POR QUE ME CONFESSAR COM PADRE SE POSSO ME CONFESSAR DIRETAMENTE COM DEUS ?
POR QUE ME CONFESSAR COM PADRE SE POSSO ME CONFESSAR DIRETAMENTE COM DEUS ?
RECONCILIAÇÃO E PENITÊNCIA
Falar de Reconciliação e Penitência, para os homens e mulheres de nosso tempo, é convidá-los a reencontrar, traduzidas na sua linguagem, as próprias palavras com que nosso Salvador e Mestre quis iniciar a sua pregação: Convertei-vos e acreditai no Evangelho”, ou seja, acolhei o anúncio jubiloso do amor, da adoção como filhos de Deus e, conseqüentemente, da fraternidade.
Quem não tem pecado?
Ò São João nos escreve: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós próprios e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nosso pecados, Ele que é fiel e justo perdoar-nos-á os pecados”.
Ò Por isso e próprio São João escreve pouco depois: “Se nosso coração de alguma coisa nos acusa, Deus é maior que nosso coração”.
O Sacramento da Reconciliação e Penitência
Ò A palavra sacramento tem origem no termo latino sacramentum que corresponde ao termo grego mystêrion. Mystêrion não tem a conotação de mistério, no sentido de misterioso ou segredo. Seu sentido é oculto, inefável, grandioso, incompreensível. O plural de mystêrion é mystêria. Por isso, a Santa Igreja Católica também chama os sacramentos de Santos Mistérios;
Ò O termo sacramentum é formado por dois outros termos:
É a) sacra: significa sagrado ou santo; e
É b) mentum: de memorale, memória não no sentido de lembrança, mas de tornar novamente presente, repetido.
Ò Os sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual. Realizam eficazmente a graça que significam em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo;
Ò O Sacramento da Penitência está classificado como um dos Sacramentos de Cura (o outro é a Unção dos Enfermos);
Ò Chama-se sacramento da Conversão, pois realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão, o caminho de volta ao Pai, do qual a pessoa se afastou pelo pecado;
Ò Chama-se sacramento da Penitência porque consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do cristão pecador;
Ò É chamado sacramento da Confissão porque a declaração, a confissão dos pecados diante do sacerdote é um elemento essencial desse sacramento. Num sentido profundo esse sacramento também é uma “confissão”, reconhecimento e louvor da santidade de Deus e de sua misericórdia para com o homem pecador;
Ò Também é chamado sacramento do perdão porque pela absolvição sacramental do sacerdote Deus concede “o perdão e a paz”.
Onde surgiu?
Ò Desde a fundação da Igreja. João Batista foi o sinal que anunciou como seriam os novos tempos: as pessoas, espontaneamente, vinham a ele e pediam o perdão pelos seus pecados e João os batizava como sinal desta conversão do coração;
Ò Na tarde do domingo da Ressurreição, Jesus deu aos apóstolos, e só a eles, o poder de perdoar. E quem não fosse perdoado pelos apóstolos, não seria perdoado:
Ò “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados [por Deus], aqueles a quem não perdoardes os pecados, não serão perdoados [por Deus]” (Jo 20,22-23)
“Tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu” (Mt 16,19);
Ò Na igreja primitiva, antes de receber o batismo, a pessoa devia se confessar comumente em voz alta. Depois da confissão, passavam um tempo em penitências, e só então que recebiam o perdão dos pecados no sacramento do batismo. Voltar a pecar depois de batizado era considerada uma coisa grave, gravíssima! Um batizado, pecando! Que escândalo! Se um batizado cometesse pecados graves e se confessasse e pecasse de novo, era afastado da Igreja (excomungado), até que se arrependesse de verdade, e fosse reintegrado;
Ò Assim, nós sabemos que as primeiras comunidades cristãs pediam aos apóstolos o perdão dos pecados. Mas como seria possível ao apóstolo conceder o perdão sem saber se a pessoa está arrependida? Então, era preciso ao apóstolo saber o que foi que a pessoa fez, e verificar se ela estava arrependida;
Ò A maneira que se usava de saber se a pessoa estava arrependida era de pedir à pessoa que, voluntariamente, se fizesse passar por uma humilhação pública, como os “castigos” que se dá nos jogos infantis. Se o apóstolo, percebendo a humilhação auto-imposta da pessoa, via que o seu arrependimento era sincero, concedia a absolvição;
Ò Depois que os apóstolos morreram, seus sucessores legitimamente ordenados continuaram este serviço. Entretanto a forma de ministrar o perdão foi amenizando com o passar dos tempos. A confissão, de pública, passou a ser secreta, e a penitência, que durava meses ou anos e era humilhante, passou a ser feita na forma de esmolas aos pobres ou orações.
Por que me confessar a um homem?
Ò Como foi dito anteriormente, Jesus deu aos apóstolos o poder de perdoar os pecados. O padre é um sucessor dos apóstolos e por isso é o próprio Cristo. Não confessamos nossos pecados ao “homem padre” e sim ao “Cristo padre”; e
Ò Não podemos nos confessar direto com Deus pois, se fizéssemos isto, estaríamos desprezando a Igreja a quem ele deu a capacidade de perdoar. Desprezando a Igreja, estamos desprezando o Corpo de Cristo sacrificado por nós. Desprezando o sacrifício que nos salva, não seremos salvos, e Deus, portanto não nos concede o perdão nestas condições.
O pecado
Ò Segundo Santo Agostinho, o pecado é “uma palavra, um ato ou um desejo contrários à Lei eterna“, causando por isso ofensa a Deus e ao seu amor. Logo, este ato do mal é um “abuso da liberdade” e fere a natureza humana. “Cristo, na sua morte na cruz, revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia“. Há uma grande variedade de pecados, distinguindo-lhes “segundo o seu objeto, ou segundo as virtudes ou os mandamentos a que se opõem.
