Maria em Garabandal (aparição ainda não confirmada pela Igreja)

Garabandal, ou melhor, San Sebastián de Garabandal, é uma pequena povoação aninhada numa prega das montanhas cantábricas – a imensa cordilheira que percorre o norte da Espanha, próxima ao mar Cantábrico, do qual toma o nome.

Em 1961, quando esta narrativa começa, tinha em torno de 300 habitantes, distribuídos por umas 80 casas de pedra. Duas escolas municipais, uma para meninos, outra para meninas, davam às crianças algumas noções mais rudimentares, suficientes para o tipo de vida que seria o delas. Os meninos, uma vez crescidos, iam trabalhar no pastoreio do gado ou na lavoura, ou então nas minas de carvão. As meninas, na idade aproximada de 14 anos, quando terminavam o período escolar, iam servir de guias aos burricos que transportavam o feno, o estrume e as colheitas. Cada dia elas galgavam as altas montanhas, em caminhadas que lhes tomavam algumas horas, para levar a refeição aos pais e irmãos.

Quase totalmente isolada, seu único canal de ligação com o resto do mundo era então uma trilha pedregosa e cheia de grandes curvas, que descia até Cosio, sete quilômetros de distância, sede da paróquia. Dali, seguindo-se em direção ao norte, podia-se alcançar Torrelavega, Bilbau e, finalmente, vencidos uns 90 quilômetros, chegava-se à cidade portuária de Santander, no Golfo de Gasconha, capital da província e residência do bispo diocesano.

Nesse ambiente agreste, as famílias viviam, e vivem ainda hoje do produto das fincas, as minúsculas lavouras cultivadas nas encostas, mas principalmente do pastoreio do gado. De manhã, é comum ver-se alguém da família sair de casa cedo, tangendo suas vacas escuras e pacatas para as regiões mais altas, onde se encontram as áreas de pasto. Os que ficam, além das tarefas domésticas, dedicam-se à colheita do feno para a alimentação dos animais no inverno.

É uma vida pobre e austera, fortemente marcada pelas estações, pelo sol e pela neve. Nenhum dos confortos que hoje se encontram na maioria dos agrupamentos humanos, ali se conhece. As casas não têm água encanada, e o único aquecimento nos duros invernos é o fogão. Supermercados, lojas, cinema, televisão, telefone, automóvel, simplesmente não existem. Não há um único motor em toda a vila. Energia elétrica, só por algumas horas da noite. Toda a comida, incluído o pão, vem de Cosio, em lombo de burro.

Religiosidade

Apesar de ser uma vila paupérrima, a religiosidade de sua população era notável. Diariamente, pelo anoitecer, uma senhora percorria as ruazinhas de pedra e terra, tocando uma sineta, lembrando a todos o dever de rezarem pelos falecidos. Pouco depois, vestidas de preto, lenço ou mantilha na cabeça, as mulheres se dirigiam à Igreja, onde rezavam o terço e as ladainhas. Ou então a via-sacra. À frente, correndo e brincando, íam as crianças, e atrás, caminhando vagarosamente, alguns homens.

Nos fins de semana, sempre que possível, o padre Valentim Marichalar, pároco de Cosio, enfrentava a cavalo a rampa de 600 metros para celebrar a missa e ouvir algumas confissões. (Menos afortunado era o médico que, na falta de um cavalo, subia a pé, atendendo aos raros chamados, pois aqueles montanheses, endurecidos pela rude vida que levavam, raramente adoeciam).

A religiosidade deste povo era assim reconhecida por um velho padre de Covadonga, que noutros tempos, na ausência do pároco, tinha subido várias vezes até a vila, para dirigir as orações. “Eram muito devotos – conta ele. Rezavam o terço diariamente. Juntavam-se na igreja à noite, e ninguém faltava, homens, mulheres e crianças. Quando me contaram que ali aparecia a Virgem, eu disse para mim mesmo: Se não fosse ali, onde haveria de ser?”.

Eis, em rápidas pinceladas, o cenário onde, dentro em breve, começarão a desenrolar-se acontecimentos que ultrapassam a imaginação humana. Acontecimentos tão insólitos que, de repente, virão arrancar Garabandal da sua apagada vida de cada dia, para projetá-la nas páginas dos jornais do mundo inteiro e atraindo para lá o bulício e a inquietação de milhares de romeiros. O silêncio de suas pacatas ruelas, quebrado apenas pelos cincerros das vacas, ficará bem logo povoado pelos comentários de multidões de visitantes e de frases em francês, inglês, português, italiano, alemão…

E o resultado de tudo isto é a história impressionantemente doce que tentaremos reconstruir aqui, uma espécie de conto de fadas para o nosso tempo, o que levou o papa Paulo VI a exclamar: “Garabandal é a mais bela história da humanidade, depois do nascimento de Jesus”.

