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O presidente precisa ser crente?

Em tempos de eleição, sempre somos confrontados com a nossa crença religiosa e os valores morais e aqueles apresentados pelos candidatos. Alguns deles fazem questão de dizerem que são desta ou daquela denominação, deste ou daquele movimento, enquanto outros são mais genéricos. Mas nunca vi ninguém dizer, categoricamente, que era ateu.

E foi pra contribuir com a escolha do voto, com consciência de quem pensa o que sobre aborto, homossexualismo, símbolos religiosos em repartições públicas e outros temas candentes que estão diretamente relacionados e, não raro, com opiniões bem diversa da doutrina católica, que 2 das mais importantes TVs católicas brasileiras realizaram um debate entre os principais presidenciáveis. Abaixo, há um resumo do aconteceu no evento.

Por Roldão Arruda- Estado de São Paulo via Blog do Carmadélio

Os candidatos Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e José Serra (PSDB), protagonizaram uma boa aula de cidadania e espírito republicano na segunda-feira, durante o encontro promovido e transmitido ao vivo pelas emissoras católicas Canção Nova e Rede Aparecida. Em diversos momentos eles mostraram que às vezes é preferível perder votos a abdicar de princípios para agradar a plateia.

O encontro se destinou sobretudo a verificar se o pensamento dos candidatos estava calibrado ou não com o pensamento dos organizadores do evento. Isso ficou perceptível a partir da forma como eram feitas as perguntas, quase sempre precedidas de considerações destinadas a deixar claro o ponto de vista da Igreja Católica sobre o assunto.

No pontapé inicial, o apresentador, um padre, perguntou aos três se o presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus. Quem se saiu melhor foi Marina Silva, que já foi católica e hoje faz parte do grupo evangélico Assembleia de Deus. Disse, de maneira ousada para o local, que a crença pode representar um ponto a mais para o futuro presidente, mas não é imprescindível, porque ateus também podem ser bons governantes.

A resposta completa dela foi: “Do ponto de vista do Estado laico, obviamente que não é preciso acreditar. Do ponto de vista dos valores que a fé cultiva no coração, no caráter, é, com certeza, uma delta a mais, altamente relevante. Todas as culturas têm em suas mentes e corações três valores comuns a todos os povos: o sentido da justiça, o sentido da liberdade e o desejo de amar e ser armado. Percebo isso como um dom de Deus. O bom é que Deus é tão generoso que mesmo aqueles que não acreditam em Deus podem ser agraciados com esse dom. Pessoas que não creem podem ser justas e éticas e também podem buscar a liberdade.”

O tucano Serra seguiu na mesma direção, embora de maneira muito mais tímida. Batizado na Igreja Católica, disse que seria bom se o presidente acreditasse em Deus. Plínio, católico de quatro costados, muito à vontade no ambiente, pulou a resposta, preferindo usar o tempo para protestar contra a ausência da petista Dilma Rousseff, acusando-a de fugir para não ter que expor seu pensamento sobre os assuntos ali tratados.

Plínio mostrou ousadia, no entanto, ao apoiar a proposta de retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, tremendamente criticada pela Igreja Católica, desde Roma. Eis o que ele disse: “Essa é uma república laica, com gente que acredita em Deus e gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir em ter símbolos religiosos em prédios públicos, porque os prédios públicos são de todos. Os devotos, nas cidades e no campo, devem colocar os símbolos em qualquer lugar, mas não nas repartições públicas, porque nelas o que deve valer mesmo é o princípio da igualdade de todos. Não considero que a Igreja do Cristo deva fazer muita força para segurar essa proposta. É um resquício de uma ideia de cristandade, de uma ideia de sociedade inteirinha dominada pelo cristianismo.”

Serra também mostrou fidelidade ao seu pensamento quando perguntado sobre ensino religioso nas escolas públicas – outra questão pela qual a Igreja Católica vem se batendo. Ele disse que o ensino religioso deve ser ministrado, como disciplina opcional, em escolas de propriedade das igrejas, mas não na rede pública. Lembrou que se fosse aberta a possibilidade de se contratar professores para ensinar cristianismo, outras vertentes religiosas entrariam na Justiça, exigindo o mesmo direito. “Haveria uma inflação de ensino religioso, o que o tornaria impraticável.”

Plínio e Marina apoiaram o ensino religioso na rede pública como disciplina opcional, ou seja, que não reprova o aluno. Para Marina, o Estado brasileiro “é laico, mas não ateu”.

