O músico de Deus é um artista?
Paz e bem da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Com esta pequena pergunta no título deste artigo, podemos considerar muitas coisas. E para podermos definir bem o que é um “artista”, precisamos entender o que é arte. Arte é uma forma de expressão do ser humano, de sua cultura, de sua visão do mundo, do que sente, resultando no exercício do artista, com seus conhecimentos, em uma obra. De uma maneira mais abrangente, vou citar este conteúdo retirado do Wikipedia:
A definição original e abrangente de arte (do latin ars, significando técnica ou habilidade) é o produto ou processo em que conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades; esse é o sentido usado em termos como “artes marciais”. Mas no sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividade artística ou o produto da atividade artística. O que poderia ser o produto final da manipulação humana sobre uma matéria-prima qualquer.
Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que: nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas (A História da Arte, LTC ed.). Ou seja, arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno.
Portanto, Arte pode ser sinônimo de beleza, ou de uma beleza transcendente. Dessa forma o termo passa a ter um caráter extremamente subjetivo, qualquer coisa pode ser chamada de arte desde que alguém a considere assim, não precisando ser limitada à produção feita por um artista. Mas como foi mencionada, a tendência dominante é considerar o termo arte apenas relacionado, diretamente, à produção das artes plásticas.
Depois desta pequena introdução, precisamos voltar nosso foco para o nosso Deus, principal artista e de onde toda expressão de arte encontra a “verdadeira” inspiração. Segue para reflexão e nosso deleite, o link da carta de nosso saudoso Papa João Paulo II aos artistas, de 1999:
O artista cristão, o músico de Deus é responsável por expressar através da música, a experiência de amor de sua relação com o Senhor. De partilhar sua vida comunitária na Igreja em forma de letras e sons. De dar harmonia e equilíbrio a um mundo tão cheio de “barulho espiritual” e levar aos portadores de sua música um encontro pessoal com Deus, na fonte inesgotável de amor e misericórdia.
A música é divina, e podemos encontrar no Antigo Testamento diversas alusões sobre Lúcifer como músico, como regente e maestro de uma celeste orquestra. Daí seu imenso ódio em relação aos músicos de Deus, onde principalmente tenta atacar na sensibilidade aflorada do mesmo. Por isso a música que transmitimos não pode ser somente algo intimista, precisa ser reflexo de nossa intimidade com Deus, nossa vivência nos Sacramentos e Liturgia, nossa assiduidade na oração pessoal e na adoração ao Santíssimo Sacramento, na obediência ao Magistério da Igreja.
Muitos músicos me perguntam se é necessário ouvir música secular para poder ser bom tecnicamente, para poder aprender mais. Eu digo que na sua essência toda música é boa e pode nos levar ao transcendente, a Deus. Mas é necessário o discernimento para ver qual contexto as músicas nos transmitem. Não faz sentido eu ouvir um rock com uma letra ou banda satânica com o intuito de aprender alguma coisa. Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.
É necessário nos dias de hoje, que nossa música seja feita com maestria, com esmero. Precisamos ser artistas de Deus, sem arrogância e orgulho, lembrando sempre que somos canais da graça, por onde o rio de unção de Deus passa, e transborda sobre os portadores de nossa música. Somos artistas sim, somos os portadores da arte que vem de Deus, transmitida em forma de letras e notas musicais. Somos os frágeis vasos de barro que levam a Água viva do Espírito Santo àqueles que são sedentos e necessitados de ouvir a Boa Nova de Jesus Cristo em forma de canções.
Fiquem na Paz do Ressuscitado!
Colaboração: Armando Ferreira