Os Videntes

As Protagonistas são quatro humildes e tímidas meninas, bem típicas daquele ambiente montanhoso. Seus nomes:

Maria Concepción González (Conchita), com 12 anos. Morena, cheia de vida e coragem, é a única filha da viúva Aniceta, com mais três irmãos mais velhos: Serafim, Aniceto e Miguel.

Jacinta González González, também com 12 anos, filha de Simeão e Maria, um casal de fé inabalável, porém paupérrimo.

Maria Dolores Mazón (Loli), com 12 anos, Segunda das 12 filhas de Zeferino e Júlia. Zeferino era o representante do prefeito, que morava em Puentenansa.

Maria Cruz González Garrido (Mari-Cruz), de 11 anos, gênio mais introvertido e família menos religiosa. Filha de Escolástico e Pilar.

Apesar de três delas terem o sobrenome González, não são parentes.

O desenvolvimento intelectual das quatro podia ser considerado atrasado de dois ou três anos, em relação às meninas da cidade, o que se explica por nunca terem saído de sua pequena vila. Entretanto, psicólogos, psiquiatras, teólogos e moralistas, espanhóis ou estrangeiros, concordam em atestar que eram garotas normais, sadias e sinceras. Um encanto de singeleza e candura, que às vezes chegava a raiar pela ingenuidade.

O palco está armado, as personagens a postos. Só falta o sinal do céu para o cenário se abrir. E o sinal veio pelo findar de um Domingo – 18 de junho de 1961. Eis como tudo começou.

Naquela tarde, como de costume, terminado o terço, que aos domingos se dizia logo depois do almoço, os maiores se reuniam na pracinha de terra batida e ali ficavam comentando o bem pouco que havia a comentar, num ambiente onde nada aconteciA de importante. Falavam no gado, na situação dos pastos e na chuva.

Logo adiante, as quatro meninas também passavam seu tempo brincando. De repente, uma idéia atrevida cruza pela cabeça de Conchita, que a lança no ouvido de Mari-Cruz. Que tal sair de mansinho, pular a cerca e chegar até a macieira do Professor Francisco Gómez? E, sem mais, correm para lá, escondendo-se, fugindo aos olhares das amigas. A macieira, com seus galhos quase encostando no chão, encontrava-se num pomar, à beira de uma vereda escarpada e pedregosa, conhecida com calleja, isto é, ruazinha, que dava acesso, lá no alto, a um mirante, povoado por um pequeno bosque de 9 pinheiros, plantados, em tempos idos, pelo avô de Conchita.

“Uma vez ali – prossegue Conchita – pusemo-nos a colher maçãs. Divertimo-nos como doidas, quando chegaram Loli, Jacinta e Gínia, que vinham à nossa procura. Vendo-nos apanhar maças, Jacinta se pôs a gritar:

- Conchita, você roubando maçãs?

- Cala essa boca! – respondi. Se a mulher do professor te ouve, com certeza vai contar à mamãe.

Então eu me escondi no meio das batateiras, e Mari-Cruz saiu correndo.

Não adianta fugir, Mari-Cruz – exclamou Loli – nós já te vimos e vamos contar ao professor.

Mari-Cruz então voltou para junto de mim, e saímos do nosso esconderijo para nos reunirmos às outras. Nisto chamaram a pequenina Gínia, e ficamos só nós quatro. Refletimos um pouco… e voltamos juntas a pegar mais maçãs. No momento em que mais nos divertíamos, ouvimos a voz do professor. Vendo os galhos balançarem daquele jeito, pensou que fossem as ovelhas e falou à mulher: “

“Concesa, dê uma reparada no pomar. Parece que as ovelhas estão avançando na macieira. ( O professor era coxo e caminhava com dificuldades). Nós começamos a rir. E, com os bolsos bem cheios de maçãs, saímos correndo para comê-las mais tranqüilamente na calleja. “

O Trovão

“Estávamos justamente comendo as maçãs – conta ainda Conchita – quando ouvimos um ruído como de trovão, e todas a um tempo exclamamos:

Parece que troveja.”

