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1 ano de blog!

blog locuta 1 ano

Hoje é dia de soprar as velinhas! A um ano atrás, o Locuta entrava na rede com a publicação de seu primeiro post. De lá para cá, foram outros 99, com cerca de 2600 visitas do Brasil e de outros países, 24 comentários, um selo ofertado pelo blog Dominus Vobiscum, do Cadú da CN, uma republicação no blog do Carmadélio, do Shalom, um perfil no Twitter e outro no Orkut.

Depois desse tempo todo, fica a sensação de que conseguimos sobreviver. A maioria dos blogs se encerra sem completar o primeiro ano. E realmente não é fácil, muitas vezes publicar é uma montanha-russa: ora estamos a todos vapor, com 3 ou 4 posts por semana; ora estamos como tartaruga e o blog demora a atualizar. É que no início há mesmo uma empolgação: ver quantos visitantes temos, mudar layout, publicar, escrever posts, compartilhar o que lemos por aí… Mas ao passar do tempo, isso cansa um pouco, e temos a consciência que evangelizar por este meio não é tão simples como parece.

Confesso que hoje o Locuta não é uma das minhas prioridades, como já foi. Quase foi abandonado. É sim,hoje, um serviço secundário, mas não menos importante.  Através dele conheci outros blogueiros, como o Cadú, do Dominus Vobiscum e o Wagner Moura, do O Possível e o Extraordinário, que me presentearam com suas ilustres visitas e comentários.

Se há o direito a um desejo, vá lá: que o meu modesto Locuta dure por mais um ano e outros 100 posts. Afinal, um aniversário não serve pra gente renovar as forças e seguir em frente, como um novo recomeço?

O presidente precisa ser crente?

Em tempos de eleição, sempre somos confrontados com a nossa crença religiosa e os valores morais e aqueles apresentados pelos candidatos. Alguns deles fazem questão de dizerem que são desta ou daquela denominação, deste ou daquele movimento, enquanto outros são mais genéricos. Mas nunca vi ninguém dizer, categoricamente, que era ateu.

E foi pra contribuir com a escolha do voto, com consciência de quem pensa o que sobre aborto, homossexualismo, símbolos religiosos em repartições públicas e outros temas candentes que estão diretamente relacionados e, não raro, com opiniões bem diversa da doutrina católica, que 2 das mais importantes TVs católicas brasileiras realizaram um debate entre os principais presidenciáveis. Abaixo, há um resumo do aconteceu no evento.

Por Roldão Arruda- Estado de São Paulo via Blog do Carmadélio

Os candidatos Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e José Serra (PSDB), protagonizaram uma boa aula de cidadania e espírito republicano na segunda-feira, durante o encontro promovido e transmitido ao vivo pelas emissoras católicas Canção Nova e Rede Aparecida. Em diversos momentos eles mostraram que às vezes é preferível perder votos a abdicar de princípios para agradar a plateia.

O encontro se destinou sobretudo a verificar se o pensamento dos candidatos estava calibrado ou não com o pensamento dos organizadores do evento. Isso ficou perceptível a partir da forma como eram feitas as perguntas, quase sempre precedidas de considerações destinadas a deixar claro o ponto de vista da Igreja Católica sobre o assunto.

No pontapé inicial, o apresentador, um padre, perguntou aos três se o presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus. Quem se saiu melhor foi Marina Silva, que já foi católica e hoje faz parte do grupo evangélico Assembleia de Deus. Disse, de maneira ousada para o local, que a crença pode representar um ponto a mais para o futuro presidente, mas não é imprescindível, porque ateus também podem ser bons governantes.

A resposta completa dela foi: “Do ponto de vista do Estado laico, obviamente que não é preciso acreditar. Do ponto de vista dos valores que a fé cultiva no coração, no caráter, é, com certeza, uma delta a mais, altamente relevante. Todas as culturas têm em suas mentes e corações três valores comuns a todos os povos: o sentido da justiça, o sentido da liberdade e o desejo de amar e ser armado. Percebo isso como um dom de Deus. O bom é que Deus é tão generoso que mesmo aqueles que não acreditam em Deus podem ser agraciados com esse dom. Pessoas que não creem podem ser justas e éticas e também podem buscar a liberdade.”