A candidata do PV, como era de esperar, foi confrontada com a questão do aborto. Como é que uma pessoa que defende com a veemência a vida das plantas, não se mostra tão segura na defesa da vida humana, chegando a propor um plebiscito sobre o assunto? – quis saber o jornalista da Canção Nova que fez a pergunta. A representante dos verdes respondeu o de sempre: embora seja contrária ao aborto, do ponto de vista da sua fé, acha que o Brasil ainda precisa debater mais o assunto. Daí a ideia de plebiscito.

Sobre o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, o candidato do PSOL deu uma no cravo e outra na ferradura. De um lado disse, en passant, que considera a homossexualidade um pecado. Ficou com o papa. De outro, porém, apoiou o projeto, porque entende que ninguém deve ser discriminado, perseguido ou humilhado por causa de sua “opção sexual”.

Serra também titubeou um pouco ao falar sobre a questão dos programas de prevenção da Aids, sempre criticados pela Igreja, que gostaria que a prevenção fosse feita à base da abstinência sexual e da fidelidade no casamento. O tucano defendeu os programas de prevenção, baseados na distribuição de preservativos, mas também disse que não vê problema em incentivar a abstinência e monogamia, como fez o presidente americano George W. Bush em seu governo, se isso ajudar a reduzir a incidência da doença.

Não foi fácil para ninguém. Mas foi um bom exercício democrático, no qual os candidatos tiveram que se confrontar com um grupo de posições baseadas em dogmas da fé, analisar o caráter do Estado brasileiro, e, no fundo, tentar equilibrar temas de fé com direitos civis – uma questão muito nova no Brasil, do ponto de vista histórico. A candidata Dilma perdeu uma excelente oportunidade de se exercitar.

A responsabilidade do cristão na vida pública

Padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia

Naquele tempo, os fariseus (…) lhe enviaram seus discípulos a dizer-lhe: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus com franqueza e que não dás preferência a ninguém, porque não olhas a condição das pessoas. Diga-nos, pois, o que lhe parece, é lícito pagar o tributo a César ou não?». Mas Jesus, conhecendo sua malícia, disse: «Hipócritas, por que me tentais? Mostrai-me a moeda do imposto». Eles lhe apresentaram um denário. E lhes disse: «De quem é esta imagem e a inscrição?». Disseram-lhe: «De César». Então lhes disse: «Pois dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus».
A Deus o que é de Deus
(…), o Evangelho termina com uma frase lapidária de Jesus: «Dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus». Não: ou César ou Deus, mas: a um e a outro, cada um em seu plano. É o começo da separação entre religião e política, até então inseparáveis em todos os povos e regimes. Os judeus estavam acostumados a conceber o futuro reino de Deus instaurado pelo Messias como uma teocracia, ou seja, como um governo direto de Deus na terra através de seu povo.
Ao contrário, Cristo revela um reino de Deus que está neste mundo, mas não é deste mundo, que caminha em uma longitude de onda diferente e que pode por isso coexistir com qualquer regime, seja este de tipo sacro ou «leigo».
Revelam-se assim dois tipos diferentes de soberania de Deus no mundo: a soberania espiritual que constitui o reino de Deus e que Ele exercita diretamente em Cristo, e a soberania temporal ou política que Deus exercita indiretamente, confiando-a à livre eleição das pessoas e ao jogo das causas segundas. César e Deus não estão contudo situados no mesmo plano, porque também César depende de Deus e deve dar contas a Ele. «Dê a César o que é de César» significa, portanto: «Daí a Cear o que Deus mesmo quer que seja dado a César». É Deus o soberano último de todos. Nós não estamos divididos entre duas pertenças, não estamos obrigados a servir a «dois senhores».
O cristão está livre para obedecer ao Estado, mas também para resistir-lhe quando o Estado se põe contra Deus e sua lei. Não vale invocar o princípio da ordem recebida dos superiores, como estão habituados a fazer ante o tribunal os responsáveis por crimes de guerra. Antes que aos homens, há que obedecer a Deus e à própria consciência. Não se pode dar a César a alma, que é de Deus. O primeiro a tirar as conclusões práticas deste ensinamento foi São Paulo. Ele escreve: «Submetam-se todos às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não provenha de Deus. De modo que, quem se opõe à autoridade, rebela-se contra a ordem divina… por isso, precisamente pagais os impostos, porque são funcionários de Deus os ocupados assiduamente nesse ofício» (Rm 13, 1ss). Pagar legalmente os impostos para um cristão (e para toda pessoa honesta) é um dever de justiça, uma obrigação de consciência. Garantindo a ordem, o comércio e todos os serviços, o Estado dá ao cidadão algo pelo qual tem direito a uma contrapartida, precisamente para poder seguir dando tais serviços.
A evasão fiscal, quando chega a certas proporções –recorda-nos o Catecismo da Igreja Católica–, é um pecado mortal. É um roubo feito não ao «Estado», ou seja, a ninguém, mas à comunidade, isto é, a todos. Isso supõe naturalmente que também o Estado seja justo e eqüitativo ao impor seus tributos.
A colaboração dos cristãos na construção de uma sociedade justa e pacífica não se esgota em pagar os impostos, deve-se estender também à promoção dos valores comuns, como a família, a defesa da vida, a solidariedade com os mais pobres, a paz. Outro âmbito no qual os cristãos deverão oferecer uma contribuição mais incisiva é a política: não tanto os conteúdos quanto os métodos, o estilo. Há que desmantelar o clima de perpétuo litígio, voltar a levar às relações entre os partidos mais respeito e dignidade.
Respeito ao próximo, suavidade, capacidade de autocrítica são marcas que um discípulo de Cristo deve levar a todas as coisas, também à política. É indigno de um cristão abandonar-se a insultos, sarcasmo, descender a rinhas com o adversário. Se, como diz Jesus, quem diz ao irmão «estúpido!» já é réu (cf. Mt 5, 22. Ndr), o que será de muitos políticos?