Deve ter sido um trovejar meio estranho. Embora acostumadas a ouvir esses estrondos em pleno silêncio da natureza, naquele dia lhes pareceu diferente. Tanto mais que, ao olharem na direção da Peña Sagra – um imponente maciço de 2.042 metros, que fecha por um lado o horizonte de Garabandal, e que muitas vezes aparece coroado de escuras e pesadas nuvens, de onde geralmente vêm as trovoadas – nada viram de especial. Que teria sido?

O ardente sol de verão já se inclinava sobre o horizonte, e todos os relógios da Espanha estavam prestes a dar às vinte e meia.

Nas quatro pequenas pecadoras, que acabavam de vir de uma aventura nada santa, aquele misterioso trovão soava como uma voz de Deus.

-Que desgraça! – exclamou Conchita. – Agora que comemos as maçãs roubadas, o demônio deve estar contente.

-E nosso anjo da guarda, bem triste. – acrescentou outra.

Conchita então lançou uma nova idéia:

-Para consolar ao angelín, vamos atirar pedras no diabo.

E na sua ingenuidade de pequenas montanhesas, juntaram umas pedras e começaram a dispará-las “com toda a força para a esquerda, lá onde achávamos que devia estar o diabo”.

A Visão

Cansadas de atirar pedras “e com a consciência mais tranqüila, resolvemos jogar cinco-marias”. Essa tranqüilidade, porém, não durou muito, diante de algo estranho e terrificante que logo as dominou. É a própria Conchita que relata em seu Diário, iniciado em setembro de 1962: “De repente apareceu-me uma figura muito bonita, envolta numa luminosidade que em nada me feria a vista”. Sua cabeça caiu para trás, com os olhos fixos nas alturas. “Jacinta, Loli e Mari-Cruz, ao me verem nesse estado, pensaram que me tivesse dado um ataque, porque eu, de mãos juntas, repetia: ‘Ai! Ai! Ai!’ Quando elas, apavoradas, iam chamar minha mãe, aconteceu o mesmo a elas”.

Levantando os olhos na direção indicada por Conchita, exclamaram juntas:

O anjo!

Houve um curto silêncio, mergulhadas todas na mesma contemplação, e o anjo se desvaneceu.

A visão durou meia hora sem dizer uma palavra. No entanto, era com esta presença silenciosa que começava a história “mais maravilhosa da humanidade, depois do nascimento de Jesus”.

O relato de Conchita vem completado pelo de João Álvarez Seco, comandante da guarda civil: “Umas meninas – conta ele -, que também brincavam por perto, ao verem as quatro naquela estranha posição, puseram-se a jogar-lhes pedras; então o anjo se afastou uns 50 metros acima da mesma calleja. Uma vez ali, enquanto durava sua posição estática de joelhos, quis passar por entre elas um morador da vila, que vinha do lado de cima, do monte, com um favo de mel na mão; vendo que não se arredavam para o deixar passar, e sem se aperceber do que estava acontecendo, ficou aborrecido com a ‘pouca atenção daquelas gaiatas’. Depois de cruzar por elas, virou-se para trás e fitou-as mais atentamente. E grande foi a sua surpresa ao verificar que continuavam na mesma posição. Conta ele que, de noite, quase não conseguiu dormir, pensando naquilo tudo que lhe parecia tão estranho”.

Na verdade o Anjo iria preparar os videntes para mais tarde o encontro com a Virgem Maria, que iria passar-lhes as Profecias sobre o Final dos Tempos.

A Virgem Imaculada

Dois de julho. Conforme o calendário litúrgico de então, comemorava-se nesse dia a festa da visita de Maria à sua prima Isabel, quando – segundo o evangelho de Lucas – ela “se dirigiu às pressas para as montanhas de Judá” (1,39). Eis que também agora ela se põe a caminho das montanhas, desta vez para visitar seus filhos, num cume perdido da cordilheira cantábrica. E ali, naquele povoado de pastores irá estabelecer sua morada por bem quatro anos; ali irá viver sua “segunda vida nesta terra”, como dirá o papa Paulo VI. Com efeito, serão mais de duas mil aparições e manifestações, para demonstrar sua presença real.

Apresenta-se sob o título do Carmelo, confirmando assim a devoção que consagra o mês de julho a Nossa Senhora do Carmo, cuja festa se comemora no dia 16.