O tucano Serra seguiu na mesma direção, embora de maneira muito mais tímida. Batizado na Igreja Católica, disse que seria bom se o presidente acreditasse em Deus. Plínio, católico de quatro costados, muito à vontade no ambiente, pulou a resposta, preferindo usar o tempo para protestar contra a ausência da petista Dilma Rousseff, acusando-a de fugir para não ter que expor seu pensamento sobre os assuntos ali tratados.

Plínio mostrou ousadia, no entanto, ao apoiar a proposta de retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, tremendamente criticada pela Igreja Católica, desde Roma. Eis o que ele disse: “Essa é uma república laica, com gente que acredita em Deus e gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir em ter símbolos religiosos em prédios públicos, porque os prédios públicos são de todos. Os devotos, nas cidades e no campo, devem colocar os símbolos em qualquer lugar, mas não nas repartições públicas, porque nelas o que deve valer mesmo é o princípio da igualdade de todos. Não considero que a Igreja do Cristo deva fazer muita força para segurar essa proposta. É um resquício de uma ideia de cristandade, de uma ideia de sociedade inteirinha dominada pelo cristianismo.”

Serra também mostrou fidelidade ao seu pensamento quando perguntado sobre ensino religioso nas escolas públicas – outra questão pela qual a Igreja Católica vem se batendo. Ele disse que o ensino religioso deve ser ministrado, como disciplina opcional, em escolas de propriedade das igrejas, mas não na rede pública. Lembrou que se fosse aberta a possibilidade de se contratar professores para ensinar cristianismo, outras vertentes religiosas entrariam na Justiça, exigindo o mesmo direito. “Haveria uma inflação de ensino religioso, o que o tornaria impraticável.”

Plínio e Marina apoiaram o ensino religioso na rede pública como disciplina opcional, ou seja, que não reprova o aluno. Para Marina, o Estado brasileiro “é laico, mas não ateu”.

A candidata do PV, como era de esperar, foi confrontada com a questão do aborto. Como é que uma pessoa que defende com a veemência a vida das plantas, não se mostra tão segura na defesa da vida humana, chegando a propor um plebiscito sobre o assunto? – quis saber o jornalista da Canção Nova que fez a pergunta. A representante dos verdes respondeu o de sempre: embora seja contrária ao aborto, do ponto de vista da sua fé, acha que o Brasil ainda precisa debater mais o assunto. Daí a ideia de plebiscito.

Sobre o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, o candidato do PSOL deu uma no cravo e outra na ferradura. De um lado disse, en passant, que considera a homossexualidade um pecado. Ficou com o papa. De outro, porém, apoiou o projeto, porque entende que ninguém deve ser discriminado, perseguido ou humilhado por causa de sua “opção sexual”.

Serra também titubeou um pouco ao falar sobre a questão dos programas de prevenção da Aids, sempre criticados pela Igreja, que gostaria que a prevenção fosse feita à base da abstinência sexual e da fidelidade no casamento. O tucano defendeu os programas de prevenção, baseados na distribuição de preservativos, mas também disse que não vê problema em incentivar a abstinência e monogamia, como fez o presidente americano George W. Bush em seu governo, se isso ajudar a reduzir a incidência da doença.

Não foi fácil para ninguém. Mas foi um bom exercício democrático, no qual os candidatos tiveram que se confrontar com um grupo de posições baseadas em dogmas da fé, analisar o caráter do Estado brasileiro, e, no fundo, tentar equilibrar temas de fé com direitos civis – uma questão muito nova no Brasil, do ponto de vista histórico. A candidata Dilma perdeu uma excelente oportunidade de se exercitar.

O ostensório com o Santíssimo pode ser tocado pelos fiéis?

Fiéis tocam o ostensório

Essa é uma pergunta que sempre me faço ao observar, muitas vezes, a passagem do ostensório com o Santíssimo Corpo de Cristo e a correria das pessoas na tentativa de tocá-lo. E às vezes de maneira irreverente. Não seria muito mais apropriado (e litúrgico, creio) fazer a genuflexão? Ficar em silêncio e adorá-lo discretamente?

