Ser sal e luz nos relacionamentos

Não podemos exigir do outro apenas atitudes de perfeição

Podemos achar que estabelecer um relacionamento duradouro é algo impossível de ser vivido. Por isso, corremos o risco de considerar que viver separados, no nosso mundinho, é a melhor opção. Pensamos que viver isolados é a melhor opção quando deparamos com as dificuldades próprias das situações com as quais vivemos. Apesar de convivermos com pessoas a quem amamos, nem por isso outros sentimentos deixaram de existir. Continuamos a sentir raiva, impaciência, incompreensão e alguns desses sentimentos, quando aflorados, provocam os abalos em nossos convívios. Temos dificuldades na amizade, no namoro, no casamento e também na relação com os filhos. São crises que assolam a nossa vida, mas a boa notícia é que nenhuma delas são eternas. Pouco a pouco, vamos aprendendo a enfrentar aquilo que nos coloca em xeque.

Você pode se lembrar de situações que pareciam difíceis e que você até chegou a pensar que não iria aguentar, mas elas passaram, já não fazem mais parte desse tempo. Mas, elas passaram por que você se esqueceu delas? Não. Elas passaram porque você aprendeu uma maneira de contornar e superar o problema. Todas as crises são passageiras somente quando você aprende a trabalhar com elas. No entanto, diante delas [crises], o mundo quer nos mostrar o caminho mais fácil para enfrentar essas situações ensinando-nos a descartar pessoas que nos trazem dificuldades. Contudo, quem se isola não cresce, não progride, nem amadurece.

As pessoas, por saberem que estamos nos esforçando na caminhada, muitas vezes, nos julgam por não conseguirem ver em nós alguém que elas idealizaram. Muitas vezes, fantasiam um personagem longe da nossa realidade. Mas o que elas querem ver na verdade? João Paulo II, no livro “Words of inspiration”, nos responde: O mundo quer ver Jesus em você! “Muitos sabem o que você faz e o admiram e o valorizam por isso. Mas a sua verdadeira grandeza está naquilo que você é. O que você é na essência talvez seja menos conhecido e pouco entendido. Essa verdade só pode ser compreendida à luz da nova vida, revelada em Cristo. Somente n’Ele você será uma nova criatura“.

E como podemos fazer com que esse novo homem se revele à luz dessa nova vida? Todos nós temos alguém a quem admiramos. Eu admiro o senso de responsabilidade e de compromisso que meus pais têm. Mas apenas admirar essas virtudes de alguém em nada vai repercutir em minha vida. Então porque eu os admiro, eu quero imitá-los. Essa nova vida revelada não compreende apenas o conhecer um Jesus histórico, mas o meu ser precisa imitá-Lo.

Em que momento, nas Sagradas Escrituras, encontramos alguma ação de Jesus em que Ele condena aquele que ia ao Seu encontro? Se nós fizermos o esforço de imitar essa atitude do Senhor – de não condenar ninguém – já estaremos deixando o “novo homem” emergir com as características de quem precisa ser sal e luz em nossos relacionamentos.

Sabemos que não somos perfeitos e, ao entendermos que um relacionamento acontece numa “via de mão dupla”, precisamos estar atentos para não exigir do outro somente atitudes de perfeição, quando reconhecemos em nós os mesmos defeitos trazidos pelo outro.

Precisamos ser cheios do Espírito Santo

O que é ser batizado do Espírito Santo? Desde seu batismo, Deus está em você. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão em você. Mas não basta, pois é preciso que esse Deus, que está em você, venha à tona.

De que adianta você ter um poço e não tirar água dele? Da mesma forma, de nada adianta Deus estar em você se Ele não se manifestar em sua vida. O batismo no Espírito Santo é isso: o Espírito, que já está em você, vem à tona. Como disse Jesus: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,38b).

A partir do batismo no Espírito Santo, tudo começa a mudar! “Mandas teu espírito, são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104,30).

Essa renovação da face da terra começa a partir da nossa renovação, dia após dia. Essa renovação é carismática, pois é feita com as armas mais poderosas de Deus: os carismas, os dons do Espírito Santo. É só abrir o livro dos Atos dos Apóstolos e veremos quantas maravilhas!

Por intermédio das mãos dos apóstolos as pessoas eram curadas de todos os tipos de doenças: cegueira, lepra… Por isso, multidões abraçavam a fé e vinham para Jesus. Como Ele, os apóstolos também faziam milagres. O maior de todos, porém, o grande milagre, era a transformação das pessoas.