Ò Podem ser diretamente contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos. Podemos ainda distinguir entre pecados por pensamentos, por palavras, por ações e por omissões“
Ò É o rompimento da aliança com Deus que Jesus fez conosco no Seu próprio sangue.
Ò PECADO MORTAL
É O pecado mortal é um pecado cometido com plena consciência (a pessoa sabe que é errado), pleno consentimento (sabendo que é errado, quer fazer assim mesmo), e que envolva matéria grave; e
É O que é “matéria grave”? São as ofensas que contrariam de maneira direta os mandamentos.
Ò PECADO VENIAL
É Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral; e
É Ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.
É
A Eucaristia e a remissão dos pecados
Ò §1393 A comunhão separa-nos do pecado. O Corpo de Cristo que recebemos na comunhão é “entregue por nós”, e o Sangue que bebemos é “derramado por muitos para remissão dos pecados”. Por isso a Eucaristia não pode unir-nos a Cristo sem purificar-nos ao mesmo tempo dos pecados cometidos e sem preservar-nos dos pecados futuros:
Ò “Toda vez que o recebermos, anunciamos a morte do Senhor“. Se anunciamos a morte do Senhor, anunciamos a remissão dos pecados. Se, toda vez que o seu Sangue é derramado, o é para a remissão dos pecados, devo recebê-lo sempre, para que perdoe sempre os meus pecados. Eu que sempre peco, devo ter sempre um remédio.
Ò §1395 Pela mesma caridade que acende em nós, a Eucaristia nos preserva dos pecados mortais futuros. Quanto mais participarmos da vida de Cristo e quanto mais progredirmos em sua amizade, tanto mais difícil aproximar-nos do pecado mortal. A Eucaristia não é destinada a perdoar pecados mortais. Isso é próprio do sacramento da reconciliação. É próprio da Eucaristia ser o sacramento daqueles que estão na comunhão plena com a Igreja.
Ò §1436 Eucaristia e penitência. A conversão e a penitência cotidiana encontram sua fonte e seu alimento na Eucaristia, pois nela se torna presente o sacrifício de Cristo que nos reconciliou com Deus; por ela são nutridos e fortificados aqueles que vivem da vida de Cristo: “ela é o antídoto que nos liberta de nossas faltas cotidianas e nos preserva dos pecados mortais”.
Ò A CONTRIÇÃO
É Entre os atos do penitente, a contrição vem em primeiro lugar. Consiste “numa dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar no futuro”;
É Quando brota do amor de Deus, amado acima de tudo, a contrição é “perfeita” (contrição de caridade). Esta contrição perdoa as faltas veniais e obtém também o perdão dos pecado mortais, se incluir a firme resolução de recorrer, quando possível, à confissão sacramental;
É A contrição chamada “imperfeita” (ou “atrição”) também é um dom de Deus, um impulso do Espírito Santo. Nasce da consideração do peso do pecado ou do temor da condenação eterna e de outras penas que ameaçam o pecador (contrição por temor). Este abalo da consciência pode ser o início de uma evolução interior que ser concluída sob a ação da graça, pela absolvição sacramental. Por si mesma, porém, a contrição imperfeita não obtém o perdão dos pecados graves, mas predispõe a obtê-lo no sacramento da penitência;
É Convém preparar a recepção deste sacramento fazendo um exame de consciência à luz da Palavra de Deus. Os textos mais adaptados a esse fim devem ser procurados na catequese moral dos evangelhos e das cartas apostólicas: Sermão da Montanha, ensinamentos apostólicos.
É
A CONFISSÃO DOS PECADOS
É Conforme o mandamento da Igreja, “todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar seus pecados graves, dos quais tem consciência, pelo menos uma vez por ano. Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental, a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor. As crianças devem confessar-se antes de receber a Primeira Eucaristia.
A SATISFAÇÃO
É Muitos pecados prejudicam o próximo. É preciso fazer o possível para reparar esse mal (por exemplo restituir as coisas roubadas, restabelecer a reputação daquele que foi caluniado, ressarcir as ofensas e injúrias). A simples justiça exige isso. Mas, além disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, como também suas relações com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as desordens que ele causou. Liberto do pecado, o pecador deve ainda recobrar a plena saúde espiritual. Deve, portanto, fazer alguma coisa a mais para reparar seus pecados: deve “satisfazer” de modo apropriado ou “expiar” seus pecados. Esta satisfação chama-se também “penitência”.
É A penitência imposta pelo confessor deve levar em conta a situação pessoal do penitente e procurar seu bem espiritual. Deve corresponder, na medida do possível, à gravidade e à natureza dos pecados cometidos. Pode consistir na oração, numa oferta, em obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, em sacrifícios e principalmente na aceitação paciente da cruz que devemos carregar. Essas penitências nos ajudam a configurar-nos com Cristo, que, sozinho, expiou nossos pecados uma vez por todas. Permitem-nos também tornar-nos co-herdeiros de Cristo ressuscitado, “pois sofremos com ele”.
O Ministro da Penitência
Como no altar onde celebra a Eucaristia e como em cada um dos Sacramentos, o Sacerdote, ministro da Penitência, age “in persona Chriti”. O mesmo Cristo, por ele tornado presente e que por meio dele atua o mistério da remissão dos pecados, é aquele que aparece como irmão do homem, pontífice misericordioso, fiel e cheio de compaixão, pastor decidido a procurar a ovelha perdida, medico que cura e conforta, mestre único que ensina a verdade e indica os caminhos de Deus, juiz dos vivos e dos mortos, que julga segundo a verdade e não segundo as aparências.
“Haverá mais alegria no céu por um só pecador que se converta, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.”
Lc 15,7