Ontem, por exemplo, foi um desses dias. No momento do traslado da Eucaristia que tinha sido conduzida na procissão de Corpus Christi para o sacrário, lá estavam os fiéis deixando as impressões digitais na custódia. E se ajoelhar, ninguém!!  É realmente lamentável que os católicos em geral não tenham (e nem recebam) a “educação” litúrgica adequada. E o pior é constatar que esse hábito é generalizado pelas paróquias do país.

Adoração ao Santíssimo Sacramento

Quanto à pergunta, fazendo uma pesquisa rápida, descobri que o sacerdote só deve tocar no ostensório (ou na âmbula com as reservas eucarísticas expostas para adoração) com um paramento específico, o véu umeral, como é o caso do padre da foto ao lado. Se para o sacerdote é assim… Não precisa dizer mais nada.

 

 

De volta!

Não, o blog não encerrou as suas atividades. Esse tempo de silêncio (que coincide com o tempo quaresmal, e não foi de propósito!) é devido à falta de tempo (minhas atividades hoje me obrigam a tirar o blog da prioridade) e também à instabilidade da plataforma do gente de fé, onde está hospedado.

Para o Locuta esta quaresma foi tempo de cultivar a virtude da paciência. Mais de um mês sem publicações e quando tentava acessar o blog… nada.

Mas estamos de volta! Esta é uma boa notícia. E justo no período Pascal. Deo Gratias!

A tragédia no Haiti

Todo mundo já sabe o que aconteceu no Haiti, na última terça-feira. Um terremoto violento destruiu (num país já devastado pela pobreza) parte da capital e ceifou milhares de vidas (segundo informações do núncio apostólico no Haiti, seminaristas e padres foram mortos e uma agência de notícias afirma que o arcebispo local também teria morrido) dentre elas a de 14 (confirmadas por enquanto) brasileiros. Já sabe também da dor da Igreja brasileira pela perda de D. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança (o Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, escreveu um ótimo comentário sobre ela).

Muito já se disse sobre esta tragédia. Desde as explicações técnicas até as supostas causas sobrenaturais (um tanto extravagantes, para dizer o mínimo): foi graças a um “pacto com o diabo”, como disse um pastor americano, feito pelos haitianos ou que foi por causa da religião praticada no país, segundo o cônsul do Haiti no Brasil.  

As iniciativas de paróquias e dioceses que tentam arrecadar fundos para serem enviados aos atingidos pela catástrofe espalham-se por aqui. É um pouco do que podemos fazer por aquele povo tão sofrido. (Update: Igreja Católica no Brasil lança campanha SOS Haiti)

Não acrescentarei nada mais. Apenas as minhas orações pelos vivos, que padecem pela falta de víveres, pelos feridos, que lotam os hospitais a esperar por alívio e pelos mortos, que sejam acolhidos pelos braços de Nosso Senhor, na eternidade. Que a Consoladora dos Aflitos interceda pelos seus filhos haitianos.

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P.S.: Sobre catástrofes naturais e a vontade divina, o Márcio Campos publicou um interessante post em seu blog.

A Cabana (ou análise sobre um barraco espiritual) Final

Pronto. Chegamos ao fim. Publiquei aqui sem retoques o que encontrei no Blog do Carmadélio. Você pode não concordar com o que foi escrito e aí está o espaço para os comentários. Por favor, se você já leu o livro, dê a sua opinião e não se prenda apenas ao que foi dito aqui.

Eu li o livro. Pareceu-me estranha a idéia da Trindade. É ou não é exagerada a tentativa do autor em humanizar a figura de Deus?  Será que Deus deixou de ser Deus? Não é que a identificação de Deus com a humanidade seja ruim. A grande novidade do Cristianismo, aliás, é a Encarnação de Deus, tornando-se em tudo igual a nós. A sua Kênosis, como diz São Paulo em Filipenses. Mas isso obviamente não quer dizer que Deus tenha abdicado de sua natureza. Acho que esta é uma das maiores falhas do livro. Um Deus “humano demais”, à nossa imagem e semelhança, não passa de um ídolo criado para se adequar a mentalidade de hoje. Já coloquei aqui um post com esse assunto.

