligência ou por métodos científicos… Ele está no mais íntimo e no mais além de tudo: está na flor que se abre, na vida que teima em voltar, na humilde gota de orvalho, na força do terremoto, na energia do tsunami… Sem ser nada disso, ultrapassa tudo isso, em tudo isso está presente. Não podemos compreendê-lo, penetrar o seu modo de orientar sua criação. A Escritura afirma isso, dizendo que Deus é Santo, isto é, Separado, Diferente de tudo quanto possamos imaginar. Diferente é Deus, Diferente e Incompreensível é sua ação! Por isso os judeus não pronunciam o Nome de Deus: Ele não pode ser enquadrado, dissecado, compreendido pela nossa lógica![2]

O blog do Júlio Severo (que salvo engano, não é católico e sim protestante) admite que o castigo de Deus tenha se abatido naquele país graças à religião praticada pelos haitianos. Sobre isso, é possível ler, por uma visão mais católica, dois posts publicados no Deus Lo Vult, do Jorge Ferraz (O Haiti e os castigos de Deus e Mais sobre os castigos temporais de Deus). O arremate é dado por um belíssimo artigo escrito por Carl Anderson, publicado no site da agência Zenit:

Os filósofos e teólogos continuarão a buscar explicações na tentativa de responder às nossas indagações sobre o sofrimento no mundo. Mas a melhor resposta, no entanto, vem daqueles cujo sofrimento vai além do que somos capazes de imaginar, e ainda assim, são capazes de viver a realidade de que Deus uniu-se a eles em seu sofrimento.[3]

O que se depreende de tudo isso? Que Deus é bom; que o problema do mal e do sofrimento já foram solucionados pela Cruz redentora de Cristo; que Deus tem sim o controle de todas as coisas em suas mão e que há mistérios que são insondáveis ao espírito humano. Nossa ciência é limitada demais perante as razões supremas de Deus.

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[1] Hélio Schwartsman, Deus e a terra 

[2] D. Henrique Soares, Deus e o sofrimento

[3] Carl Anderson, O aspecto espiritual do sofrimento no Haiti

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