Nesse Domingo, depois do terço, as meninas desceram em direção a Cosio para receber os irmãos de Conchita, que chegavam de viagem. Mas no meio do caminho tiveram de voltar, pois o público que afluía à vila as reconheceu por fotografias e não as deixaram ir adiante.

Para sorte delas, vinha subindo um Land Rover, um dos poucos carros em condições de enfrentar aquelas rampas, e as convidaram a embarcar. Encontraram as ruas abarrotadas de forasteiros, entre os quais, onze padres, vários médicos e um abade. “Eram aproximadamente seis da tarde quando iniciamos a caminhada em direção à calleja, seguidas por todos. Tão logo começamos a rezar o terço, apareceu a Santa Virgem, ladeada por dois anjos. Um era São Miguel. O outro não conhecemos”.

São Miguel. Ouvimos aqui, pela primeira vez, o nome do misterioso anjo que, ao longo dos 14 dias anteriores, conversava com as meninas. E hoje ele voltava escoltando sua Rainha.

“Ambos vestiam da mesma maneira e pareciam gêmeos. Ao lado do anjo da direita, à altura da Virgem, vimos um olho de tamanho grande; parecia o olho da Deus”.

“As pessoas – conta ainda – nos rodeavam para abraçar e perguntavam o que ela tinha dito – ao menos algumas, porque a maioria não acreditava no que falávamos. As que acreditavam diziam que era como uma mãe que não vê as filhas já muito tempo. E então as filhas lhe contam tudo… Em seguida nos levaram à sacristia, onde um padre chamado Francisco Odriozola nos interrogou individualmente”.

O retrato

E como era a Senhora de luz que lhes aparecia? – todos queriam saber. E elas tentavam explicar da maneira que podiam. Seu pobre dicionário de rudes expressões, porém não era muito próprio para expressar coisas capazes de pôr em apuros até as inteligências mais iluminadas. Limitavam-se pois a traçar-lhe o retrato: ela “vem com um vestido branco, manto azul e uma coroa de pequenas estrelas douradas. Não se lhe vêem os pés. As mãos são afiladas, e no pulso direito usa um escapulário de cor marrom. Seu cabelo é comprido, castanho-escuro, ondulado e com um risco no meio. O rosto de forma oval, o nariz alongado e fino. A boca muito bonita, com lábios cheios. O rosto é de uma tonalidade levemente morena, porém mais clara que a do anjo. Sua voz é maravilhosa. Uma voz incomum, que não consigo descrever. Não há mulher que se pareça com a Virgem, nem na voz, nem em nada. Às vezes traz o Menino Jesus, bem bebezinho ainda, como um recém-nascido. Tem o rostinho redondo, da mesma cor que o da Mãe, uma boquinha pequena, cabelinho louro um tanto comprido e uma roupa em forma de túnica azul. A Virgem parece ter 18 anos”.

O aviso

Quanto ao Aviso, as referências iniciais datam de 1º de janeiro de 1965. Neste dia, Conchita se encontrava sozinha nos pinheiros, quando a Virgem lhe comunicou que daria uma última mensagem ao mundo, a qual iria encerrar o ciclo de Garabandal. A seguir, transmitiu uma mensagem particular, que ela prontamente comunicou ao padre Laffineur. Diz o seguinte:

“O Aviso que a Virgem vai nos enviar é à maneira de castigo, para aproximar os bons mais de Deus e para advertir os demais. Em que consiste o Aviso, não posso revelar. A Virgem me pediu para manter em segredo. Queira Deus que, graças a esse Aviso, nos emendemos e cometamos menos pecados contra ele.”

Causará mortes? – perguntou-lhe por escrito Laffineur.

Se morremos – foi a resposta -, não será pelo fato do Aviso em si, mas pela emoção que teremos ao vê-lo e senti-lo”.

“Palavras simples, precisas e muito claras – comenta Laffineur -. Deviam bastar, como deveriam ter bastado as da Irmã Lúcia, de Fátima, quando, em 1938, escrevia ao seu bispo: ‘Creio que aquilo a que chamam de aurora boreal é justamente o sinal que a Virgem me deu de que os acontecimentos profetizados estão próximos’. Tais acontecimentos fizeram mais de 26 milhões de mortos”.