A relação entre as Pessoas da Trindade também é confusa. Há indícios de duas heresias já combatidas pela Igreja: o patripacionismo (a idéia que o Pai também sofreu em Si a paixão de Jesus) e o subordinacionismo (idéia de que o Filho está subordinado ao Pai a ponto de ser negada a sua divindade). Há mais pontos, mas penso que os três posts já foram suficientes.

Portanto se tiver oportunidade leia o livro e tire suas próprias conclusões.

A Cabana (Ou análise sobre um barraco espiritual) I

Eu li alguns post muito interessantes sobre o livro best-seller A Cabana, num blog católico e resolvi republicá-los aqui. Trata-se de uma análise de um dos maiores fenômenos editoriais deste ano sob um ponto de vista católico. É recomendável que um católico leia este tipo de literatura? Será que este livro é verdadeiramente cristão (o próprio autor já disse que não)?  Há algo nas suas entrelinhas que contradiga a doutrina católica? Estas e outras perguntas espero sejam respondidas com os posts. Vamos a eles.

Já ouviu falar do Livro “A Cabana”?

Pois é, recebi uma análise bem interessante do livro de alguém que leu e percebeu muita coisa contraria à fé católica. Como esse livro tem sido muito comentado e muita gente boa tem lido,estamos publicando a análise para nos ajudar a:

- Perceber nas entrelinhas do livro,ou em outros que venhamos a ler,a ideologia de esvaziamento de pontos essenciais de nossa fé católica;

- Ajudar-nos a perceber nossa atitude diante daquilo que lemos, principalmente em obras de cunho religioso ou “auto ajuda”, que adentram na dimensão espiritual/espiritualista que interessam a nós católicos;

- Ajudar-nos a despertar o senso critico – não neurótico, mas atento – para filtrar à luz de nossa fé aquilo que vale a pena ler ou não. A oferta hoje é tamanha que exige de nós critérios para não perder tempo,nem dinheiro, com aquilo que nada acrescenta de consistente à nossa fé ou a nossa vida;

Ás vezes impressiona a Incapacidade que muitos tem de não perceber, dentro daquilo que estão lendo, onde tem verdade ou não.Alguns não conseguem ver nada errado onde qualquer olhar mais atento percebe tudo!

Estará em cor o diálogo de análise e questionamento com algumas colocações feitas no livro.

A proposta não é analisar todo o livro mas apenas algumas partes na esperança que possa despertar naqueles que ainda vão ler,se tiverem “estômago”, uma nova percepção e naqueles que já leram uma confirmação daquilo que provavelmente haviam percebido.

Desnecessário se faz dizer que a análise foi feita a partir da fé católica, o que poderá tornar algumas colocações não muito claras para quem não está razoavelmente por dentro da doutrina básica de nossa fé.

De qualquer forma ,é bem interessante..

Pelo tamanho,iremos postar aos poucos..

***

“A cabana”- análise do livro sob ótica católica.

  1. O livro é muito bem escrito e atraente no seu enredo simples, no assunto e no estilo. A linguagem, porém, com algumas citações bíblicas feitas de formas indiretas, traz uma profusão de sofismas capaz de iludir o leitor menos atento. (lembro que a “metodologia” do sofisma, muito utilizado na filosofia grega antiga, consiste em tomar uma verdade ou duas verdades e combiná-la com uma ou mais inverdade de formas que tudo pareça verdadeiro ou que tudo pareça falso, de acordo com o objetivo de quem sofisma). O livro traz em seu próprio enredo incoerências entre a trama e o que é dito pelas “pessoas” da “trindade”.
  2. a editora do mesmo (e isso é muito importante ao comprar ou ler um livro dedica-se a livros de auto-ajuda ou assuntos não comprovados nem pelo próprio livro nem pela ciência, teologia e, por vezes, o bom-senso). É bastante ler a lista dos seus “clássicos”, na ultima página do livro. A exceção é O Monge e o Executivo.