Comentário ao Evangelho do dia 16.10.2005, Originalmete publicado por «Famiglia Cristiana». Traduzido por Zenit

“Eu, medo daquele estúpido? E ele é só o macaco de Deus”

Via O Ultrapapista Atanasiano

Uma entrevista com o exorcista da Santa Sé  Apostólica, Pe. Gabriele Amorth.

Padre Amorth

(…)

Como são considerados os exorcistas dentro da Igreja?

AMORTH: Somos muito mal tratados. Os irmãos sacerdotes que são encarregados dessa delicadíssima tarefa são vistos como doidos, fanáticos. Em geral quase não são tolerados nem pelos bispos que os nomeiam.

Qual o fato mais clamoroso dessa hostilidade?

AMORTH: Tivemos um convênio internacional de exorcistas perto de Roma. Pedimos para ser recebidos pelo Papa. Para não dar a ele o peso de somar outra audiência às tantas que já dá, pedimos simplesmente para ser recebidos na audiência pública das quartas-feiras na Praça de São Pedro.
Inclusive sem que fosse preciso mencionar-nos nas saudações. Fizemos o devido pedido, como lembrará perfeitamente Mons. Paolo De Nicolò, da Prefeitura da Casa Pontifícia, que acolheu de braços abertos o nosso pedido. Um dia antes da audiência porém o próprio Mons. De Nicolò disse-nos – na verdade com grande constrangimento, pelo que se viu muito bem que a decisão não dependia dele – que não viéssemos, não éramos admitidos. Incrível: 150 exorcistas provenientes dos cinco continentes, sacerdotes nomeados pelos seus bispos segundo as normas do direito canônico, que requerem padres de oração, ciência e boa fama – portanto mais ou menos a fina-flor do clero -, pedem para participar duma audiência pública do Papa e são enxotados. Mons.
De Nicolò disse-me: "Naturalmente prometo que lhe enviarei logo uma carta com os motivos". Passaram-se cinco anos, e ainda estou a esperar essa carta. Certamente não foi João Paulo II a excluir-nos. Mas que seja proibido a 150 sacerdotes participar duma audiência pública do Papa na Praça de São Pedro explica o quanto são dificultados os exorcistas pela sua Igreja, quanto são mal vistos por tantas autoridades eclesiásticas.

O Sr. combate o demônio quotidianamente. Qual é o maior sucesso de Satanás?

AMORTH: Conseguir que não creiam na sua existência. Quase conseguiu. Também dentro da Igreja. Temos um clero e um episcopado que já não crêem no demônio, nos exorcismos, nos males extraordinários que o diabo pode fazer, e tampouco no poder que Jesus concedeu de expulsar os demônios. Há três séculos que a Igreja latina – ao contrario dos orientais e de várias confissões protestantes – abandonou quase completamente o ministério dos exorcismos. Sem praticá-los, estudá-los nem vê-los, o clero já não crê. Já não crê tampouco no diabo. Temos inteiros episcopados contrários aos exorcismos. Há nações completamente carentes de exorcistas, como a Alemanha, a Áustria, a Suíça, a Espanha e Portugal. Uma carência assustadora.

(…)

É dever dos bispos nomear exorcistas?