Sobre a natureza do Aviso, temos ainda esta explicação de Conchita à tia Maximina, que ela depois consignou por escrito: “Disse-me que um dia iríamos sofrer um desastre horrível. Em todas as partes do mundo. Ninguém escapará. Os bons, para se aproximarem mais de Deus; os outros, para se emendarem. Seria preferível morrer a suportar, por cinco minutos que fosse, o que nos espera”.

“Já a sua realização será um novo motivo de credibilidade, anunciá-lo e reafirmá-lo a todos é a solicitude mais fraterna que podemos ter para com o mundo”, aconselha o padre Laffineur.

“Se eu não conhecesse o Castigo que está por vir – continua Conchita, explicando à jovem Angelita -, diria que não há castigo maior do que o Aviso. Mas ele durará bem pouco tempo”.

“Será horrível em grau máximo – explica ainda. Ah, se eu pudesse contá-lo a vocês como a Virgem me contou a mim! Ele é um fruto dos nossos pecados. Pode produzir-se de um momento para outro; eu espero-o todos os dias. Se soubessem o que é, ficariam horrorizados!”.

Por que não o torna público, para que o saibam todos os que vêm aqui? – pergunta-lhe alguém.

Estou cansada de dizer, ninguém faz caso.

Dias mais tarde, voltam ao assunto:

Conchita, desde que me fez estas confidências, penso muitas vezes no céu.

Eu também – responde a vidente. De modo especial quando vou para a cama. Tenho muito medo de que aconteça durante a noite. Não nos damos conta da medida com que ofendemos ao Senhor. A Virgem me disse que todos sabem da existência do inferno e do céu. Mas pensam nisto apenas por medo e não por amor a Deus. Por culpa dos nossos pecados, seremos nós mesmos a causa da natureza do Aviso.

Outros esclarecimentos encontramos nas respostas a um questionário de 14 de setembro de 1965:

“O Aviso é uma coisa que vem diretamente de Deus. Será visível no mundo inteiro, qualquer que seja o lugar onde alguém se encontre. Será como que a revelação (interior a cada um) dos nossos pecados. Vê-lo-ão e sentirão tanto os crentes quanto os não crentes de todos os países”. E mais: “É como uma purificação para o Milagre. É como uma catástrofe. Fará com que pensemos nos mortos, ou seja, que prefiramos estar mortos a sofrer o Aviso”.

Quando aos efeitos sobre o íntimo de cada um, Conchita explica: “O Aviso será uma correção de consciência do mundo… O Senhor o enviará para nos purificar, a fim de podermos apreciar melhor o Milagre, pelo qual nos prova claramente o seu amor”.

Uma senhora, depois de ouvir as explicações de Conchita lhe observou:

“Sabe-se que está se aproximando da terra um cometa. Não será isto o Aviso?

“Não sei o que é cometa. Mas se é alguma coisa que depende da vontade dos homens, não. Se, porém, depende de Deus, é possível.”

“Saímos em direção à igreja” – prossegue aquela senhora – e Conchita me pegou pelo braço. Eu lhe disse:

“Conchita, reze por mim, tenho medo, muito medo.

“Sim, o Aviso é terrível! Mil vezes pior que terremotos”.

A senhora empalidece.

“Qual é a natureza do Aviso?” – pergunta.

“Será como fogo. Não queimará a nossa carne, mas o sentiremos no corpo e no espírito. Todas as nações e todas as pessoas o sentirão da mesma forma. Ninguém escapará. E mesmo os não crentes conhecerão o temor de Deus. Mesmo que te metas em casa e feches a porta e os postigos, não escaparás; sentirás e verás, apesar de tudo. Sim, é verdade que a Virgem me disse o nome do fenômeno. Este nome existe no dicionário. Começa com A. Mas me pediu para não revelar.

Conchita, estou com tanto medo!

Sorrindo, ela pegou a amiga pelo braço:

Sim, mas depois do Aviso, você amará muito mais a Deus.

Um aspecto complementar das declarações de Conchita nos é fornecido por Jacinta, em fevereiro de 1976: “O Aviso será de muito curta duração, alguns minutos; mas esse pouco de tempo se nos tornará tremendamente longo, pela dor que nos causará… Virá sobre nós como um fogo do céu, que repercutirá profundamente no interior de cada um. À sua luz veremos com toda a clareza o estado da nossa consciência, ‘vivenciaremos’ o que significa perder a Deus, sentiremos a ação purificante de uma chama abrasadora. Em resumo, será como passar pelo juízo particular ainda em vida, na intimidade de cada um”.

