Tatiana Sabadini: A discussão entre criacionismo e evolucionismo é
antiga. Por que para a sociedade científica é tão difícil aceitar as
idéias criacionistas?
Lepanto: Trata-se de um preconceito. Com o avanço da ciência, sobretudo
na área da biologia, bioquímica, da genética, e diversas outras,
inúmeros são os cientistas, das mais famosas universidades do mundo,
que já não aceitam o darwinismo, ou pelo menos muitos de seus
pressupostos. É claro. Darwin não conhecia o DNA; ele não conhecia
muitas das organelas celulares que hoje até uma criança pode ter acesso.
Mas não é só isso. Como que por definição, o darwinismo não pode ser
considerado científico. Por quê? Porque ele não parte da observação da
realidade para depois chegar a uma conclusão. A raiz do evolucionismo
está em uma elucubração que sustenta que a partir de pequenas
alterações (mutações) passamos da “não-vida” para a “vida inteligente”
e que o princípio primordial dessas mudanças é a sobrevivência do mais
forte. Isso através de sucessivas etapas que nunca foram
cientificamente demonstradas.
Muitos são os cientistas que, querendo aprofundar o evolucionismo,
acabaram por mudar de posição. É o caso, por exemplo, do Professor
Michael Behe phD, da Universidade de Lehigh. Estudando a bioquímica,
ele percebeu que a teoria da Seleção Natural, base do darwinismo, ia
contra as novas descobertas da bioquímica. Isto é, partindo de dados da
ciência, ele chegou à conclusão que só uma Inteligência poderia ter
desenhado a maioria das estruturas vivas do planeta.
Tatiana Sabadini : A teoria da evolução descrita por Darwin é realmente
possível? Ela pode ser complementada pela teoria da criação?
Lepanto: É fato que existe um certo tipo de evolução dentro de uma
mesma espécie. Mas Darwin não conseguiu demonstrar a evolução de uma
espécie que dê origem a outra espécie. O elo até hoje está perdido… A
teoria da evolução é, como o nome indica, apenas teoria.
A teoria de Darwin é muito restrita, basta uma só falha no sistema para
todo seu edifício desmoronar como um castelo de cartas. O próprio
Darwin assim o admitiu, quando disse no seu livro A Origem das
Espécies: “Se se pudesse demonstrar que existe algum órgão complexo que
não tenha sido possivelmente formado por modificações numerosas,
sucessivas e pequenas, minha teoria simplesmente cairia por terra”. É o
que tem provado largamente a corrente de cientistas do “Intelligent
Design” (Desenho Inteligente) .
Esses cientistas têm demonstrado que inúmeros órgãos vitais, organelas
das células, funções tais como a visão, etc., de nenhum modo poderiam
ter sido formadas por modificações “numerosas, sucessivas e pequenas”.
(cfr. A caixa preta de Darwin, Michael Behe, Nova York, Free Press,
2006)
Também no que diz respeito às mutações, os dados científicos atuais são
cada vez mais claros de que elas são nocivas aos organismos.
Ao contrário do evolucionismo que parte da “não-vida” (do vazio, por
assim dizer), o Criacionismo sustenta que é preciso que um Ser superior
tenha criado cada espécie. Seria absurdo, do ponto de vista racional,
sustentar que um ser inferior pudesse gerar outro ser de uma espécie
superior e mais complexa. Isso, que está no fundamento do
evolucionismo, é racionalmente absurdo e nunca foi demonstrado
cientificamente.
Tatiana Sabadini : Você acredita que seja possível misturar as crenças
religiosas nas pesquisas científicas sobre a criação do mundo?
Lepanto: A Fé e a Razão não devem ser vistas como excludentes ou
contraditórias, mas sim como complementares. A ciência moderna se
baseia no empirismo, na capacidade de medir, experimentar, quantificar
dados. Mas a ciência, entendida em seu sentido mais amplo, não se
restringe a isso, tanto que hoje temos as “ciências humanas” em todas
as universidades, onde o caráter científico é derivado de um método e
não necessariamente de uma experiência.
No que diz respeito à religião, é preciso distinguir. Existem
“crendices” que acabam se tornando religiões supersticiosas, onde a
ciência não tem lugar. Mas, no que diz respeito à religião católica,
isso não se aplica. A fé não deriva de um sentimentalismo superficial,
mas de uma convicção profunda, onde a razão e a ciência também estão
presentes. A Fé, a razão e a ciência devem andar juntos.
Por exemplo: se a Ciência prova que tem que haver um Ser Inteligente
que tenha criado tudo, é a Religião que tem os meios de dizer quem é
esse Ser. É o que a Igreja Católica faz: ela usa dados da razão, da
lógica e da Revelação e afirma: esse Ser é Deus. E depois continua seu
estudo, e mostra quais as características de Deus. Não é crendice: é
lógica, razão, estudo e convicção.
Ao contrário do Criacionismo, que não exclui a filosofia, a metafísica,
a lógica e a ciência; e, com esses instrumentos do conhecimento humano
pode chegar a noções muito mais profundas sobre a origem da vida, o
evolucionismo, por se pretender “científico” (isto é, experimental)
acaba esbarrando em um problema que é também um paradoxo, já que não há
como recriar a “experiência” primeira por onde se teria iniciado a
vida. O evolucionismo acaba padecendo do problema que vê no
Criacionismo e se tornando uma espécie de religião, onde a “fé” é
anterior à comprovação dos fatos.