AMORTH: Sim. Quando um sacerdote é eleito bispo, encontra-se ante um artigo do Código de Direito Canônico que lhe dá autoridade absoluta para nomear exorcistas. A um bispo o mínimo que se pode pedir é que tenha assistido pelo menos a um exorcismo, dado que deve tomar uma decisão tão importante.
Infelizmente, não acontece quase nunca. Mas se um bispo se encontra ante uma solicitação séria de exorcismo – ou seja, feita não por um maluco – e não toma providências, comete pecado mortal. E é responsável por todos os terríveis sofrimentos daquela pessoa, que às vezes duram anos ou uma vida, e que teria podido impedir.

Está dizendo que a maior parte dos bispos da Igreja católica está em pecado mortal?

AMORTH: Quando eu era pequeno o meu velho pároco ensinava-me que os sacramentos são oito: o oitavo é a ignorância. E o oitavo sacramento salva mais que os outros sete juntos. Para cometer pecado mortal é preciso uma matéria grave mas também o pleno conhecimento e o deliberado consentimento. Essa omissão de ajuda por parte de muitos bispos é matéria grave. Mas esses bispos são ignorantes: não há portanto deliberado consentimento e pleno conhecimento.

Mas a fé permanece intacta, isto é, permanece uma fé católica, se alguém não crê na existência de Satanás?
AMORTH: Não. Conto-lhe um episódio. Quando encontrei pela primeira vez o Pe. Pellegrino Ernetti, um célebre exorcista que exerceu o ministério por quarenta anos em Veneza, disse-lhe: "Se eu pudesse falar com o Papa eu lhe diria que encontro demasiados bispos que não crêem no demônio". Na tarde seguinte o Pe. Ernetti veio até mim para me dizer que de manhã tinha sido recebido por João Paulo II. "Santidade", dissera-lhe, "há um exorcista cá em Roma, Pe. Amorth, que se o visse lhe diria que conhece demasiados bispos que não crêem no demônio". O Papa respondeu-lhe, taxativo: "Quem não crê no demônio não crê no Evangelho". Eis a resposta que ele deu e que eu repito.

Ou seja: a conseqüência é que muitos bispos e muitos padres não seriam católicos?

AMORTH: Digamos que não crêem numa verdade evangélica. Portanto, sendo o caso, eu os acusaria de propagar uma heresia. Mas fique claro que alguém é formalmente herege se é acusado de alguma coisa e permanece no erro. Hoje ninguém, pela situação que há na Igreja, acusa um bispo por não crer no diabo, nas possessões demoníacas e por não nomear exorcistas porque não crê. Contudo, eu poderia dizer-lhe muitíssimos nomes de bispos e cardeais que logo que foram nomeados para uma diocese tiraram a todos os exorcistas tal faculdade. Ou bispos que sustentam abertamente: "Eu não creio nisso. São coisas do passado". Por quê? Infelizmente porque houve a influência perniciosíssima de certos biblistas, e poderia citar-lhe muitos nomes ilustres. Nós que tocamos todos os dias o mundo sobrenatural sabemos que meteu a colher em tantas reformas litúrgicas.

Por exemplo?

AMORTH: O Concílio Vaticano II tinha comandado a revisão de alguns textos. Desobedecendo a essa ordem, o que se quis foi refazê-los completamente.
Sem pensar que se podiam piorar as coisas em vez de melhorá-las. E tantos ritos foram piorados por essa mania de querer jogar fora tudo o que havia no passado e refazer tudo desde o começo, como se a Igreja tivesse até hoje sempre tapeado e enganado, e só agora tivesse chegado o tempo dos grandes gênios, dos superteólogos, dos superbiblistas, dos superliturgistas, que sabem dar à Igreja as coisas certas. Uma mentira. O último Concílio tinha simplesmente pedido a revisão desses textos, não a sua destruição.
O Ritual dos exorcismos, por exemplo: era para ser corrigido, não refeito. Havia orações que têm doze séculos de experiência. Antes de eliminar orações tão antigas e que por séculos demonstraram a sua eficácia, seria preciso pensar longamente. Mas não. Nós, os exorcistas, experimentando o Ritual "ad interim", vimos que são absolutamente ineficazes. Também o Ritual do Batismo das crianças foi piorado. Foi desvirtuado até quase eliminar o exorcismo contra Satanás, que sempre teve enorme importância para a Igreja, tanto que era chamado "exorcismo menor". Contra esse novo rito protestou publicamente também Paulo VI. Foi piorado o novo Ritual de Bênçãos. Li minuciosamente todas as suas 1200 páginas. Pois bem, foi cuidadosamente tirada toda referência ao fato de que o Senhor nos protege de Satanás, que os anjos nos protegem do assalto do demônio.
Tiraram todas as orações que havia na bênção das casas e das escolas. Tudo tinha de ser benzido e protegido, mas hoje a proteção contra o demônio já não existe, já não existem defesas e tampouco orações contra ele. O próprio Jesus tinha-nos ensinado uma oração de libertação no pai-nosso: "Livrai-nos do Maligno. Livrai-nos da pessoa de Satanás". Em vernáculo foi traduzida de forma errônea, e agora se reza dizendo: "Livrai-nos do mal". Fala-se dum mal genérico, do qual no fundo não se sabe a origem. Ao contrário, o mal contra o qual Nosso Senhor Jesus Cristo tinha-nos ensinado a combater é uma pessoa concreta: é Satanás.

