O QUE É O “MAGNIFICAT”?- Por Marcos Rocha
O QUE É O “MAGNIFICAT”?- Por Marcos Rocha
Magnificat é um canto de louvor de Maria a Deus. É a primeira palavra latina deste canto e significa “engrandece”. A importância deste canto é tanta que a Igreja o coloca como cântico evangélico na oração da tarde, de todos os dias, na Liturgia das Horas. Trata-se, como já dito, de um canto de louvor entoado por Maria, após a saudação de Isabel, onde nossa Mãe louva a Deus pela obra realizada nela e em todo o povo de Deus. Analisando atentamente este texto bíblico, notamos que Maria parece consciente de sua grandeza, mas, como humilde Serva do Senhor, a transfere para Deus, reconhecendo, pois, sua pequenez, e dobrando-se diante do mistério do Deus sempre eterno e misericordioso.
No Magnificat, Maria sabe relacionar sua maternidade divina e messiânica com as promessas antigas, feitas a Abraão e à sua descendência, ligando, assim, o favor de Deus operante nela ao cumprimento de tais promessas. O canto possui algo próprio dos salmos e encontramos recordações de vários livros do Antigo Testamento, como dos profetas, do Pentateuco e dos Livros Sapienciais. Tem muita semelhança, quanto a sua forma, com o cântico de Ana, mãe de Samuel (1 Sm 2,10), mas diferencia-se pelo fato do canto desta representar um grito de triunfo diante de seus inimigos. Maria, contudo, de forma humilde, contempla as obras do Senhor e toda sua misericórdia. Este canto mariano é semelhante ao de Jesus, quando Este entoa com alegria o retorno da missão dos 72 discípulos (Lc 10,17-21) e lembra também o canto de graças de Is 62,10-11, considerado o Magnificat do AT.
O canto de louvor mariano se divide em duas partes: a primeira (vv 46-50) se relaciona com a situação pessoal de Maria, enquanto que a segunda mostra o sentido pleno, para Israel, de que Deus realizou a promessa. O Magnificat é um verdadeiro mosaico de citações ou alusões bíblicas, como escreve Dom João Evangelista, bispo auxiliar de Brasília, autor de um brilhante estudo sobre o canto. Muitos dizem que Maria, por ser uma simples mulher judia, não poderia ter composto tal canto, mas os que assim raciocinam estão se esquecendo dos desígnios de Deus e de sua eterna benevolência para com os humildes. Nas palavras do canto, os valores do mundo são alterados: os pobres e humildes serão exaltados, os soberbos, derrubados de seus tronos, os ricos, despedidos de mãos vazias. Observe atentamente a equivalência dos versículos com passagens de outros livros bíblicos:
• 46 – Sl 33,3(34); 68,31(69)
• 47 – Sl 34,9(35); 105,21(106); Hab 3,18
• 48 – 1Sm 1,11; Ml 3,12; Gn 30,13
• 49 – Sl 70,19(71); 98,3(99); 110,9(111); 125,2(126); Is 57,13; Dt 10,20
• 50 – Sl 88,2(89); 102,17(103); Ex 20,6; Dt 5,10
• 51 – Sl 88,11(89); 2Sm 22,28; Is 51,9
• 52 – Ecl 10,14-15.17; Sl 146,9(147); 1Sm 2,7
• 53 – 1Sm 2,5; Sl 33,11(34); 106,9(107);Jó 22,9
• 54 – Gn 12,3; 13,15
• 55 – Gn 17,7; 18,18; Sl 131,11(132); 2Sm 22,51
Maria nos ensina grandiosamente as coisas de Deus! A PAZ DE CRISTO E O AMOR DE MARIA!
Fonte: A Bíblia de Jerusalém, Concílio Vaticano II, Revista Atualização.
