Posts tagged: Tradição

A caridade católica

“A suma intransigência católica é a suma caridade católica. É praticada em relação ao nosso próximo quando, para seu próprio bem, ele é ofendido, humilhado e castigado. É praticada em relação a um terceiro quando para defendê-lo da injusta agressão de outrem e protegê-lo do contágio do erro se desmascaram seus autores e fautores, mostrando-os como os iníquos e perversos que verdadeiramente são, expondo-os ao desprezo, horror e execração de todos. É praticada em relação a Deus quando, para Sua glória e a Seu serviço, torna-se necessário silenciar todas as considerações humanas, calcar sob os pés todo respeito humano, sacrificar todos os interesses humanos – e mesmo a própria vida – para obter o mais alto de todos os fins. Tudo isso é intransigência católica e catolicidade intransigente na prática desse puro amor que constitui a caridade suprema. Os santos são os tipos dessa indesviável e sublime fidelidade a Deus, são os heróis da caridade e da religião. Porque há tão poucos verdadeiramente inflexíveis no amor a Deus em nossos dias, há poucos compromissados na ordem da caridade. A caridade liberal é condescendente, carinhosa, até mesmo suave na aparência, mas no fundo é um desprezo essencial ao verdadeiro bem do homem, aos supremos interesses da verdade e por fim a Deus. É o amor do homem a si mesmo, usurpando o trono do Altíssimo e exigindo a adoração que pertence a Deus somente.”
(D. Félix Sardá y Salvany, El Liberalismo Es Pecado via Blog Spem in Alium [grifos meus])

Ó vem, ó vem, Emanuel!

Hoje inicia-se a Semana Santa de Natal. Como presente, segue um belíssimo hino do século XII, em uma interpretação em inglês e logo abaixo a tradução em português (feita por D. Henrique). Tenha um Feliz e Santo Natal!!

Ó vem, ó vem, Emanuel!

Redime o cativo Israel

Que geme em triste exílio e dor

Privado do Filho Redentor!

 

Exulta! Exulta! Eis o Emanuel

Nascido por ti, ó Israel!

 

Ó Sapiência, Autor do bem,

Em tua glória ao mundo vem

O teu caminho revelar

E a prudência nos ensinar.

 

Ó vem, ó vem sagrado Adonai!

Que em grande glória no Monte Sinai

Por entre nuvens como um rei

Nos deste, Justo, a santa Lei!

 

Ó vem, depressa Raiz de Jessé

E aos servos teus renova a fé;

Que possam o inferno dominar

E sobre a morte triunfar!

 

Vem, Chave de Davi, ó vem

E abre o céu de todo o bem!

Suprema glória nos darás

E o negro Inferno fecharás!

 

Ó vem, Oriente, iluminar

E nossa noite vem dissipar!

Da luz eterna esplendor,

Afasta as sombras do terror!

 

Ó vem, não tardes, Rei das Nações,

Vem Redentor dos corações!

Contigo a culpa se desfaz

E os teus servos encontram a paz!

Sois toda bela, ó Maria…

Sois toda bela, ó Maria, e mancha não existe em Vós.
Como é bela, como é suave, nas delícias, a Vossa Imaculada Conceição!
Vinde, vinde do Líbano;
vinde, vinde, Vós sereis coroada!

Avançais como a aurora resplandecente,
Vós trazeis as alegrias da salvação.
Por meio de Vós, levantou-se o Cristo Deus,
Sol da Justiça, ó brilhante Porta da Luz!

Como o lírio entre os espinhos,
Assim, entre as jovens, Vós sois a Virgem abençoada.
As Vossas vestes brilham e são brancas como a neve,
O Vosso rosto é como o sol.
Jardim fechado, Fonte selada, Mãe de Deus
e Paraíso da Graça!

A chuva cessou e desapareceu,
o Inverno foi-se e as flores surgiram.
E Sobre a Terra uma voz se fez ouvir,
tão doce voz, voz das pombas.