O livro conta a história de um homem que, em um acampamento nas montanhas com os filhos tem sua caçula seqüestrada e morta enquanto está sob a água, tentando salvar um outro filho, que se afogava sob um bote. Após quatro anos de tristeza e desilusão, recebe uma carta de Deus, que se apresenta como Papai convidando-o a voltar à cabana onde o crime contra sua filha havia sido cometido. Relutante, aceitou.

Até aqui, nada anormal. A ficção, afinal, dá direito a todo tipo de imaginação. O inadequado começa quando este homem, Mack, encontra a “trindade” na cabana. Naturalmente, como autor, Young goza o direito de utilizar sua imaginação, sua bela linguagem, suas descrições do Pai como uma senhora negra que cozinha, o Filho como um judeu cujo nariz enorme o deixa feio e o Espírito como uma moça asiática feita de luz.

Ele tem o direito, sim, de imaginar a trindade como um autor leigo ignorante da boa teologia e eclesiologia e influenciado pela Nova Era, pelo Espiritismo e pelo Relativismo. Nós é que temos o dever de distinguir o que é bom do que não é. A narrativa é tão envolvente, que os deslizes de Young quanto à fé, a eclesiologia e a moral podem passar desapercebidos para a pessoa mais bem formada. Vejamos alguns:

I. O PAI

  1. O Papai é apresentado como uma mulher (Young parece decidido a quebrar todos os paradigmas) e chamado de papai durante todo o livro, tanto pelo Filho e pelo Espírito, quanto por Mack. Sabemos que João Paulo II afirma que Deus é Pai e Mãe quanto ao cuidado, ao coração misericordioso, as entranhas de misericórdia, tão típicas de uma mãe. Entretanto, o Deus que Jesus nos veio revelar é o Deus que é Pai, ainda que afirme em Mt 5 que Ele tem entranhas de mãe. A justificativa do “pai” para apresentar-se como mulher é o fato de Mack ter rejeição ao seu pai biológico (p. 83). Esta mulher, entretanto, não é mãe, mas pai. Seus afazeres são, segundo ela mesma, de cozinheira e governanta. Este pai mulher traz as cicatrizes de Jesus, como se o Pai não fosse puro espírito, mas tivesse um corpo de homem, isso é, de mulher.
  2. Em um esforço de fazer “deus mais perto de nós”, o autor acaba por esbarrar no grotesco. Além da descrição do Pai como uma enorme negra que se auto-intitula governanta-cozinheira e traz cicatrizes no corpo (???), destacam-se algumas situações especiais. Perguntado por Mack sobre que música estava ouvindo, respondeu:

” Um barato da Costa Oeste. É um disco que ainda nem foi lançado, chamado Viagens do Coração, tocado por uma banda chamada Diatribe . Na verdade – ela piscou para Mack – esses garotos ainda nem nasceram.

- É mesmo, reagiu Mack bastante incrédulo. – Um barato da Costa Oeste, hein? Não parece muito religioso.

- Ah, acredite: não é. É mais tipo funk e blues eurasiano com uma mensagem fantástica. – Ela veio bamboleando na direção de Mack, como se estivesse dançando, e bateu palmas. Mack recuou. (!!!)

- Então Deus ouve funk?

- Ora, veja bem, Mackenzie. Você não precisa ficar me rotulando. Eu ouço tudo e não somente a musica propriamente dita, mas os corações que estão por trás delas.”(p. 81) ( os rótulos são especialmente detestados na nova era e no relativismo)

  1. O “pai” dá uma explicação completamente esdrúxula para ter-se revelado como pai e não como mãe:

“…assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta do que a maternidade. Não me entenda mal, as duas coisas são necessárias, mas é essencial uma ênfase na paternidade por causa da enormidade das conseqüências da função paterna”(p. 84). Creio que tal absurdo dispensa comentários. O autor não leva em conta o que a Bíblia e a Igreja dizem da missão do homem, do pai, da mulher e do homem na criação, na família, na sociedade. Aliás, esta é uma das características do livro. Não lhe importa o que diz a Palavra ou a Igreja e esta, como todas as instituições, são desprezíveis aos olhos da “trindade”, que orienta Mack a desprezá-las.

