Posts tagged: Catequese

A responsabilidade do cristão na vida pública

Padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia

Naquele tempo, os fariseus (…) lhe enviaram seus discípulos a dizer-lhe: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus com franqueza e que não dás preferência a ninguém, porque não olhas a condição das pessoas. Diga-nos, pois, o que lhe parece, é lícito pagar o tributo a César ou não?». Mas Jesus, conhecendo sua malícia, disse: «Hipócritas, por que me tentais? Mostrai-me a moeda do imposto». Eles lhe apresentaram um denário. E lhes disse: «De quem é esta imagem e a inscrição?». Disseram-lhe: «De César». Então lhes disse: «Pois dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus».
A Deus o que é de Deus
(…), o Evangelho termina com uma frase lapidária de Jesus: «Dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus». Não: ou César ou Deus, mas: a um e a outro, cada um em seu plano. É o começo da separação entre religião e política, até então inseparáveis em todos os povos e regimes. Os judeus estavam acostumados a conceber o futuro reino de Deus instaurado pelo Messias como uma teocracia, ou seja, como um governo direto de Deus na terra através de seu povo.
Ao contrário, Cristo revela um reino de Deus que está neste mundo, mas não é deste mundo, que caminha em uma longitude de onda diferente e que pode por isso coexistir com qualquer regime, seja este de tipo sacro ou «leigo».
Revelam-se assim dois tipos diferentes de soberania de Deus no mundo: a soberania espiritual que constitui o reino de Deus e que Ele exercita diretamente em Cristo, e a soberania temporal ou política que Deus exercita indiretamente, confiando-a à livre eleição das pessoas e ao jogo das causas segundas. César e Deus não estão contudo situados no mesmo plano, porque também César depende de Deus e deve dar contas a Ele. «Dê a César o que é de César» significa, portanto: «Daí a Cear o que Deus mesmo quer que seja dado a César». É Deus o soberano último de todos. Nós não estamos divididos entre duas pertenças, não estamos obrigados a servir a «dois senhores».
O cristão está livre para obedecer ao Estado, mas também para resistir-lhe quando o Estado se põe contra Deus e sua lei. Não vale invocar o princípio da ordem recebida dos superiores, como estão habituados a fazer ante o tribunal os responsáveis por crimes de guerra. Antes que aos homens, há que obedecer a Deus e à própria consciência. Não se pode dar a César a alma, que é de Deus. O primeiro a tirar as conclusões práticas deste ensinamento foi São Paulo. Ele escreve: «Submetam-se todos às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não provenha de Deus. De modo que, quem se opõe à autoridade, rebela-se contra a ordem divina… por isso, precisamente pagais os impostos, porque são funcionários de Deus os ocupados assiduamente nesse ofício» (Rm 13, 1ss). Pagar legalmente os impostos para um cristão (e para toda pessoa honesta) é um dever de justiça, uma obrigação de consciência. Garantindo a ordem, o comércio e todos os serviços, o Estado dá ao cidadão algo pelo qual tem direito a uma contrapartida, precisamente para poder seguir dando tais serviços.
A evasão fiscal, quando chega a certas proporções –recorda-nos o Catecismo da Igreja Católica–, é um pecado mortal. É um roubo feito não ao «Estado», ou seja, a ninguém, mas à comunidade, isto é, a todos. Isso supõe naturalmente que também o Estado seja justo e eqüitativo ao impor seus tributos.
A colaboração dos cristãos na construção de uma sociedade justa e pacífica não se esgota em pagar os impostos, deve-se estender também à promoção dos valores comuns, como a família, a defesa da vida, a solidariedade com os mais pobres, a paz. Outro âmbito no qual os cristãos deverão oferecer uma contribuição mais incisiva é a política: não tanto os conteúdos quanto os métodos, o estilo. Há que desmantelar o clima de perpétuo litígio, voltar a levar às relações entre os partidos mais respeito e dignidade.
Respeito ao próximo, suavidade, capacidade de autocrítica são marcas que um discípulo de Cristo deve levar a todas as coisas, também à política. É indigno de um cristão abandonar-se a insultos, sarcasmo, descender a rinhas com o adversário. Se, como diz Jesus, quem diz ao irmão «estúpido!» já é réu (cf. Mt 5, 22. Ndr), o que será de muitos políticos?