Esta purificação tem por fim nos deixar em forma para o Milagre; de outra maneira, como poderíamos resistir à sobre-humana e maravilhosa experiência que haveremos de ter no Milagre? Talvez fosse por não ter passado previamente pelo Aviso que ocorreu a morte do padre Luís Andreu, horas depois de ter contemplado aquilo que nem as meninas ainda viram.

O Milagre

Desde julho de 1961, os espectadores recomendam às meninas que peçam à Virgem um grande milagre, capaz de convencê-los a crer nas suas aparições sem qualquer sombra de dúvida. As meninas apresentam esta súplica, e cada vez com mais insistência, tanto ao anjo quanto à Virgem. E notam que cada vez o rosto dela se torna bem sério, como se lhe repugnasse manipular o prodígio, seja porque o milagre interfere de certa maneira na liberdade do homem (diante do qual, este geralmente não tem outro remédio a não ser inclinar-se), seja porque obriga Deus a abrir uma exceção na ordem das coisas por ele mesmo estabelecida. Em cada ocasião ela responde: “acabarão acreditando”. Não obstante, promete uma série de sinais, a maioria das vezes de natureza estelar, que culminarão com um de maior ressonância: o da hóstia visível, já conhecido.

Na noite de 5 de agosto de 1961, os presentes ouvem Mari-Cruz em êxtase falar: “Veja, a gente não crê… Crê apenas que estamos loucas ou somos umas tontas. Vamos, faça um milagrezinho! Nem que seja pequeno, para que creiam. Nem que seja deslocar três estrelas”.

A senhora Fernández, naquele dia presente em Garabandal com seu filho afetado de paralisia infantil, conta: “Diante do espanto geral, porque a maioria ignorava a causa daquilo, três estrelas fugazes atravessaram juntas o firmamento”. Cruzaram-se, nos dizem outras testemunhas. Nos dia 8 de agosto do mesmo ano, ouve-se Conchita dizer, em êxtase: “Sabe o que comentam? Que deve dar uma prova… Em Lourdes e Fátima, a senhora deu uma prova”. E Loli: “Dê uma prova neste momento! A Senhora sempre diz que a dará, que virá para dá-la”.

Todos estes pequenos prodígios, assim como os sugeridos daí por diante, vistos apenas por um número restrito de testemunhas, não são mais do que sinais anunciadores do Grande Milagre, que será visto por milhões de pessoas. “A Virgem anunciou-me um grande milagre – confia Conchita ao seu Diário -, que Deus via fazer por intercessão dela. Como o Castigo será muito grande, também o Milagre será muito grande, tal como o mundo necessita”.

Nestas breves referências encontramos a “promessa de um fenômeno visível e sobrenatural, de que o mundo precisa tal como de pão para a boca. O mundo precisa ser abalado nos seus fundamentos racionalistas e positivistas, no seu orgulho tecnológico imbatível. O Milagre responde a essas necessidades e parece apontado à reconversão dos homens, à reconsideração do seu nada diante dos prodígios de Deus”, observa o autor de Garabandal, continuação de Fátima.

“O Milagre de Garabandal – explica a vidente a uma família francesa – será muito maior, muito mais empolgante que o de Fátima. As pessoas que o presenciarem ficarão tão desconcertadas, que nenhuma sairá com dúvida. Seria necessário que o mundo inteiro estivesse presente ao Milagre, porque então não haveria seguramente o Castigo, já que todos creriam”.

Em conversa com Sánchez-Ventura, levanta a ponta do véu que encobre a natureza do Milagre: “Aparecerá no céu um sinal, tão característico e espetacular, que ninguém poderá negar a realidade do prodígio”.

“Durará uns onze minutos e acontecerá às 8 e meia da noite, hora em que o anjo apareceu pela primeira vez. Dele ficará uma marca, um sinal visível permanente nos pinheiros, que provará não ter sido feito por mãos humanas. Estará à disposição de todos os “Tomés” que ainda precisam ver para crer. “Será semelhante a uma coluna feita de uma substância desconhecida, visível mas não palpável. Poderá ser fotografado, filmado, televisionado. Ver-se-á que não é coisa deste mundo. Poderá presenciá-lo todos os que estiverem no povoado e arredores. Os doentes que encontrarem na vila serão curados. Terá lugar numa Quinta-feira, coincidindo com a festa de um jovem mártir da Eucaristia.”