O Sr. tem um observatório privilegiado: tem a sensação de que o satanismo esteja difundindo-se?

AMORTH: Sim. Muitíssimo. Quando diminui a fé aumenta a superstição. Se uso a linguagem bíblica, digo que se abandona a Deus e se abraça a idolatria; se uso uma linguagem moderna, digo que se abandona a Deus para abraçar o ocultismo. A diminuição assustadora da fé em toda a Europa católica faz com que o povo se entregue às mãos de magos e cartomantes, enquanto as seitas satânicas prosperam. O culto do demônio é anunciado a massas inteiras através do rock satânico de personagens como Marilyn Manson, e atacam-se também as crianças quando jornais e quadrinhos ensinam a magia e o satanismo. São muito difundidas as sessões espíritas, nas quais se evocam os mortos para ter respostas. Agora aprende-se a fazer sessões espíritas com o computador, com o telefone, com a televisão, com o gravador, mas sobretudo com a escritura automática. Já não há necessidade do medium: é um espiritismo "self service". Segundo as pesquisas, 37 por cento dos estudantes fez pelo menos uma vez o jogo do cartaz ou do copo, que é uma verdadeira sessão espírita. Numa escola em que me convidaram a falar, os jovens disseram que o faziam durante a aula de religião sob olhos complacentes do professor.

E funcionam?

AMORTH: Não existe diferença entre magia branca e magia negra. Quando a magia funciona, é sempre obra do demônio. Todas as formas de ocultismo, como esta grande atração pelas religiões do Oriente, com as suas tendências esotéricas, são portas abertas para o demônio. E o diabo entra. Rápido.
Eu não hesitei a dizer imediatamente, no caso da freira assassinada em Chiavenna e no caso dos dois jovens de Novi Ligure [trata-se de delitos que chocaram a Itália recentemente, n.d.tr.], que houve uma intervenção direta do demônio porque esses jovens se dedicavam ao satanismo. Prosseguindo a investigação a polícia descobriu, em ambos os casos, que esses jovens seguiam Satanás, tinham livros satânicos.

O que aproveita o demônio para seduzir o homem?
AMORTH: Ele tem uma estratégia monótona. Disse isso a ele, e ele o reconhece… Leva a crer que o inferno não existe, que o pecado não existe sendo só uma experiência mais a fazer. Concupiscência, sucesso e poder são as três grandes paixões nas quais Satanás insiste.

Quantos casos de possessão demoníaca encontrou?

AMORTH: Depois dos primeiros cem casos desisti de contar.

Cem? Mas são muitíssimos. O Sr. diz nos seus livros que os casos de possessão são raros.
AMORTH: E de fato são. Muitos exorcistas têm encontrado somente casos de males diabólicos. Mas eu herdei a "clientela" dum exorcista famoso como o Pe. Candido, e portanto os casos que ele não tinha resolvido ainda. Ademais, os outros exorcistas mandam para mim os casos mais resistentes.

Qual o caso mais difícil que encontrou?

AMORTH: Estou tratando dele agora, e já faz dois anos. É a mesma jovem que foi abençoada – não foi um exorcismo propriamente – pelo Papa em outubro no Vaticano e que causou sensação nos jornais. É atingida 24 horas por dia, com tormentos indescritíveis. Os médicos e os psiquiatras não conseguiam entender nada. É plenamente lúcida e inteligentíssima. Um caso realmente doloroso.

Como a pessoa se torna vítima do demônio?
AMORTH: Pode-se cair nos males extraordinários enviados pelo demônio por quatro motivos. Ou porque isso consiste num bem para a pessoa (é o caso de muitos santos), ou pela persistência no pecado de modo irreversível, ou por um malefício que alguém faz por meio do demônio, ou por práticas de ocultismo.

Durante o exorcismo de possessos, que tipo de fenômenos se manifestam?