Comentário ao Evangelho do dia 16.10.2005, Originalmete publicado por «Famiglia Cristiana». Traduzido por Zenit

O ostensório com o Santíssimo pode ser tocado pelos fiéis?

Fiéis tocam o ostensório

Essa é uma pergunta que sempre me faço ao observar, muitas vezes, a passagem do ostensório com o Santíssimo Corpo de Cristo e a correria das pessoas na tentativa de tocá-lo. E às vezes de maneira irreverente. Não seria muito mais apropriado (e litúrgico, creio) fazer a genuflexão? Ficar em silêncio e adorá-lo discretamente?

Ontem, por exemplo, foi um desses dias. No momento do traslado da Eucaristia que tinha sido conduzida na procissão de Corpus Christi para o sacrário, lá estavam os fiéis deixando as impressões digitais na custódia. E se ajoelhar, ninguém!!  É realmente lamentável que os católicos em geral não tenham (e nem recebam) a “educação” litúrgica adequada. E o pior é constatar que esse hábito é generalizado pelas paróquias do país.

Adoração ao Santíssimo Sacramento

Quanto à pergunta, fazendo uma pesquisa rápida, descobri que o sacerdote só deve tocar no ostensório (ou na âmbula com as reservas eucarísticas expostas para adoração) com um paramento específico, o véu umeral, como é o caso do padre da foto ao lado. Se para o sacerdote é assim… Não precisa dizer mais nada.

 

 

Oração de desagravo do Anjo de Portugal

Hoje a Igreja do mundo inteiro celebrou o Corpus Christi. O dia de fazer memória da presença real de Cristo na Eucaristia, que não quis partir para o Pai sem permanecer conosco. É dia portantod e adorar a Jesus sacramentado e também de fazer memória das (infelizmente) inumeras ocasiões de ofensas a este tão grande Sacramento. Há uma oração belíssima que o anjo das aparições de Fátima ensinou as três pastorinhos, pedindo perdão à Santíssima Trindade justamente pelos agravos ao Corpo e Sangue do Senhor.

“Santíssima Trindade, Pai, Filhoe e Espírito Santo, eu Vos adoro profundamente e Vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido e pelos merecimentos infinitos de Seu Santíssimo Coração e pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.”

Que Deus nos dê almas adoradoras do Seu Santíssimo Corpo e Sangue para consolar o seu Coração muitas vezes machucado e ultrajado pelas mãos dos próprios cristãos.

Bispos Brasileiros contra a PNDH-3

Via En Garde!

Nós abaixo-assinados, impelidos por nosso dever pastoral como Bispos católicos, provenientes de várias regiões do País, reunidos em um encontro de atualização pastoral – prosseguindo a tradição profética da Igreja Católica no Brasil que, nos momentos mais significativos da história de nosso País, sempre se manifestou em favor da democracia, dos legítimos direitos humanos e do bem comum da sociedade, em continuidade com a Declaração da CNBB do dia 15 de Janeiro de 2010 e com a Nota da Comissão Episcopal de Pastoral para a Vida e a Família e em consonância com os pareceres emitidos por diversos segmentos da sociedade brasileira feridos pelo III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), assinado pelo Preside nte da República no dia 21 de dezembro de 2009 – nos vemos no dever de manifestar publicamente nossa rejeição a determinados pontos deste Programa.

             Diz a referida Declaração: “A CNBB reafirma sua posição muitas vezes manifestada em defesa da vida e da família e contrária à descriminalização (sic) do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos. Rejeita, também, a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, pois considera que tal medida intolerante, pretende ignorar nossas raízes históricas”.