Voai até nós, ó pomba infinitamente bela!
Levantai-vos, apressai-vos e vinde!

(Oração do século XIV)

Direto de: Vida Espiritual Católica

É Advento

«Aí vem o esposo» (Mt 25, 6). Cristo, o nosso esposo, pronuncia esta  palavra. Em latim, o termo «venit» contém em si dois tempos do verbo: o passado e o presente, o que não impede de visar também o futuro. É por isso que vamos considerar três vindas do nosso esposo, Jesus Cristo. Quando da primeira vinda, Ele fez-Se homem por causa do homem, por amor. A segunda vinda tem lugar todos os dias, frequentemente e em muitas ocasiões, em todos os corações que amam, acompanhada de novas graças e de novas dádivas, consoante a capacidade de cada um. A terceira vinda é aquela que terá lugar no dia do Juízo ou na hora da morte. [...]
O motivo por que Deus criou os anjos e os homens foi a Sua bondade infinita e a Sua nobreza, uma vez que Ele quis fazê-lo para que a beatitude e a riqueza que Ele próprio é sejam reveladas às criaturas dotadas de razão e para que estas possam saboreá-Lo no tempo e usufruí-Lo para lá do tempo, na eternidade. 

O motivo por que Deus Se fez homem foi o seu amor imenso e o infortúnio dos
homens, pois eles estavam alterados pela queda do pecado original e eram incapazes de se curarem dele. Mas o motivo por que Cristo realizou todas as Suas obras na terra não apenas segundo a Sua divindade mas também segundo a Sua humanidade é quádruplo, a saber: o Seu amor divino que não tem fim; o amor criado, ou caridade, que possuía na Sua alma graças à união com o Verbo eterno e graças à dádiva perfeita que Seu Pai Lhe fez; o grande
infortúnio em que se encontrava a natureza humana; e, por fim, a honra de Seu Pai. Eis os motivos da vinda de Cristo, o nosso esposo, e de todas as Suas obras.

(Bem-aventurado Jan van Ruusbroec  – 1293-1381)(www.evangelhoquotidiano.com.br)

Nesta vida não temos cidade permanente. Chegará o dia que incluso «as potências celestes serão abaladas» (Lc 25,26). Bom motivo para permanecer em estado de alerta! Mas, neste Advento, a Igreja acrescenta um motivo muito bonito para nossa gozosa preparação: certamente, um dia os homens «verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem, com grande poder e glória» (Lc 25,27), mas agora Deus chega à terra com mansidão e discrição; em forma de recém-nascido, até o ponto que «Cristo viu-se envolto em fraldas dentro de um presépio» (São Cirilo de Jerusalém). Somente um espírito atento descobre neste Menino a magnitude do amor de Deus e sua salvação (cf. Sal 84,8).

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (evangeli.net/evangelho)

Na sua primeira vinda foi envolto em panos na manjedoura. Em sua segunda vinda, ele é revestido de luz como de um vestuário.
Na sua primeira vinda ele suportou a cruz, desprezando a vergonha, ele virá uma segunda vez em glória acompanhado dos exércitos de anjos.
Não é suficiente para nós, então, de se contentar com o que vem primeiro, temos de esperar na esperança da sua segunda vinda. Quando dissemos em sua primeira vinda, "Bendito o que vem em nome do Senhor ‘, vamos repetir a sua última vinda …

(São Cirilo de Jerusalém – Primeiro Domingo do Advento, Liturgia das Horas)

Porque somos amigos da cruz

Grandeza do nome Amigo da Cruz

A. Este nome é grande e glorioso

“Chamai-vos Amigos da Cruz. Como é grande este nome! Confesso-vos que ele me encanta e deslumbra. É mais brilhante do que o sol, mais elevado que os céus, mais glorioso e mais pomposo que os títulos mais magníficos dos reis e dos imperadores. É o grande nome de Jesus Cristo, a um tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem; é o nome inequívoco de um cristão.

