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Vida de oração e missão

Sem categoria | Posted by lino
fev 18 2010

Hoje temos muitas tarefas: somos convidados a exercer muitos ministérios, e fazemo-lo certamente com muita dedicação, com entusiasmo, mas, porém, nem sempre alcançamos os frutos desejados, talvez, porque não tenhamos a coragem de parar um pouco para orar! Aonde vamos parar? É a pergunta que nos devíamos fazer, mas que não temos coragem para tal. Levantamos às pressas, tomamos café já saindo, falando ao celular, etc, despedimo-nos da família fugazmente e corremos para o trabalho. São as nossas obrigações, os nossos deveres, os nossos compromissos! Naturalmente que com estes “aperitivos”, o trabalho não nos pode correr bem. Estamos já cansados antes de começar as nossas tarefas. Por isso não admira que estajamos mal humorados, e que de um momento para outro nos irritamos e discutimos com os colegas e familiares. Não é isto que se repete, infelizmente, quotidianamente, na nossa vida? Mas como se isso ainda não fosse suficiente, à noite repete-se a mesma cena, e no dia seguinte… Talvez, nos sirva de consolação, constatar que também Jesus estava sempre correndo de um lado para outro. De fato, São Marcos, apresenta-nos Jesus dedicado totalmente à sua misão evangelizadora, o que contrasta com o retirar-se para um local isolado para orar. Jesus fá-lo com frequência, habitualmente, diríamos, no Evangelho. S. Marcos menciona três vezes a oração de Jesus. Nas duas primeiras vezes são em momentos de explosão da popularidade, e o perigo de messianismo político, farisaísmo, como quem deseja ser visto por outros, e a terceira é no momento culminante da sua missão: a aceitação da vontade do Pai, com a consequente morte na Cruz. Além destes três momentos Marcos no seu Evangelho mostra-nos o Jesus orante, quando exorta os seus discípulos à oração, e quando lhes ensina como orar. Como o corpo não vive sem a respiração, a alma não se sustém sem a oração (parafraseando João Paulo II). Orar em Jesus, tal como aparece nos Evangelhos, é uma atitude, algo habitual como pregar ou respirar; algo necessário e ordinário que brota da sua postura perante a vida. Ver Jesus que se retira a orar é o melhor incitamento e convite à oração. Compreender a vida de Jesus, a sua atitude diante de Deus, a natureza e os homens, é um convite à oração. A oração em Jesus é como uma necessidade, como uma atmosfera que envolve a sua vida e a sua missão. É algo que Jesus faz sem qualquer alarido. Retira-se para o monte ou para o descampado para orar, ao amanhecer ou ao pôr do sol. Busca o encontro com Deus Pai no silêncio. Não sabemos se Jesus recitava longas orações, mas talvez não, pois Ele critica os fariseus por fazerem longas orações, e diz aos discípulos que não é necessário usar muitas palavras. Persuade os seus seguidores da conveniência da oração, mas só quando um discípulo Lhe pede que os ensine a orar, é que Jesus o faz, ensinando-lhes a oração do Pai-nosso, compêndio da oração cristã. Para Jesus a vida e a história não se compreendem sem Deus, que é um Pai, o Pai (Abba), nosso Papai (cf. Pe Quinha). É este o pano de fundo da oração de Jesus, expresso nas orações que nos deixou. Em Jesus isto não é uma pose nem uma atitude meramente intelectual, ou um desejo de imitar um mestre ou um guia espiritual, mas sim um modo de ser e de viver. Por isso todo o que tenha a mesma atitude de Jesus perante a vida, sente a necessidade de orar. É este o ensinamento chave da oração de Jesus. A oração de Jesus está intimamente unida à sua missão. Nos momentos mais transcendentes, delicados e decisivos da sua vida encontramo-Lo sempre em oração. Retira-se para o deserto antes de iniciar a sua vida pública, dedica uma noite inteira à oração antes de escolher os apóstolos, na Transfiguração, e antes da sua Paixão… Jesus necesitava de orar nos momentos decisivos da sua vida e da sua missão. Jesus não orava unicamente para nos dar o exemplo mas enquanto homem também necessitava da oração para levar a cabo a missão que o Pai lhe confiara. Hoje temos muitas tarefas; somos convidados a exercer muitos ministérios, e fazemo-lo certamente com muita dedicação, com entusiasmo, mas, porém, nem sempre alcançamos os frutos desejados, talvez, porque não tenhamos a coragem de parar um pouco para orar. Como falar de alguém ou levar esse alguém a todos os lugares se não O conhecemos?