Aqueles homens que levavam uma vida totalmente pagã, longe de Deus, reconheciam o Deus vivo e verdadeiro, reconheciam Jesus e se voltavam para Ele. A Palavra era anunciada e o Espírito Santo era derramado.

Esse é o propósito de Deus para cada um de nós. Não basta ser católico, ser padre ou religioso, ir à igreja e participar da Santa Missa. Também não basta ter um trabalho pastoral na paróquia. Aliás, para fazer tudo isso, e com eficácia, para que as pessoas sejam tocadas e transformadas, é preciso que cada um de nós seja cheio do Espírito Santo.

Ser batizado no Espírito Santo é isso: permitir que Ele, que já está em nós, realize os mesmo feitos que realizava nos primeiros cristãos, na Igreja primitiva. Permitir que o Ele nos transforme e nos renove.

Posso testemunhar: Deus está me transformando. Este é o primeiro passo. Mas, além disso, Ele está me usando nas pregações, para tocar as pessoas, para convertê-las e trazê-las para Jesus, curá-las e libertá-las. Ele me usa para afastar jovens das drogas, da prostituição e da vida errada, para unir famílias e levar palavras de sabedoria àqueles que delas precisam.

Nada sou. É Deus que me usa e faz de mim o que Ele quer. Esta é a consequência do batismo no Espírito Santo: Deus começa a nos usar com uma eficácia única, eficácia divina!

Na verdade, o Espírito Santo já está em você. A questão não é de merecimento ou grau de santidade, como pensam alguns. Você recebeu o Espírito Santo em seu batismo, em sua crisma. Com a terra acontece a mesma coisa: no fundo dela há veios, lençóis de água. É preciso perfurá-la até atingi-los. Logo que isso acontece, a água sobe com toda a força.

Para que aconteça o batismo no Espírito Santo, é preciso apenas perfurar a rocha que, infelizmente, se criou em cada um de nós. Quando a região onde está o Espírito Santo é atingida, Ele vem com toda a força. Foi o que aconteceu em Pentecostes.

Por que as pessoas gritam?

No olhar é possivel ler a alma de quem se ama

Uma das promessas mais belas de toda a revelação é quando Jesus nos afirmou: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23).

No Antigo Testamento, Deus acompanhava o povo de Israel nas brigas e no caminho pelo deserto; na conquista de Canaã assim como no desterro de Babilônia. Deus Pai fez contruir um templo em Jerusalém, onde Ele sempre estaria presente com Seu povo.

De qualquer maneira, no Novo Testamento, Deus não está com Seu povo, mas em Seu povo; Deus não está conosco, senão dentro de nós, como a alma de nossa própria alma, e n’Ele vivemos, nos movemos e existimos (cf. At 17,28). “Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós” (I Cor 3,16).

Uma professora de matemática perguntou aos seus alunos:

- Por que as pessoas gritam quando estão bravas?

O grupo ficou pensativo por um momento.

O primeiro respondeu:

- Eu grito quando os outros me desesperam.

- Sim, respondeu a professora. Mas, por que grita se a outra pessoa está tão perto de você? Por que não pode falar em voz baixa?

Continuaram as respostas, mas nehuma satisfazia a professora. Enfim, ela explicou:

- Quando duas pessoas estão bravas, seus corações se distanciam, criando uma grande distância entre elas. Para cobrir este vazio, precisam de gritos, pois não escutam nem são escutadas.

A professora, com lógica matemática, continuou:

- Por outro lado, quando duas pessoas se apaixonam, não levantam a voz. Falam baixinho, porque seus corações estão perto um do outro. A distância tem sido superada. Não precisam gritar, porque um está dentro do outro. E até se olham em silêncio para ler a alma nos olhos da pessoa amada.

Deus está dentro de nós. Por isso, quando Jesus nos convida a orar, nos diz para entrarmos na morada profunda de nosso interior, onde encontraremos a presença divina. Muita gente é incapaz de fazer essa viagem, que é a mais importante da geografia da vida; percorrer o interior de nós mesmos, onde Deus tem feito Sua morada. Somos santuários do Espirito, onde Ele mora e atua por meio de nós (cf. I Cor 6,19). Por isso, não precisamos gritar; basta uma atitude de contemplação. O falar-lhe em voz baixa significa, então, que sabemos que Ele nos escuta, porque habita em nosso coração.