B. Mas quantas obrigações encerra!

“Entretanto, se seu brilho me encanta, seu peso não me espanta menos. Quantas obrigações indispensáveis e difíceis contidas neste nome e expressas por estas palavras do Espírito Santo: ‘Sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo que Deus formou’ (I Pedro, 2,9).

“Um Amigo da Cruz é um homem escolhido por Deus, entre 10 mil que vivem segundo os sentidos e a razão para ser unicamente um homem todo divino e elevado acima da razão, e todo em oposição aos sentidos, por uma vida e uma luz de pura fé e por um amor ardente pela Cruz.

“Um Amigo da Cruz é um rei todo-poderoso e um herói triunfante do demônio, do mundo e da carne em suas três concupiscências. Pelo amor às humilhações, esmaga o orgulho de Satanás; pelo amor à pobreza, triunfa da avareza do mundo; pelo amor à dor, amortece a sensualidade da carne.

“Um Amigo da Cruz é um homem santo e separado de todo o visível, cujo coração está acima de tudo quanto é caduco e perecível, e cuja conversa está no Céu; que passa pela Terra como estrangeiro e peregrino; e que, sem lhe dar o coração, a contempla com o olho esquerdo e com indiferença, calcando-a com desprezo aos pés.

“Um Amigo da Cruz é uma ilustre conquista de Jesus Cristo crucificado no Calvário, em união com sua Santa Mãe; é um Benoni ou um Benjamim, filho da dor e da dextra, gerado em seu dolorido coração, vindo ao mundo por seu lado direito atravessado e coberto da púrpura de seu sangue. Dada a sua extração sangrenta, só respira cruz, sangue e morte ao mundo, à carne e ao pecado, para estar totalmente oculto, aqui na Terra, com Jesus Cristo em Deus.

“Enfim, um perfeito Amigo da Cruz é um verdadeiro porta-Cristo, ou antes, um Jesus Cristo, de maneira que possa, em verdade, dizer: ‘Vivo, mas não eu, é Jesus Cristo que vive em mim’ (Gal. 2, 20).

C. Exame de consciência sobre essas obrigações

“Sois, por vossas ações, meus queridos Amigos da Cruz, aquilo que vosso grande nome significa? Ou, pelo menos, tendes verdadeiro desejo e vontade verdadeira de assim vos tornardes, com a graça de Deus, à sombra da Cruz do Calvário e de Nossa Senhora da Piedade? Entrastes no verdadeiro caminho da vida, que é o caminho estreito e espinhoso do Calvário? Não estareis, sem o pensar, no caminho largo do mundo, que é o caminho da perdição? Sabeis bem que há um caminho que parece ao homem reto e seguro, e que conduz à morte?”.  (São Luiz maria Grignion de Montfort)

______________________

Fonte:http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=714BE63B-3048-560B-1C5922C848A5399C&mes=Fevereiro1999

Levantai-vos, Soldados de Cristo!

Levantai-vos, soldados de Cristo!
Eia, avante! na senda da glória;
Desfraldai no pendão da vitória
O imortal Coração de Jesus.
 
Não nascemos senão para a luta;
De batalha amplo campo é a terra;
É renhida e constante esta guerra,
Apanágio dos filhos de Adão.

 

No combate esforçados, valentes.
Não temais, ó soldados de Cristo;
O triunfo será nunca visto,
Se souberdes cumprir Sua lei.

Amparai-vos no escudo da graça,
fortaleza circunde vossa alma;
Pela fé no senhor, vossa palma;
É segura na eterna mansão.

É Jesus nosso Rei soberano;
Seu amor de atrai-nos não cessa,
De vencer, dá-nos firme promessa,
E prepara fiel galardão.

Oh! segui este Rei tão amante
O estandarte divino, glorioso;
Contra as forças do inferno teimoso
Ele só à vitória conduz.

De Jesus Coração sacrossanto
Guardai pura esta santa bandeira
No combate esperança fagueira;
Do triunfo seguro penhor.

(Hino do Apostolado da Oração)

Panorama theme by Themocracy