            Não podemos aceitar que o legítimo direito humano, já reconhecido na Declaração de 1948, de liberdade religiosa em todos os níveis, inclusive o público, possa ser cerceado pela imposição ideológica que pretende reduzir a manifestação religiosa a um âmbito exclusivamente privado. Os símbolos religiosos expressam a alma do povo brasileiro e são manifestação das raízes históricas cristãs que ninguém tem o direito de cancelar.

             Há propostas que banalizam a vida, descaracterizam a instituição familiar do matrimônio, cerceiam a liberdade de expressão na imprensa, reduzem as garantias jurídicas da propriedade privada, limitam o exercício do poder judiciário, como ainda correm o perigo de reacender conflitos sociais já pacificados com a lei da anistia. Estas propostas constituem, portanto, ameaça à própria paz social.

            Fazemos nossas as palavras do Cardeal Dom Geraldo Majela Agnelo, Primaz do Brasil, referidas à proposta de descriminalização do aborto, mas extensivas aos demais aspectos negativos do programa. O PNDH 3 “pretende fazer passar como direito universal a vontade de uma minoria, já que a maioria da população brasileira manifestou explicitamente sua vontade contrária. Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por órgãos legítimos traz à tona métodos autoritários, dos quais com muito sacrifício nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80”.

             “Firmes na esperança, pacientes na tribulação, constantes na oração” (Rm 12, 12), confiamos a Deus, Senhor supremo da Vida e da História, os rumos de nossa Pátria brasileira.

Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2010.

+ Alano Maria Pena, Arcebispo de Niteroi, RJ

+ Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira

+ Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney, Campos, RJ

+ Benedito Gonçalves Santos, Bispo de Presidente Prudente, SP

+ Joaquim Carreira, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP

+ Juarez Silva, Bispo de Oeiras, PI

+ Manoel Pestana Filho, Bispo emérito de Anápolis, GO

+ José Moreira da Silva, Bispo de Januária, MG

+ Tarcísio Nascentes dos Santos, Bispo de Divinópolis, MG

+ Guiliano Frigenni, Bispo de Parintins, AM

+ Paulo Francisco Machado, Bispo de Uberlândia

+ Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo de Imperatriz, MA

+ Philipe Dickmans, Bispo de Miracema, TO

+ Edney Gouvêa Mattoso, Bispo eleito de Nova Friburgo, RJ

+ Carlos Alberto dos Santos, Bispo de Teixeira de Freitas – Caravelas, BA

+ Walter Michael Ebejer, Bispo emérito de União da Vitória, PR

+ José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas – Francisco Beltrão, PR

+ Franco Cuter, Bispo de Grajaú, MA

+ Karl Josef Romer, Secretário emérito do Pontifício Conselho para a Família

+ Roberto Lopes, Abade do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, RJ

+ Orani João Tempesta OCist., Arcebispo do Rio de Janeiro, RJ

+ Eugenio de Araujo Card. Sales, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro, RJ

+ João Carlos Petrini, Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia

+ Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu, RJ

+ Antônio Augusto Dias Duarte, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

+ Wilson Tadeu Jönck, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

+ Pedro Brito Guimarães, Bispo de São Raimundo Nonato, PI

+ Fernando Guimarães, Bispo de Garanhuns, PE

+ Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos, SP

+ José Moureira de Mello, Bispo de Itapeva, SP

+ José Francisco Rezende Dias, Bispo de Duque de Caxias, RJ

+ Laurindo Guizzardi, Bispo de Foz do Iguaçu, PR

+ Gornônio Alves da Encarnação Neto, Bispo de Itapetininga, SP

+ Carmo João Rhoden, Bispo de Taubaté, SP

+ Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, BA

+ João Bosco de Sousa, Bispo de União da Vitória, PR]