Trata-se, como se vê, de um fenômeno de dimensões planetárias, “o maior milagre já realizado por Cristo em favor da humanidade”. Nem no Antigo nem no Novo Testamento encontramos prodígios de uma tal magnitude, nem no tempo, nem no espaço. Será um daqueles sinais anunciados pelo profeta Joel para os tempos finais: “Realizarei prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e colunas de fumaça” (Joel 3,3-4) e confirmado por Pedro diante do Cenáculo (At2,14-21).

Conchita lhe conhece exatamente a data e a comunicou ao papa Paulo VI, ao confessor dele e ao cardeal Ottaviani, então prefeito do Santo ofício, hoje Congregação para a Doutrina da Fé, e a mais duas pessoas, cujos nomes não revelou.

O Milagre ocorrerá menos de um ano depois do Aviso. Oito dias antes, Conchita começara a divulgar a data. “Com toda a probabilidade – explica à revista “Needles”, – à meia-noite avisarei Joey, a rádio, a televisão e a todas as pessoas que, no mundo inteiro, eu sinta capazes de ajudar a divulgar a notícia rapidamente. Não tenho qualquer receio a este respeito. Sei que se a Virgem te quis ali, ali estarás… A Virgem não mente jamais… Ela disse: te dei tudo o que precisavas; te dei tudo o que podias desejar. Tudo está preparado para chegar ao fim da mensagem”.

O Castigo

A visão do Castigo foi mostrada às videntes em duas noites inesquecíveis na história de Garabandal – 19 e 20 de junho de 1962. Loli e Jacinta saíram juntas para os pinheiros. Fizeram sinal aos presentes que se mantivessem a uma certa distância. Desta vez iam sem o acompanhamento de Conchita.

De repente, soaram gritos de pânico, quando o véu do futuro lhes foi levantado e puderam antever cenas de grande punição. Trêmulas, desceram agitando os braços, com a afastar algo de apavorante.

Eis que, naquele mesmo instante, em sua casa, também Conchita entrava em êxtase. Minutos não eram passados, e chegava o comerciante de Santander, Plácido Ruiloba, visivelmente transtornado pela emoção.

Não ouviram os gritos das meninas? – perguntou. – Foi espantoso!

A cena se repetiria na noite seguinte, agora com a presença também de Conchita. “Soltavam uns gritos impressionantes” – atesta Eloísa Roza. Diziam: ‘Espere! Espere! Que se confessem todos! Ai! Ai!’. A gente começou a pedir e a pedir-se perdão publicamente”.

O superior de um convento franciscano de Santander, frei Félix Larrazábal, convidado para realizar a festa do corpo de Deus, que naquele ano de 1962 caía em 21 de junho, encontrava-se presente no meio do povo. Ouvindo aqueles gritos medonhos – conta ainda Eloísa – “se pôs a rezar em voz alta, e nós o acompanhamos… Mas bastava parar um instante para que as meninas, da maneira mais angustiante, voltassem a chorar e a gritar… acalmando-se de novo quando prosseguia a oração”.

Não podem imaginar

O êxtase terminou pelas 2 da madrugada. “Então elas vieram para onde estava a gente” – relata Maria Herrero -, “com o rosto inundado de lágrimas. Pediram a todos que se confessassem e comungassem, pois iria acontecer uma coisa horrível… A mãe de Jacinta que, ao ouvir os primeiros gritos, tinha tentado em vão chegar até a filha, estava trêmula. Conta ter passado tanto medo, que não conseguia mais dormir”.

Seis anos mais tarde, o conhecido pedreiro da vila, Pepe Díez, lembraria assim aquelas noites: “Sem querer bancar o valentão, posso dizer que nunca tive medo. Ando de noite por qualquer beco da vila e até pelos caminhos mais afastados. Nunca experimentei qualquer sobressalto. Porém naquelas noites dos gritos, reunidos ali no escuro, ouvindo à distância o choro e os lamentos das meninas, senti me tremerem as pernas de tal maneira que os joelhos batiam um contra o outro, sem poder me controlar. Não podem imaginar o que foi aquilo. Nunca vi coisa igual”.

Apesar do adiantado da hora, ninguém se mexeu. “Continuamos rezando o terço com o padre até às 6 da manhã, quando ele se dirigiu à igreja, seguido por todo o povo. Começou então o desfile das confissões… com uma sinceridade e um arrependimento verdadeiramente extraordinários” – conclui Eloíza Roza.