  1. Ao definir o que Ele é, desautoriza o que os homens pensam e definem dele (embora não cite diretamente a Igreja e os teólogos, fica implícito pelas palavras que usa). No final, felizmente diz que é “acima e além de tudo o que você possa perguntar ou pensar.”(p. 88)
  2. Na página 89, o pai faz uma afirmação capaz de fazer tremer os céus: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue. Seria como se este pássaro, cuja natureza é voar, optasse somente por andar e permanecer no chão. Ele não deixa de ser pássaro, mas isso altera significativamente sua experiência de vida.” E continua a confusão teológica sobre 3 Pessoas em um só Deus dizendo: “Ainda que por natureza Jesus seja totalmente Deus, ele é totalmente humano e vive como tal (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta, momento a momento, por ficar no chão. Por isso (!!!!!!) seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata.” De uma tacada só, além de destruir o dogma da Santíssima Trindade, (somente o Filho se faz homem e, embora as outras duas pessoas estejam com ele e nele, não se pode dizer que os três se fizeram homem) atinge a união hipostática e a profecia de Isaías. A impressão que dá é que o autor “ouviu o galo cantar, mas não sabe onde”. Por mais que se queira justificar tais afirmações com o fato da intenção do autor não ser teológica, ele insiste, como outros autores de livros metade cristãos-metade autoajuda, em colocar o Evangelho, a Palavra e a Igreja a serviço de sua idéia e objetivo e não o contrário.
  3. Depois, infelizmente, vem algo ainda pior, que fazemos questão de transcrever:

“- Mas, e todos os milagres? As curas? Ressuscitar os mortos? Isso não prova que Jesus era Deus… você sabe, mais que humano?

- Não, isso prova que Jesus é realmente humano.

- O que?

- Mackenzie, eu posso voar, mas os humanos, não. Jesus é totalmente humano. Apesar de ele ser também totalmente Deus, nunca aproveitou sua natureza divina para fazer nada. Apenas viver seu relacionamento comigo do modo como eu desejo que cada ser humano viva. Ele foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias: o primeiro a colocar minha vida dentro dele (??) o primeiro a acreditar (??) no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências nem conseqüências. (Tal comentário, além de dizer que Jesus precisava da virtude TEOLOGAL da fé, deixa de fora todos os profetas, todos os patriarcas, João Batista, José e Maria. Desclassifica tudo o que Jesus fez, não somente os milagres, mas o milagre maior do amor de total entrega na Cruz e na Eucaristia).

- E quando curava os cegos?

- Fez isso como um ser humano dependente e limitado que confia na minha vida e no meu poder de trabalhar com ele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder para curar ninguém.” (p. 90). Este é mais um golpe inacreditável na união hipostática, mas consegue piorar no parágrafo seguinte:

“- Só quando ele repousava em seu relacionamento comigo e em nossa comunhão, nossa comum-união, ele se tornava capaz de expressar meu coração e minha vontade em qualquer circunstância determinada. Assim, quando você olha para Jesus e parece que ele está voando, na verdade ele está… voando. Mas o que você realmente esta vendo sou eu, minha vida nele. É assim que ele vive e age como um verdadeiro ser humano, como cada humano está destinado a viver: a partir de minha vida“(p. 90). Este é um dos sofismas mais disfarçados e sutis do livro, o que torna a afirmação aparentemente verdadeira para os mais distraídos, mas totalmente absurda para alguém mais atento: uma verdade – cada ser humano é chamado (não destinado!) e várias inverdades, a partir da primeira linha (então quer dizer que Jesus ora “repousava em seu relacionamento com Deus e Sua vontade, ora não??? Este raciocínio mentiroso é coroado com uma ultima inverdade: Jesus vive e age como verdadeiro ser humano. NÃO É ISSO o que Jesus quis dizer quando afirma que faz o que vê o Pai fazer, que aprendeu tudo do Pai, que Ele e o Pai são um! Jesus É totalmente homem e totalmente Deus e é um com o Pai, gerado, não criado, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus Verdadeiro.