+ Osvino José Both, Arcebispo Militar do Brasil, BSB

+ Capistrano Francisco Heim, Bispo Prelado de Itaituba, PA

+ Aldo di Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba, PB

+ Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora, MG

+ Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos, SP

+ Diamantino Prata de Carvalho, Bispo de Campanha, MG

+ Caetano Ferrari, Bispo de Bauru, SP

+ Aléssio Saccardo, Bispo de Ponta de Pedras, PA

+ Heitor de Araújo Sales, Arcebispo emérito de Natal, RN

+ Matias Patrício de Macêdo, Arcebispo de Natal, RN

+ Geraldo Dantas de Andrade, Bispo auxiliar de São Luis do Maranhão, MA

+ Bonifácio Piccinini, Arcebispo emérito de Cuiabá, MT

+ Tarcísio Scamarussa, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP

+ Celso José Pinto da Silva, Arcebispo emérito de Teresina, PI

+ José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju, SE

+ Antônio Carlos Altieri, Bispo de Caraguatatuba, SP

+ Aloisio Hilário de Pinho, Bispo emérito de Jataí, GO

+ Guilherme Porto, Bispo de Sete Lagoas, MG

+ Adalberto Paulo da Silva, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE

+ Bruno Pedron, Bispo de Ji-Paraná, RO

+ Fernando Mason, Bispo de Piracicaba, SP

+ João Mamede Filho, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP

+ José Maria Pires, Arcebispo emérito de Paraíba, PB

+ Alfredo Schaffler, Bispo de Parnaíba, PI

+ João Messi, Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda, RJ

+  Friederich Heimler, Bispo de Cruz Alta, RS

+ Osvaldo Giuntini, Bispo de Marília, SP

+ Assis Lopes, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

+ Edson de Castro Homem, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

+Alessandro Ruffinoni, Bispo auxiliar de Porto Alegre, RS

+ Josafá Menezes da Silva, Bispo auxiliar de Salvador, BA

A caridade católica

“A suma intransigência católica é a suma caridade católica. É praticada em relação ao nosso próximo quando, para seu próprio bem, ele é ofendido, humilhado e castigado. É praticada em relação a um terceiro quando para defendê-lo da injusta agressão de outrem e protegê-lo do contágio do erro se desmascaram seus autores e fautores, mostrando-os como os iníquos e perversos que verdadeiramente são, expondo-os ao desprezo, horror e execração de todos. É praticada em relação a Deus quando, para Sua glória e a Seu serviço, torna-se necessário silenciar todas as considerações humanas, calcar sob os pés todo respeito humano, sacrificar todos os interesses humanos – e mesmo a própria vida – para obter o mais alto de todos os fins. Tudo isso é intransigência católica e catolicidade intransigente na prática desse puro amor que constitui a caridade suprema. Os santos são os tipos dessa indesviável e sublime fidelidade a Deus, são os heróis da caridade e da religião. Porque há tão poucos verdadeiramente inflexíveis no amor a Deus em nossos dias, há poucos compromissados na ordem da caridade. A caridade liberal é condescendente, carinhosa, até mesmo suave na aparência, mas no fundo é um desprezo essencial ao verdadeiro bem do homem, aos supremos interesses da verdade e por fim a Deus. É o amor do homem a si mesmo, usurpando o trono do Altíssimo e exigindo a adoração que pertence a Deus somente.”
(D. Félix Sardá y Salvany, El Liberalismo Es Pecado via Blog Spem in Alium [grifos meus])

Caravana pró-vida!

INCIO_~1

Enquanto o Governo Federal tenta, através do famigerado Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), empurrar goela abaixo (perdoem-me o clichê) a legalização do aborto, insinuando que tal prática é um “direito” feminino, um grupo de 33 jovens saem em excursão (que não é de férias) por várias cidades do país, com a missão de Promover “o Sagrado direito de Nascer”. Os jovens, de diversas partes do Brasil, se dividiram em três grupos: as caravanas São Miguel, São Rafael e São Rafael, batendo de porta em porta a população dos locais visitados, distribuindo diversos folhetos explicativos e divulgando o livro Catecismo Contra o Aborto, do Pe. David Francisquini. A epopéia começou dia oito de janeiro deste ano, e já percorreu cidades do interior de Minas Gerais e de Goiás. Para saber por onde a anda a garotada e para dar um força a esta brilhante iniciativa, visite o blog Nascer é um Direito. Lá tem o diário das Caravanas, a recepção do povo ao projeto, fotos e muito mais. Vale a pena clicar lá. Que Deus abençoe esta santa iniciativa!!!