AMORTH: Lembro-me dum camponês analfabeto que durante o exorcismo me falava só em inglês, e eu precisava dum intérprete. Há quem mostra uma força sobre-humana, quem se eleva completamente da terra e várias pessoas não conseguem mantê-lo sentado. Ma é só pelo contexto em que se desenvolvem que falamos de presença demoníaca.

Ao Sr. o demônio nunca fez nada de mal?
AMORTH: Quando o cardeal Poletti me pediu para ser exorcista encomendei-me a Nossa Senhora. "Envolvei-me no vosso manto e estarei seguríssimo". O demônio fez-me tantas ameaças, mas nunca me causou dano algum.

O Sr. não tem medo do demônio?
AMORTH -. Eu, medo daquele estúpido? É ele que deve ter medo de mim: eu ajo em nome do Senhor do mundo. E ele é só o macaco de Deus.

Padre Amorth, o satanismo difunde-se cada vez mais. O novo Ritual torna difícil fazer exorcismos. Impede-se aos exorcistas a participação numa audiência papal na Praça de S. Pedro. Diga-me sinceramente: o que está acontecendo?
AMORTH: A fumaça de Satanás entra em todas as partes.

Em todas as partes!

Talvez tenhamos sido excluídos da audiência do Papa porque tinham medo de que tantos exorcistas conseguissem expulsar as legiões de demônios que se estabeleceram no Vaticano.

Está brincando, não?

AMORTH: Pode parecer um modo de dizer, mas creio que não seja. Não tenho dúvida alguma de que o demônio tenta sobretudo os postos altos da Igreja, como tenta os postos altos da política e da indústria.

Está dizendo que também aqui, como todas as guerras, Satanás quer conquistar os generais adversários?

AMORTH: É uma estratégia vencedora. Sempre se tenta efetuá-la. Sobretudo quando as defesas do adversário são fracas. E também Satanás tenta. Mas ainda bem que existe o Espírito Santo que sustém a Igreja: "As portas do inferno não prevalecerão". Apesar dos abandonos. Apesar das traições, que não devem surpreender. O primeiro traidor foi um dos apóstolos mais próximos a Jesus, Judas Iscariotes. Mas apesar disso a Igreja continua no seu caminho. Mantém-se em pé pelo Espírito Santo, portanto toda a luta de Satanás pode ter somente sucesso parcial. Claro, o demônio pode vencer algumas batalhas. Inclusive importantes. Mas jamais a guerra.

(Grifos meus)

O ostensório com o Santíssimo pode ser tocado pelos fiéis?

Fiéis tocam o ostensório

Essa é uma pergunta que sempre me faço ao observar, muitas vezes, a passagem do ostensório com o Santíssimo Corpo de Cristo e a correria das pessoas na tentativa de tocá-lo. E às vezes de maneira irreverente. Não seria muito mais apropriado (e litúrgico, creio) fazer a genuflexão? Ficar em silêncio e adorá-lo discretamente?

Ontem, por exemplo, foi um desses dias. No momento do traslado da Eucaristia que tinha sido conduzida na procissão de Corpus Christi para o sacrário, lá estavam os fiéis deixando as impressões digitais na custódia. E se ajoelhar, ninguém!!  É realmente lamentável que os católicos em geral não tenham (e nem recebam) a “educação” litúrgica adequada. E o pior é constatar que esse hábito é generalizado pelas paróquias do país.

Adoração ao Santíssimo Sacramento

Quanto à pergunta, fazendo uma pesquisa rápida, descobri que o sacerdote só deve tocar no ostensório (ou na âmbula com as reservas eucarísticas expostas para adoração) com um paramento específico, o véu umeral, como é o caso do padre da foto ao lado. Se para o sacerdote é assim… Não precisa dizer mais nada.

 

 

Oração de desagravo do Anjo de Portugal

Hoje a Igreja do mundo inteiro celebrou o Corpus Christi. O dia de fazer memória da presença real de Cristo na Eucaristia, que não quis partir para o Pai sem permanecer conosco. É dia portantod e adorar a Jesus sacramentado e também de fazer memória das (infelizmente) inumeras ocasiões de ofensas a este tão grande Sacramento. Há uma oração belíssima que o anjo das aparições de Fátima ensinou as três pastorinhos, pedindo perdão à Santíssima Trindade justamente pelos agravos ao Corpo e Sangue do Senhor.

“Santíssima Trindade, Pai, Filhoe e Espírito Santo, eu Vos adoro profundamente e Vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido e pelos merecimentos infinitos de Seu Santíssimo Coração e pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.”

Que Deus nos dê almas adoradoras do Seu Santíssimo Corpo e Sangue para consolar o seu Coração muitas vezes machucado e ultrajado pelas mãos dos próprios cristãos.

Popule meus, quid feci tibi? Responde mihi.