Em um dado momento, o mesmo Pai, que nos pede para não chamar o irmão de “Racca”, sob pena do fogo do inferno (Mt 5), diz:

“- Homens! algumas vezes são tão idiotas!”

Ele não podia acreditar.

_ Ouvi Deus me chamar de idiota? – gritou pela porta de tela.

Viu-a (”ela” é Deus) dar de ombros antes de desaparecer na virada do corredor. Depois ela (o “pai”) gritou em sua direção:

- Se a carapuça serve, querido. Sim, senhor, se a carapuça serve…”

CONTINUA, próximos posts…………………………………………..

Curtas

Modelo “católica” (sic) profana crucifixo. A modelo polonesa Joanna Krupa, capa da revista Playboy – e que se autoproclama católica realizou duas campanhas publicitárias para a PETA, que promove o “respeito” aos animais. Nesses ensaios, a modelo oculta partes do corpo nu com um crucifixo e aparece com um terço nas mãos, enquanto segura um cachorro. Houve criticas por parte de algumas organizações católicas. O presidente da Liga Católica, Bill Donohue, esclareceu que "gatos e cães estão mais a salvo em lojas de mascotes que nas mãos dos empregados da PETA. As lojas de mascotes não destroem a iconografia cristã nem se envolvem em reclamações irreligiosas baratas". Todo mundo se lembra aqui no Brasil quando uma atriz famosa iria sair numa destas revistas masculinas com um terço nas mãos…

Fonte: ACI Digital

Será lançado filme sobre a vida de Mendel, o monge que primeiro descreveu as leis da genética. O filme The Gardener of God (O jardineiro de Deus), sobre a vida e os experimentos do Pe. Gregor Mendel (1822-1884), foi apresentado no dia 3 de dezembro no Ateneu Regina Apostolorum de Roma. Na produção de Condor Pictures, dirigida e escrita por Liana Marabini, Mendel é interpretado por Christopher Lambert, o famoso ator de origem francesa, enquanto no elenco se destacam também as atrizes Maria Pia Ruspoli e Anja Kruse. Aparentemente o filme pretende mostrar através do monge a compatibilidade entre ciência e fé, seu amor à Igreja e sua espiritualidade, bem como sua curiosidade, típica dos cientistas.

Fonte: Zenit

Cardeal diz que gays não entrarão no Reino dos Céus. Essa eu vi no blog do Jorge Ferraz. Ele comentou por lá uma notícia que foi veiculada na imprensa secular (ao que parece fora de contexto) sobre as palavras do Cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, Presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde de que os homossexuais não entrariam no reino dos céus. Hoje, saiu no ACI digital que o Cardeal esclareceu as sua palavras, afirmando que apenas citou São Paulo:

"Isto é o que diz a palavra de Deus, não é o que eu disse, pois bem, que um homossexual em especial não se possa salvar, é algo que eu nunca afirmei, porque (este) pode se salvar, pois muitas vezes a pessoa não é homossexual por própria culpa, tudo depende da educação e do ambiente".

Fonte: Deus Lo Vult e ACI Digital

Os 10 + da década

O blogueiro Wagner Moura lançou a brincadeira ( que já se tornou séria) e eu também tô nessa. Quais são os dez mais da internet católica no Brasil? O concurso (será que já posso chamar assim?) tem dez categorias (entre site, blog, twitter, comunidade no orkut e por aí vai…) que pretende premiar por indicação popular os melhores dessa década que está findando. Mais informações e para votação vá ao blog do Wagner (diasimdiatambem.wordpress.com/) ou acesse no twitter: http://www.twitter.com/decadacatolica

Eis aqui minha lista:

1. Blog – professor Felipe Aquino, por já ser referência no catolicismo atual. Há vários outros que poderia indicar, mas o escolhi pela experiência.

2. Site – Veritatis Splendor. Contando com vários colaboradores, é sem dúvida o melhor sítio apologético da internet brasileira.