____________

Veja aqui declaração da CNBB sobre o PNDH-3, do Governo Federal.  Confira um trecho:“A CNBB reafirma sua posição, muitas vezes manifestada, em defesa da vida e da família, e contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos. Rejeita, também, a criação de ‘mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União’, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas.”

O nosso batismo

sao-joao2-150x150

Hoje é dia de lembrarmos o nosso batismo. Talvez, pela nossa pouca idade quando fomos banhados pelo Espírito de Deus, este exercício não seja possível. Pelo menos, somos convidados a renovar, neste dia em que a liturgia celebra o Batismo de Nosso Senhor, as promessas que nossos pais e padrinhos fizeram em nosso nome, quais sejam, renunciar ao mal, ao pecado e ao Demônio, e crer com firme fé em tudo que a Santa Igreja nos propõe em seu Credo. Isso significa, concretamente, vivermos revestidos de Cristo, como homens novos, despidos das vestes de pecado. Significa como diz São Paulo a nossa morte e a nossa ressureição. “Pelo Batismo, fomos sepultados com Ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova.”[1] Feitos, assim, cristãos, tomando sobre nossas costas o doce fardo da doutrina de Cristo, tornamo-nos filhos de Deus, por adoção, pela efusão do Seu Espírito em nossa alma, assim como faz água em nossa fronte.

Também, pelo batismo, somos responsáveis pela ação evangelizadora da Igreja e tomamos parte da sua missão, a de levar o Evangelho a todos os povos, pessoas, culturas e credos. “(os batizados) são obrigados a professar diante dos homens a fé que pela igreja receberam de Deus (LG 11) e a participar da atividade apostólica e missionária do povo de Deus”[2]

Portanto, o Santo Batismo nos torna privilegiados. Recebemos o nome de Cristo, o Seu Espírito, a adoção de Deus, além de sermos purificados dos nossos pecados e males e capacitados, por seus dons, a vivermos em santidade. Mas também temos o dever de anunciar o mesmo Cristo, testemunhá-Lo publicamente, sermos missionários e evitarmos o mal.

[1] Rm 6, 4

[2] Catecismo da Igreja Católica, n. 1270

Mater Dei

 

SANCTA MARIA, MATER DEI, ORA PRO NOBIS PECATORIBUS, NUNC ET HORA MORTIS NOSTRAE. AMÉM.

“o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou, com toda a verdade, Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: «Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne”[¹]

“’Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…’. Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: “E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: “Faça-se em Mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: “Seja feita a vossa vontade”.[²]

[¹] Catecismo da Igreja Católica, § 466

[²] ibidem, § 2677

“O verdadeiro sentido do Natal – O que comemoramos nesta data?”

Por Diácono Carlos Adriano, Ep

Nas vésperas desta magna festa da Igreja – o Natal – que se aproxima cada vez mais, teceremos uma breve consideração teológica a respeito da comemoração da Natividade de Jesus.

Ao celebrarmos uma data, temos em vista homenagearmos alguém, ou trazermos à memória um acontecimento concreto. Infelizmente, a festividade solene do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo vem sendo celebrada por muitos, sem que se tenha presente o seu verdadeiro sentido. Com frequência, o aniversariante desta solenidade instituída pela Igreja, não é ao menos recordado nas diversas festas que se dão entre os dias 24 e 25 de dezembro, em todas as partes do mundo. Pelo contrário, em muitos lugares ele é completamente esquecido, por vezes desprezado, e até mesmo ofendido. E é por isso que convém aos cristãos terem profundo conhecimento a propósito das diversas datas que a liturgia da Igreja exalta, entre elas, a que celebra o nascimento do Verbo Encarnado.

