Por que sou católico?
Gilbert Keith Chesterton é um daqueles escritores católicos que quase ninguém conhece, mas quando lê a primeira linha logo não quer parar mais de conhecer seus escritos. Eu sou um desses leitores (bem) principiantes de Chesterton. Li (confesso) poucos fregmentos de suas principais obras, mas já deu para perceber sua grandeza e ortodoxia. Segue abaixo um (dos muitos) belíssimo texto do autor que encontrei no blog do Angueth, que é especializado nas obras do inglês.
Do livro A Coisa de G. K. Chesterton via Blog do Angueth
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É a mais pura verdade que encontramos erros reais, que provocaram rebelião, na Igreja Romana pouco antes da Reforma. O que não conseguimos encontrar é um daqueles erros que a Reforma reformou. Por exemplo, era um abuso abominável que a corrupção dos monastérios algumas vezes permitisse que um nobre rico se passasse por patrão ou mesmo abade, ou se valesse das rendas que supostamente pertenciam a uma irmandade pobre e caridosa. Mas tudo que a Reforma fez foi permitir que o mesmo nobre rico tomasse posse de TODA a renda, apoderasse de toda a casa e a transformasse num palácio ou numa pocilga, e apagasse totalmente a última inscrição da pobre irmandade. As piores coisas de um catolicismo mundano foram feitas piores pelo protestantismo. Mas as melhores coisas permaneceram de alguma forma através da era da corrupção; não, elas sobreviveram até mesmo a era de reforma. Elas sobrevivem hoje em todos os países católicos, não somente na cor, poesia e popularidade da religião, mas nas mais profundas lições da psicologia. Elas foram tão completamente justificadas, depois do julgamento de quatro séculos, que cada uma delas está agora sendo copiada, até mesmo por aqueles que a condenaram; ocorre, contudo, que a cópia é, muitas vezes, apenas uma caricatura. A psicanálise é a Confissão sem a salvaguarda confessional; o comunismo é o movimento franciscano sem o moderado equilíbrio da Igreja; e as seitas americanas, tendo urrado por três séculos contra a teatralidade papista e o mero apelo aos sentidos, agora “abrilhantam” suas cerimônias com filmes super-teatrais e com raios de luz vermelha caindo sobre a cabeça do ministro. Se tivéssemos um raio de luz para lançar, não deveríamos lançá-lo no ministro.
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Eu poderia escolher qualquer assunto aleatoriamente, da carne de porco à pirotecnia, e mostrar que ele ilustra a verdade da única verdadeira filosofia; tão realista é a observação de que todos os caminhos levam à Roma. De todos eles, tomo aqui apenas um fato; que a coisa é perseguida época após época por um ódio irracional que muda permanentemente sua razão. Ora, quase todas as heresias mortas estão, pode ser dito, não só mortas como condenadas; isto é, estão condenadas ou serão condenadas pelo senso comum, mesmo fora da Igreja, uma vez que sua atmosfera e mania tiverem passado. Ninguém hoje deseja reviver o Direito Divino dos reis que os primeiros anglicanos defenderam contra o Papa. Ninguém hoje deseja reviver o calvinismo que os primeiros puritanos defenderam contra o rei. Ninguém hoje lamenta que os iconoclastas foram impedidos de destruir todas as estátuas na Itália. Ninguém hoje se lamenta de que os jansenistas fracassaram em destruir todos os dramas da França. Ninguém que saiba alguma coisa sobre os albigenses deplora que eles não tenham convertido o mundo ao pessimismo e à perversão. Ninguém que realmente compreenda a lógica dos Lollards (um grupo de indivíduos muito mais simpáticos) anseia realmente que eles tivessem sido bem sucedidos em tirar todos os direitos e privilégios políticos daqueles que não estivessem em estado de graça. (…) O estudo de casos históricos mostra-nos comumente o espírito da época indo na direção errada, e os católicos indo na direção, pelo menos, relativamente certa. É como uma mente sobrevivendo a centenas de diferentes estados de humor.
Quando um martelo acerta o prego certo bem na cabeça centenas de vezes, acabamos por suspeitar que não é inteiramente por coincidência. Mas essas provas históricas não seriam nada sem as provas humanas e pessoais, que demandariam uma descrição completamente diferente. Basta dizer que aqueles que conhecem a prática católica a consideram não somente certa, mas sempre certa quando tudo o mais está errado; tornando a Confissão o trono mesmo da sinceridade, quando o mundo lá fora fala dela como um tipo de conspiração; preservando a humildade, quando todos estão louvando o orgulho; carregada de caridade sentimental, quando o mundo fala de um brutal utilitarismo; carregada de severo dogmatismo, quando o mundo está ruidoso e dissoluto com seu vulgar sentimentalismo – como acontece hoje.
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Leia o texto na íntegra aqui.