3. Debate –  tradicionalismo x modernismo

4. Twitter – Não uso.

5. Comunidade do Orkut – Católicos, do Márcio Campos.

6. Livro –  Jesus de Nazaré, de Bento XVI.

7. Padre – Como o D. Estevão Bittencourt é hors concours e o Pe. Paulo Ricardo será o padre da próxima década, eu fico com o Pe. Léo.

8. Religiosa – Irmã Kelly Patrícia. Ela consegue unir a já maravilhosa escrita dos Santos místicos com sua bela voz e melodias sublimes, em suas músicas.

9. Fato – a morte de João Paulo II e a eleição de Bento XVI.

10. Feito – Vou concordar com a lista do Wagner: a conscientização dos católicos quanto à causa pró-vida.

de 1 a 5

Homem acorda depois de 23 anos em “coma”.  Isso aconteceu na Bélgica (por lá a prática da Eutanásia é permitida). Depois deter sofrido um acidente de carro anos atrás, o homem foi internado na UTI. Ele não estava verdadeiramente em coma, mas foi vítima, ao que tudo indica, de erro médico. Estava consciente todo esse tempo. Testes mais acurados, realizados por outra equipe médica verificaram o fato. Se a família tivesse mandado desligar os aparelhos… É por isso que a Igreja defende a vida “desde a fecundação até seu fim natural”. Nada de decretar a morte de alguém antes do tempo. Fonte: Jornal Hoje.

L’Osservatore Romano faz ressalvas ao filme “Lua Nova”, nova febre entre jovens. O jornal oficioso do Vaticano afirma que o filme "já gerou comentários de muitos (críticos profissionais e não profissionais, bloggers e outros) e a repetição até o cansaço do já foi dito e ouvido sobre o primeiro episódio: se trataria de pura propaganda moralmente perigosa, de um ‘elogio à repressão sexual em si mesma’, de uma espécie de anúncio cristão camuflado como best seller juvenil". É que nota-se nas entrelinhas da história uma certa apologia à abstinência sexual, mas que nem de longe, para o jornal, é sinal de propaganda da castidade. Misticismo, amor impossível e o tema do sexo (nesse caso a ausência dele) nunca saem de moda, e essa é a mistura, a meu ver, que faz a saga ter sucesso. Fonte: ACI Digital

Mais 2012. Já postei aqui uma palavrinha sobre o filme. Embora seja obra de ficção, parece que tem gente acreditando piamente nas tais profecias propaladas pela película. O arcebispo de Guadalajara, no México, diz que “ninguém sabe a data do fim do mundo” e que "A Igreja esteve constantemente dizendo o que assinala o Evangelho, … que antes do fim todos os povos abraçarão a fé, ainda faltam muitos para que isso ocorra". Uma notícia anterior dava conta do mesmo fato, afirmando que um perito mexicano pedia a população que não acreditasse nesses oráculos.  E essa semana mesmo os Evangelhos da Liturgia falam do Dia do Juízo… Fonte: Idem

Secretário da Congregação para o clero, Dom Piacenza, afirmou que “para a evangelização, não servem os sacerdotes showman que vão à televisão”. O prelado disse mais: “o sacerdote não deve improvisar quando utiliza os meios de comunicação, nem deve comunicar a si mesmo, mas os dois mil anos de comunhão na fé”. E é verdade. A desculpa da Evangelização tem servido para muitos subirem na carreira de artista, deixando em segundo plano a Palavra de Deus e a Fé da Igreja, quando deveria ser o contrário. Fonte: Zenit

Nota: pe. Joãozinho publicou a matéria de Zenit no blog dele. E deu o que falar.

Missas-Discoteca? É isso aí. Missa. Discoteca. Tudo a ver. Nada, tudo errado. Explico: na Áustria, o bispo auxiliar local celebra uma missa bem diferente daquela do Missal. É uma missa (pelo que pude perceber) dentro de uma balada. Fazer-se entender pelos jovens (aparentemente é esse o objetivo dessas missas) não é falar uma língua completamente estranha à fé e a tradição da Igreja. Isso não é adaptação, é traição mesmo. Fonte: Frates in Unum.

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