Jesus, nome dado pelo anjo Gabriel ao anunciar a Maria Santíssima que ela conceberia o Filho de Deus, exprime ao mesmo tempo a identidade e a missão daquele que viria. Em hebraico quer dizer "Deus salva". Jesus vem à terra para salvar os homens do pecado.[1]

Por que Jesus é também chamado Cristo? O Catecismo da Igreja nos responde: "Cristo" em grego, "Messias" em hebraico, significa "ungido". Jesus é o Cristo porque é consagrado por Deus, ungido pelo Espírito Santo para a missão redentora. Ele é o Messias esperado por Israel, enviado ao mundo pelo Pai. Jesus aceitou o título de Messias, precisando, porém, o seu sentido: "descido do céu" (Jo 3, 13), crucificado e depois ressuscitado, Ele é o Servo Sofredor "que dá a sua vida em resgate de muitos" (Mt 20, 28). Do nome Cristo é que veio para nós o nome de cristãos.

Jesus Cristo, a quem comemoramos o nascimento no Natal, é o Filho de Deus que se Encarnou no seio da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo. Ele é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro Homem na unidade da sua Pessoa divina. Ele fez-se verdadeiramente nosso irmão, sem com isso deixar de ser Deus, Nosso Senhor.[2]

Os homens foram criados para terem, como fim último, a eterna bem-aventurança, o convívio com Deus face a face para todo o sempre. O próprio Deus, ao criar o homem, inscreve em seu coração o desejo de vê-lO.[3]

Contudo, o homem, deixou que se apagasse em seu coração a confiança em relação a seu Criador e desobedeceu-O. Nesta desobediência a Deus, denominada pecado, o homem coloca o seu coração nas coisas temporais em detrimento de Deus, perde a graça e a santidade, e, portanto, a herança que lhe é reservada, impedindo assim o convívio com Deus, para os qual todos são chamados.

O Natal é a comemoração da vinda d’Aquele que redime e salva os homens do pecado, convocando-os para sua Igreja e tornando-os filhos adotivos de Deus. E tal como um filho recebe uma herança de seu pai, também os homens são pela Encarnação elevados à dignidade de filhos de Deus e de herdeiros do Céu.

Uma vez conhecido o homenageado neste tempo litúrgico, e algumas consequências de sua vinda à terra, enchamo-nos de santo júbilo nesta comemoração. Sigamos os dizeres de Bento XVI, Papa felizmente reinante, ao conduzirmos nosso estado de espírito para a festa que se aproxima, com a alegria da qual Maria Santíssima nos deu exemplo.

A alegria pelo fato de que Deus se fez Menino. Esta alegria, invisivelmente presente em nós, encoraja-nos a caminhar com confiança. Modelo e ajuda deste íntimo júbilo é a Virgem Maria, por meio da qual nos foi oferecido o Menino Jesus. Que Ela, discípula fiel do seu Filho, nos conceda a graça de viver este tempo litúrgico vigilantes e diligentes na esperança.[4]

________________________________

[1] Cf. CEC 430
[2] Cf. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 85 e 87.
[3] Cf. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 2.
[4]CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS DO PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO, HOMILIA DO PAPA BENTO XVI, Basílica Vaticana, Sábado, 28 de Novembro de 2009.

Fonte: Gaudium Press 

(grifos meus)

Os três nascimentos do Verbo

A síntese da revelação do Verbo encarnado se encontra no prólogo do Evangelho de São João. Nele se trata dos três nascimentos do Verbo, que são celebrados cada ano pelas três Missas da Natividade. Seu nascimento eterno, seu nascimento temporal, segundo a carne em Belém e seu nascimento nas almas.

O nascimento eterno do Verbo está claramente expresso no primeiro e último versículo do Prólogo do Evangelho:

No princípio era o Verbo,

e o Verbo estava em Deus,

e o Verbo era Deus.

A Deus nada se viu jamais,

Deus unigênito, que está no seio do Pai, este nos deu a conhecer.

