Tomai, Todos, e Comei, Isto é o Meu Corpo; Tomai, Todos, e Bebei: Isto é o Meu Sangue -O texto original da Eucaristia e aprofundamento

 

Lembremos primeiramente o que é MANDUCAÇÃO?

 

—        Os judeus comiam a carne da vítima (um animal) para participar dos seus méritos (mérito de dar a vida), tendo seus pecados purificados pelo sacrifício do animal. A Cruz de Cristo e a Eucaristia seguem o mesmo raciocínio.

—        O sacrifício também era ato de renúncia aos pecados.

—        A pessoa que oferecia o sacrifício reconhecia que seus pecados faziam-no merecer a morte; em lugar de sua vida, oferecia a do animal.

 

Presença Real de Jesus na Eucaristia, em corpo e sangue, alma e divindade

 

 

—        1º) Quando Jesus disse “Isto é o meu corpo”(Mc 14,22b) muito provavelmente usou o termo “carne=basar”, que, em hebraico/aramaico, indica a pessoa por inteiro, e não só o corpo físico. Jesus revelou estar dando a totalidade do seu ser: corpo, sangue, alma e divindade.

—        Obs.: BASAR – hebraico aramaico – pela mentalidade judaica significa SER POR INTEIRO. SARX – grego – a tradução é pobre, significam tecidos e células – o que não exclui a Presença Real de Jesus no discurso dele na Última Ceia, mas empobrece o significa da Eucaristia – podendo gerar conotação antropofágica, o que não é o caso.

 

—        2º) Quando Jesus disse “isto é o meu sangue” (Mc 14,24) usou “sangue =dam” que tem um caráter sagrado, significa “vida” e tem ligação direta com Deus, o único “Senhor da vida”.

—        ”11. Pois a alma da carne está no sangue, e dei-vos esse sangue para o altar, a fim de que ele sirva de expiação por vossas almas, porque é pela alma que o sangue expia.(Lv 17,11)”; “23. Mas guarda-te de absorver o sangue; porque o sangue é a vida, e tu não podes comer a vida com a carne” (Dt 12,23). O sangue era usado no altar para expiação dos pecados. Para o homem, significa toda sua VITALIDADE EXISTENCIAL. Ora, Jesus  ao dizer “Isto é o meu sangue” também oferecia toda sua pessoa, neste momento, também, 2ª Pessoa da SS.Trindade, Pessoa Divina.

 

O Discurso do Pão da Vida  (Jo 6, principalmente v.22-71)

 

—        Nos vv.1-15 mostra-se o poder de Deus sobre o mistério da Eucaristia (a multiplicação dos pães) e nos vv.16-21 demonstra-se o poder de Jesus sobre o corpo e os elementos da natureza.

—        Em particular, Jesus propõe, nos vv.51-71 que o pão será a verdadeira carne de Cristo, penhor da vida eterna, e não mera representação, teatro ou alegoria, como afirmam os protestantes.

—        Além das passagens anteriores que afirmam que a EUCARISTIA É JESUS, não representa, o que diz Jo 6?

 

Verbos interessantes no texto original…

 

—        51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. 52. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer (phagein) a sua carne? 53. Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54. Quem come (ho trogon) a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. 55. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. 56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.”

—        No v.52 os judeus indagaram como Jesus poderia dar sua carne para comer. A expressão usada foi PHAGEIN, em grego. Jesus respondeu e insistiu na literalidade de seu discurso, – não era alegoria ou figuração – utilizando expressão ainda mais forte, o verbo TROGÔ, que significa  mastigar, dilacerar com os dentes, num realismo extremo.

 

 

 

Jesus manteve sua posição,  mesmo após vários ouvintes o abandonarem (v.66):

 

57. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. 58. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.59. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.60. Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir?61. Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza ?62. Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?…63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.64. Mas há alguns entre vós que não crêem… Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair.65. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido.66. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele.67. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos?68. Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!” (Jo 6,57-69)

 

O segredo está no v.63: 63. O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.

 

—        Jesus apenas tratava de remover um entendimento grotesco de suas palavras. Não se tratava de comer carne humana (isto não santifica o homem) nem de comer a carne do Senhor em condições terrestres (como o canibalismo), mas de receber a carne de Cristo GLORIFICADA, EMANCIPADA DAS LEIS DO ESPAÇO E DO TEMPO. É a carne nestas circunstâncias que Jesus chama de “espírito”, é espírito porque está toda penetrada na Divindade (na verdade, é a Divindade de Jesus que, mediante a carne, vivifica os fiéis na Eucaristia e não a carne humana de Jesus). Por isto, Jesus ao dizer “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” não se referia somente a carne, mas a totalidade de seu ser, corpo e sangue, alma e divindade (como já vimos). Na própria Bíblia, no Novo Testamento, temos noção de corpo glorificado, corpo-espírito ou corpo espiritual.  Não deixa de ser corpo, Jesus não é incoerente, trata-se de um corpo emancipado das leis do espaço e do tempo, ressuscitado.

 

—        20. Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,21. que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.” (Fl 3,20-21)  Em 1 Cor 15,41-44 é chamado de corpo espiritual.

 

Paulo confirma  em 1 Cor 11, 26-30

 

26. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais(?) a morte do Senhor, até que venha.
27. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. 28. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice.
29. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.
30. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos.