Cruz (13)

“Povo meu, que te fiz, ou em que te contristei? Responde-me.” (Mq 6,3)

Que mais Que mais devia ter feito por ti e não fiz? Responde-me!

Por que eu te tirei da terra do Egito, preparaste uma cruz para o teu Salvador!

Eu te plantei como vinha, escolhida e preciosa e tu te fizeste amarga para mim!

Eu flagelei por ti o Egito e os primogênitos e tu me entregaste, assim flagelados!

Eu abri o mar diante de ti e tu me abriste o lado co´uma lança!

Na coluna de fogo, eu te guiei e tu me conduziste ao pretório de Pilatos!

Eu te dei a bebera boa água da pedra e tu me deste a beber fel e vinagre!

Que mais Que mais devia ter feito por ti e não fiz? Responde-me!

Mensagem do Papa para esta quaresma

Fonte: Santa Sé

Papa Bento XVI

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
O PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2010

A justiça de Deus está manifestada
mediante a fé em Jesus Cristo
(cfr Rom 3, 21–22 )

Queridos irmãos e irmãs,

todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida á luz dos ensinamentos evangélicos . Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21 – 22 ).

Justiça: “dare cuique suum”

Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romana do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais intimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais – no fim de contas o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam e certamente condena a indiferença que também hoje condena centenas de milhões de seres humanos á morte por falta de alimentos, de água e de medicamentos – , mas a

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Cristãos perseguidos; catequese do Papa

Lançado site sobre cristãos perseguidos. Saiu no Zenit. As perseguições religiosas têm aumentado, sobretudo contra os cristãos, diz a notícia. O é alimentado por reportagens mensais, entrevistas com os líderes das igrejas locais (que sofrem perseguição) e estatísticas. Ele“oferece uma importante oportunidade para as pessoas que saber mais sobre os sofrimentos a que estão submetidos os cristãos em todo o mundo”, diz Mark Riedemann, diretor do projeto. O site é: http://www.wheregodweeps.org/ Uma outa notícia, da mesma agência Zenit, dá conta que todos os anos morrem 170.000 cristãos por sua fé! “Entre 75 a 85% das perseguições religiosas em curso no mundo hoje se referem a cristãos, e a cada ano, 170.000 deles perdem a vida por razões ligadas à sua fé; o número de fiéis brutalmente perseguidos no mundo hoje é da ordem de 200 milhões de pessoas”, afirmou o secretário da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE), frei Piotr Mazurkiewicz.

Na sua última catequese, o Papa Bento XVI deixou três recados em uma só mensagem. Falando sofre São Francisco de Assis, o Sumo pontífice rechaçou a ideia de alguns historiadores de criarem um Francisco histórico, sem ligações com a Igreja. Para Bento XVI, “A verdade é que São Francisco quis realmente uma relação muito imediata com Jesus e com a Palavra de Deus, que queria seguir sem glosa, assim como está, em toda sua radicalidade e verdade. E é também certo que inicialmente não tinha a intenção de criar uma ordem com as formas canônicas necessárias, mas, simplesmente, com a Palavra de Deus e a presença do Senhor, ele queria renovar o povo de Deus, convocá-lo de novo a uma escuta da palavra e à obediência verbal com Cristo”. Também para o Papa, não é possível fazer um renovação da Igreja sem a comunhão com o Papa. Veja no Zenit e no ACI Digital.

Teologia da Libertação: o que é?

[Na última quinta-feira, no excelente programa Escola da Fé, da Canção Nova, esteve presente o Pe. Paulo Ricardo, reitor do seminário da Arquidiocese de Cuiabá. O assunto do programa foi a instrução Libertatis Nuntius (1984), sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação, escrita pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação da Fé. O texto abaixo é um reconstrução não-literal dos pontos expostos pelo Padre.]

“A teologia da libertação (TL) não é uma idéia, como as outras heresias que apareceram ao longo da história da Igreja, que podiam ser combatidas com um pronunciamento do Magistério, pois deturpavam um ponto específico da doutrina. A TL é um modo de pensar, que interpreta de um modo radicalmente novo todas as verdades da Fé cristã e de sua moral. E o faz de um ponto de vista materialista, sociológica, amputando a transcendência da mensagem, como se ela tivesse apenas uma aplicação imanente, histórica, no aqui e agora. Desse modo, o Reino de Deus, uma realidade escatológica, transforma-se na utopia marxista”

“A interpretação materialista da TL tende a negar a ação de Deus na história. Por exemplo, os milagres e curas realizados por Jesus não são verdadeiros milagre, pois estes segundo a ciência, não existem. São na realidade gestos de inclusão dos sujeitos na sociedade.”