Nestas palavras se encontram claramente afirmadas a distinção entre o Verbo, Filho de Deus, e o Pai, e também a divindade do Verbo, consubstancial ao Pai.

A distinção das duas pessoas divinas aparece no fato de dizer: o Verbo estava em Deus (Verbum erat apud Deum). Nada está acerca de si mesmo, nem em si mesmo. E se se duvidasse que a expressão o Verbo designa a uma pessoa, a dúvida desaparecerá pelo versículo 18, no final do Prólogo: A Deus nada se viu jamais; Deus unigênito que está no seio do Pai, este nos deu a conhecer. É claro, por todo o prólogo, que o Filho unigênito é o Verbo de Deus encarnado; e a expressão que está no seio do Pai explica e precisa a do versículo primeiro: o Verbo estava em Deus. É evidente também que Filho unigênito não é o nome de um atributo divino, senão o nome de uma pessoa, como o do Pai. As pessoas são realmente distintas: O Pai não é o Filho, pois o que gera não é o que foi gerado; nada se gera a si mesmo.

Pelo contrário, não se pode dizer: Deus não é sua inteligência, sua sabedoria, seu amor; é, na realidade, sua Inteligência, a mesma Sabedoria, o Amor mesmo; estes atributos essenciais se identificam com sua Essência. O Pai não é o Filho; entre eles há uma oposição de relação, oposição que não existe entre cada um deles e a essência divina.

E não é menos evidente, pelo prólogo, que o Verbo é consubstancial ao Pai, pois disse: E o Verbo era Deus. No grego, o Verbo é claramente o sujeito desta proposição, como da frase que procede e da que segue. E é evidente também que a palavra de Deus está tomada no mesmo sentido pleno que na proposição precedente: o Verbo estava em Deus, e que na seguinte: Ele estava ao princípio em Deus.

Ademais, os versículos seguintes mostram que o Verbo é, junto com o Pai, Criador, autor da vida natural e da vida sobrenatural: Todas as coisas foram criadas por Ele, e sem Ele não se faz nada de quanto há sido feito. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz ilumina nas trevas, mas as trevas não a acolheram.

Estas últimas palavras olham sobre todo a luz sobrenatural necessária para crer as verdades da fé imprescindíveis para a salvação.

O primeiro e o último versículo do prólogo nos fazem ver, assim, o profundo sentido das palavras do Salmo: “A mim me disse o Senhor: tu és meu filho. Eu te gerei hoje (Sl 2, 7)”, e as do Salmo 109: “Disse o Senhor a meu Senhor: senta-te a minha direita…Em meio dos resplendores da santidade, de minhas entranhas te gerei, antes de existir a aurora (Sl 109, 1-3)”. Também compreendemos melhor o que queria dizer o Espírito Santo para inspirar o autor do livro da Sabedoria: "A Sabedoria é como uma exalação da virtude de Deus, ou como uma pura emanação da glória de Deus onipotente;… é o resplendor da luz eterna,e um espelho sem mancha da majestade de Deus, e uma imagem de sua bondade (Sb 7, 25-27)”.

Não menos claramente nos fala o prólogo do nascimento temporal do Verbo no versículo 14: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e temos visto sua glória, glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Este nascimento temporal, segundo a carne, é o que foi anunciado pelo profeta Miquéias: “E tu, ó Belém Efrata, pequena para ser contada entre as milhares de Judá, de ti sairá quem imperará em Israel, cujas origens remontam os tempos antigos, aos dias do longíquo passado… Seu prestígio será exaltado até os confins da terra (cf. Mq 5, 1 e 3)”.

É a realização da profecia de Isaiás: “pois há nascido um menino entre nós, e nos foi dado um filho, o qual Lea sobre seus ombros o principado, e terá por nome o Admirável, o Conselheiro, Deus, o Forte, o Pai do século vindouro, o Príncipe da paz, cujo reino não terá fim (Is 9, 5-6)”.