 

Se o pão eucaristizado não fosse o próprio Jesus, por que isto “condenaria”, se consumido indignamente?

 

Fazei isto em minha memória!” (Lc 22,19b)

 

—        Como no texto de Paulo, esta lembrança é lembrança, porém trata-se de uma “recordação” misteriosa…

—        Jesus usa nesta frase no original, MEMÓRIA=ANAMNESE e não MNEMONE. ANAMNESE significa RECORDAR TORNANDO PRESENTE O MESMO ACONTECIMENTO. MNEMONE é simples recordação de fatos passados.

—        O ritual que Jesus fez foi um memorial ZIKKARÔN, e não simples ritual simbólico.

—        A Última Ceia é repetida, renovada, mas o Sacrifício na Cruz não. Ele se torna PRESENTE (sem multiplicar) através dos tempos, de maneira incruenta (ou sacramental) o único sacrifício de Cristo oferecido cruentamente no Calvário no início de nossa era.

—        ESTÁ NA PALAVRA! JESUS ESTÁ REALMENTE PRESENTE NA EUCARISTIA!

—        MISTÉRIO DA FÉ, MAS REAL!

 

 

 

 

ANAMNESE, como Jesus determinou em Lc 22,19b!

 

—        CIC 1383: A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do Sacrifício Eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo que se ofereceu por nós.

—        Cristo é o Sacerdote Único que se oferece como Vítima Única e Perfeita em uma oblação definitiva ( Hb 4,14; 6,20; 7,21-28; 9,11-14.25-28; 10,12-14; manducação). Repetir o sacrifício seria fazer a mesma coisa com os muitos sacrifícios animais do Antigo Testamento.

—        A oferta de Cristo tem valor infinito/eterno, jamais se extinguirá, capaz de expiar todos os pecados, passados, presentes e futuros, da humanidade (Hb 4,14; 7,27; 9,12.25-28; 10,12.14).

 

As ações de Jesus, como seu sacrifício na Cruz, são eternas, humano-divinas (teândricas).

 

—        O tempo é uma criatura de Deus e não apaga as ações de Jesus, que é Deus. Tendo um sacerdote ministerial e um altar, atestam que a realidade do Calvário está presente (ao vivo) em cada missa, sem se repetir (CIC 1085).

—        A Eucaristia é, sem separar, o memorial sacrificial que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor (CIC 1382).

—        A Eucaristia é PRESENTE SUPREMO, VIDA ETERNA, CÉU NA TERRA, ALIMENTO, RAIO DA GlÓRIA DA JERUSALÉM CELESTE PARA ILUMINAR A HISTÓRIA E O NOSSO CAMINHO, RESGATE PARA A SALVAÇÃO.

 

Resumindo…

 

—        1) Usou o verbo SER, não representar; (SIMPLES! Esta afirmação resume toda a palestra).

—        2) Isto é meu corpo (basar=ser por inteiro) Mc 14,22b;

—        3) Isto é meu sangue (dam=força vital) Mc 14,24;

—        4) Fazei isto em memória de mim! (anamnese=recordar tornando presente o mesmo acontecimento). O ritual é ZIKKARÔN, não mero simbolismo.(Lc 19,22b)

—        5) Jesus confirma que seu corpo deverá ser TROGÔ, mastigado, dilacerado com os dentes, num realismo extremo, dizendo que seu corpo seria uma verdadeira comida e seu sangue, verdadeira bebida. Não é simbolismo, é realidade!(Jo 6,51-56)

—        6) Jesus declara que o que comungamos não é um simples corpo mortal, mas um corpo glorioso, mas corpo. Não é simbolismo, representação. Suas palavras são espírito e vida!(Jo 6,63)

—        6) Mesmo com discípulos O abandonando, Jesus manteve o discurso de que o pão seria seu Corpo e o vinho, seu Sangue(Jo6,66s). Manteve com convicção a PRESENÇA REAL.

—        7) A Transubstanciação

—        O Magistério da Igreja reafirma, logicamente, a presença real de Cristo na Eucaristia. Esta presença é professada como conseqüência da transubstanciação do pão e do vinho, ou seja, da conversão da substância do pão e do vinho no corpo e no sangue de Jesus. Deus cria tudo do nada, produz todo o ser. Na Eucaristia acontece a conversão de todo o ser, convertendo toda a substância, ou conversão substancial ou, simplesmente, transubstanciação. É preciso dizer que o pão e o vinho, em sua realidade íntima (substância), deixam de ser pão e vinho para se tornar realmente o corpo e o sangue de Jesus. Em suma, aparentemente são pão e vinho, mas SUBSTANCIALMENTE, com valor transcendental (que ultrapassa o mero plano físico), SÃO o próprio corpo e sangue glorificados de Jesus Cristo. Não é representação, trata-se de SER, não de REPRESENTAR. Mistério da fé, poder de Deus!

—        8) Paulo chega a dizer que quem não distinguir, ou seja, crer que o pão eucarístico é Jesus, se condenará caso comungue indignamente. E conclui dizendo que muitos estão doentes e alguns, até mortos, porque não crêem na Presença Real de Jesus na Eucaristia, no Pão Eucarístico.(1 Cor 11,26-30)

 

Jesus, eu creio, mas aumentai a minha fé!

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