“Aqui o pecado original não é aceito. O pecado é sempre do sistema (estruturas de pecado, pecado social), semelhante ao que acontece na visão gnóstica, em que o mundo era visto como uma construção do demiurgo mau. Para Marx, o sistema é o capitalismo.”

“Segundo a sua interpretação marxista, a TL enxerga o clero como “capitalistas do Sagrado”. A Igreja detém os meios de produção da fé, espoliando o povo (aqui visto como a categoria do proletariado, dos pobres sociologicamente) da relação com Deus. Por isso seus teólogos defendem uma igreja horizontal, sem hierarquia, onde o povo também possa celebrar missas, ou seja, obter o poder.”

“A origem da TL é o eixo Alemanha-América Latina. Na realidade, na América Latina esta linha de interpretação teológica ganhou feições próprias.”

“O núcleo de verdade da TL é a caridade cristã, que aliás não é um mero detalhe. O amor ao próximo é um mandamento basilar do Cristianismo.”

Veja o programa completo (posto no You Tube por Danilo Volpato):

Ouça uma palestra do Pe. Paulo Ricardo sobre a TL, a partir do documento da Libertatis Nuntius:

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Curiosamente, neste mesmo dia (28/01) saiu no site da Agência Zenit uma matéria intitulada “A Teologia da Libertação é uma resposta às injustiças sociais?”, do padre Piero Gheddo, diretor do periódico “Mondo e Missione”, que basicamente faz as mesmas afirmações: “[A Teologia da Libertação] tomou como elemento de interpretação social e econômica, principalmente ao longo das três últimas décadas do século XX, a análise marxista – o materialismo histórico – na tentativa de compreender a complexa e injusta, e muitas vezes escandalosa, realidade social vivida na América Latina.(…) Conforme explicou Bento XVI aos bispos brasileiros, ‘suas seqüelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas [dirigindo-se a bispos brasileiros] grande sofrimento e grave perda de forças vivas’. (…) Se acreditamos que a mensagem de Cristo é a melhor mensagem de libertação do homem, este é um fato extraordinário. Agradeçamos ao Senhor.” Ele aponta também alguns pontos positivos da TL.

São Tomás de Aquino ou “o boi mudo”

São tomás de aquino
É sim, o boi mudo está voando, lá no céu… Um dos maiores intelectuais da história é celebrado hoje, na Igreja. Doutor Angélico, Rogai por nós!!

“Para evitar atrair a estima pública e os louvores que recebera em Nápoles por seu saber Tomás, fechou-se num mutismo mal interpretado pelos seus condiscípulos. Ademais, ‘um grande corpo, lento e pesado, e uma placidez um pouco bovina servem-lhe de espesso envoltório para uma alma benigna e generosa, mas retraída; ele é tímido para além da humildade, e distraído para além da contemplação’ . Isso tudo leva a que o chamem de ‘boi mudo’ ou ‘grande boi siciliano’.

Sucedeu um dia que um condiscípulo, tomando a concentração de Tomás como sinal de que não entendera o que dissera o mestre, começou caridosamente a lhe explicar a matéria. Mas em determinado momento embaralha-se todo e não consegue ir adiante. Calmamente o “boi mudo” começou então a desenvolver a tese obscura, com muito mais clareza do que o fizera o próprio mestre. Os papéis então se inverteram, e o condiscípulo suplicou a Tomás que sempre o ajudasse em suas dúvidas. Daí para frente não foi mais possível esconder aquele talento superior e fabulosa memória.

Apreciando devidamente aquele tesouro, Santo Alberto profetizou: “Chamamos-lhe o boi mudo; mas um dia virá em que seus mugidos, a expor a doutrina, hão de ouvir-se no mundo inteiro”.

(…)

“Talvez nunca mestre algum fosse mais apaixonadamente admirado e escutado do que Tomás de Aquino. O seu culto exclusivo da verdade comunica às palavras e às demonstrações uma segurança que dá aos jovens auditórios o supremo júbilo de tocar de perto, em brusco prodígio, a região excelsa das grandes certezas. Numa época cheia de vastas aspirações, de pesquisas no absoluto, as almas querem mais do que simples jogos dialéticos sobre conceitos abstratos. Querem palpar o real, ser introduzidas no âmago das questões, entrar na posse das altas evidências da razão e da Fé. Fé que ambiciona compreender. E Tomás de Aquino, sem lhes proibir os ardentes deslumbramentos da fé, leva-as à máxima compreensão dos mistérios e harmonias universais” Fonte: Frente Universitária Lepanto

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