O prólogo nos fala finalmente do nascimento espiritual do Verbo, vivendo na Igreja que é seu Corpo Místico, nas almas de boa vontade: “Veio aos seus, mas os seus não o receberam. Mas a quantos que receberam deu-lhe o poder de vir a ser filho de Deus, a aquele que crêem em seu nome; que não de sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do varão senão de Deus são nascidos (Is 11 e ss.)”.

Lhes deu o poder ser filhos de Deus por adoção, como É o Filho de Deus por natureza. Nossa filiação é uma imagem da sua, tal como precisa no versículo 16: Pois de plenitude recebemos todos graça sobre graça. Porque a Lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade, veio por Jesus Cristo.

O mesmo Jesus disse: “Se alguém me ama,guardará minha palavra, e meu Pai lhe amará, e veremos a ele e nele faremos morada (Jo 14, 23)”. Também disse: “Se me amais, guardareis meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai, e os dará outro Advogado, que estará convosco para sempre (Jo 14, 16)”.

O Verbo, Filho de Deus, habita, com o Pai e o Espírito Santo, em todas as almas da terra, em estado de graça, do purgatório e do céu, em todos os justos. Enquanto a sua santa humanidade, esta não habita na alma justa,mas exerce sobre ela uma influência constante, pois é o instrumento sempre unido a Divindade para comunicarmos todas as graças sacramentais ou extra-sacramentais que Jesus mereceu durante sua vida terrena e, sobretudo, na Cruz (cf. Santo Tomás. Sum. Theol., III, q. 43, a. 2; q. 48, a. 6; q. 62, a. 4). Desde logo, se pode falar de um nascimento espiritual do Verbo nas almas, ou de uma vinda silenciosa do Verbo nas almas, como foi aos pastores de Belém; é esta vinda silenciosa a que honra uma das três Missas da Natividade. Também neste sentido São Paulo escreve: “Quem os gerou em Cristo pelo Evangelho foi eu (cf. 1Cor 4, 15)" para que incorporados a Ele, para que estejais Nele e Ele em vós.

Nunca poderemos agradecer suficientemente ao Senhor a realização do mistério da Encarnação Redentora. Ademais, quando entramos numa Igreja, pedimos uma graça espiritual ou temporal para nós para os nossos e, às vezes, agradecemos ao Senhor tal ou qual benefício. Mas deixemos de agradecer o benefício dos benefícios, aquele que, desde a queda, é a fonte de todos os demais, o da vinda do Salvador. E como disse São Paulo: “Tudo quanto fazeis por palavra ou de obra, fazendo tudo no nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por Ele (cf. Col 3, 17)”, por todos os benefícios que temos recebido e que recebemos cotidianamente por seu Filho.

Ipsi gloria in saecula.

Essas páginas tem por fim convidar as almas a contemplação do mistério de Cristo, quem há querido converter-se, na Eucaristia, nosso alimento espiritual.

Seria difícil expressar melhor esta contemplação que o que faz a grande doxologia, o Gloria, que as vezes se recita mecanicamente na Missa, mas que pela plenitude do sentido de suas palavras arrebata as almas mais contemplativas. No Líber Pontificalis (Ed. Duchesne, I, 129) se diz que o Papa Telésforo ordenou a princípios do século II (128-129) que o Gloria in excelsis fosse recitado no dia da Natividade de Cristo.

Quando Cristo inspirava ao que compôs, previa que seria cantado na Missa durante séculos e admiraria aos grandes crentes.

Contemplemos com freqüência o Glória o imenso amor de Deus por nós. Deus nos fala, é preciso responder-lhe. Recordemos, como disse São João da Cruz, que na tarde de nossa vida seremos julgados no amor.

Retirado de: Reginald Garrigou-Lagrange O. P. El Salvador y su amor por nosotros. Ed. Rialp, Madrid, 1977 – col. Patmos, Espiritualidade, p. 514-521

Fonte: Blog A vida Sacerdotal

Panorama theme by Themocracy