Nem podia ser de outra maneira, depois daquela preparação comunitária e personalíssima. Ao ouvir os gritos das meninas, todos puderam sentir experimentalmente aquilo que, em geral se conhece apenas por palavras: o “Santo temor de Deus”, que é um Dom do Espírito Santo, e que a Bíblia coloca como o “começo da sabedoria” (Sl 110,10).

Sobre essa noite existe uma curta mensagem, assinada por Loli e jacinta. Apesar da linguagem infantil, ela entremostra o que experimentaram: “A Virgem disse que nós não esperamos o Castigo, mas ele virá sem o esperarmos. Porque o mundo não mudou; e com esta vez ela já o disse duas vezes. E que nós não lhe prestamos atenção, porque o mundo está pior. Tem que mudar muito, e ainda não mudou nada. Preparem-se e confessem-se, que o Castigo virá em breve e o mundo continua na mesma. Que pena que não muda! Em breve virá o castigo, muito grande, se não mudar”.

Assombrosa coincidência

Uma descrição mais elucidativa encontramos nesse texto de Loli, entregue ao padre mexicano Gustavo Morelos, fundador do Legião Branca de Nossa Senhora do Carmo: “Embora continuássemos vendo a Virgem, começamos a ver também uma grande multidão, que sofria muito e gritava com a maior angústia… Depois ela nos fez ver como chegará, para toda a humanidade, o grande Castigo, e que esse virá diretamente de Deus… Num determinado momento, nenhum motor ou máquina funcionará. Uma terrível onda de calor se abaterá sobre a terra, e os homens começarão a sentir uma grandíssima sede; buscarão desesperadamente água, mas essa, devido ao grade calor, se evaporará. Então quase todos cairão no desespero e tentarão matar-se uns aos outros; mas a força lhes faltará e cairão por terra. Será o momento para compreenderem que é Deus precisamente quem está permitindo isto.”

“Por fim, vimos uma multidão de pessoas envoltas em chamas. Corriam a jogar-se nos mares e nos lagos; porém, ao entrarem na água, essa parecia ferver e, em vez de apagar as chamas, era como se as ativasse ainda mais. Era tão terrível que pedi à Virgem para levar consigo as nossas crianças, antes de isto acontecer. Mas ela nos disse que então já serão grandes”.

A descrição de Conchita igualmente faz referência ao fogo: “Vi o Castigo e posso garantir-lhes que, se ele acontecer, será pior do que se estivéssemos envoltos pelo fogo; pior do que se tivéssemos brasas debaixo dos pés e em cima da cabeça”.

Tempos depois, falando a um grupo de norte-americanos que chegava em peregrinação a Garabandal, Conchita voltava ao assunto assim: “A Virgem fará o Milagre para evitarmos o Castigo, embora o Castigo não possa ser evitado, porque perdemos até o senso do pecado. Agora chegamos a um tal extremo, que Deus terá de nos castigar.”

“Por uma assombrosa coincidência” – observa ainda Pérez – “as palavras de Conchita, a inculta adolescente das montanhas, conferem com aquelas outras de dois brilhantes espíritos da nossa época: o papa João Paulo II e o escritor e filósofo Maurice Clavel, recém-convertido.”

“O homem contemporâneo – constata o primeiro – descobre a ameaça de uma impassibilidade espiritual e ainda da destruição da consciência. Esta morte é algo mais profundo que o pecado: é a morte do senso do pecado”.

Da mesma forma, Clavel: “É a primeira vez que, na história e na política do nosso mundo, o pecado não mais representa uma imperfeição que é preciso corrigir ou limitar em suas conseqüências; antes, pelo contrário, chegou a ser a mola, o motor, o princípio ativo, a alma mesmo da sociedade humana”.

“O homem de hoje – observa ainda o Papa – se encontra diante de tentações e ameaças do mal tão grandes como, indubitavelmente, nunca experimentou até hoje”.

Palavras sobre as quais Pérez tece estas considerações: “É o mal que se empoleira na cúpula do seu triunfo quando chega a conseguir que o homem, negando-se a si mesmo de maneira individual ou coletiva, se auto destrua física, intelectual, espiritual ou moralmente, em nome da sua independência, da sua libertação ou da sua desesperança.”

Extraido do livro: Garandal os Tempos Finais, de Olivo Cesca

Extraído do site http://www.cruzgloriosa.com.br . Visite esta maravilha! Lá poderá encontrar outros relatos pormenorizados de aparições marianas. Imperdível!

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