Senhor, sou consciente que Tu moras no mais íntimo do meu ser e, com coração sereno, quero no dia de hoje descobrir e experimentar que estás muito mais perto de mim do que imagino. Que não somente estás comigo, ao meu lado, mas que estás em mim.

Quero, Senhor, em silêncio, com uma voz suave, falar Contigo, porque sei que me escutas, pois estás dentro de mim. Fizeste Tua morada em mim e sou o templo onde Tu habitas. Por isso, já não preciso gritar, mas, com sons inefáveis (cf. Rm 8,26), quero entrar em comunhão Contigo até o ponto de guardar silêncio e estar em contemplação permanente por Tua presença em mim, porque és a alma da minha alma. Amém

Maio: mês de Maria

É um convite para voltarmos os nosso olhar a esta Mãe

As referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o Seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar. Para que se compreenda a presença da Virgem Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica à Mãe de Deus aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: “Os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias”. Era, pois, a predestinada nos planos divinos.

Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer isso. A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é, de fato, a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.

Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo, José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isso ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.

O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “Uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu Filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-Lo após três dias, queixa-se amorosamente: “Por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na Paixão e Crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do Redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.

Maio, mês dedicado a Nossa Senhora, pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-lhe que abra as mãos maternas em bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.

Nos braços da misericódia

Quando podemos abandonar nossa impotência

A misericórdia é uma realidade de que todos necessitamos, a qual somos convidados a exercer cotidianamente. Em virtude da fragilidade que nos configura – por ora desfigurando… – como parte do que somos, a misericórdia precisará ser sempre nossa companheira de viagem.

Ninguém é perfeito e ninguém consegue ser bom em tudo. Muitas vezes, não seremos coerentes com o que somos e cremos, e acabaremos errando com os outros e com nós mesmos.

Isto é fato: a contradição sempre nos perseguirá em nosso caminho de vida. Por isso, seremos melhores e mais completos não quando não errarmos mais – vivendo como anjos –, mas quando apreendermos a acrescentar, no dia a dia de nosso vocabulário, as palavras “perdão” e “misericórdia”.

Sempre acabaremos errando em alguma coisa, e para vivermos com qualidade, precisaremos cotidianamente pedir perdão: a Deus, aos outros e a nós mesmos. Sem a humildade, que nos faz conhecer a nossa não onipotência diante do mundo, nunca cresceremos realmente, pois nos tornaremos escravos do orgulho, que nos faz acreditar que o problema está sempre fora de nós (no outro).

Constantemente teremos que ceder e perdoar: em casa, no trabalho, no passeio, em meios aos desafios da família e do matrimônio. Inúmeras vezes também precisaremos pedir perdão, reconhecendo que não fomos capazes de acertar e que precisamos de uma nova chance.

E diga-se de passagem, essa última é uma forma muito eficaz para compreendermos a misericórdia, pois quando podemos abandonar nossa impotência em seus braços, recebendo dela uma nova chance para acontecer, entendemos, de fato, o que significa a sua essência.

Quem precisou ser perdoado, fazendo a experiência da própria indigência e fraqueza, terá muito mais facilidade para compreender e perdoar alguém. Nesse aspecto a experiência de nossos pecados muito nos ajuda a entender que não devemos ser os juízes das fraquezas alheias, mas sim constantemente acreditar nos outros oferecendo-lhes uma perene chance para o recomeço.

Não são os “perfeitos” que se tornam grandes na vida – a grandeza destes é apenas aparente –, mas os que aprendem a recomeçar todos os dias, exercendo a misericórdia consigo e com os outros.

Quem não aceita a própria finitude e imperfeição nunca se permitirá aprender com a parcela de ensinamento que só o erro pode acrescentar e acabará por determinar a si insuportáveis punições, como uma infeliz paga para a fraqueza que se manifestou destruindo a irreal “imagem” que nutria sobre si mesmo.

Precisamos de misericórdia – de uma nova chance e crédito – e precisamos exercê-la constantemente, isso tornará nossa existência menos pesada e nos fará entender a vida com a beleza de quem tem sempre algo a aprender. Abandonemo-nos em seus ternos braços!

Um gigante de Deus

João Paulo II venceu as conveniências para viver sua missão

O Papa João Paulo II será beatificado neste mês de maio, mês dedicado a Virgem Maria, a quem ele tanto amou, mês também do seu nascimento. Ele se empenhou em muitas frentes para anunciar o Evangelho numa época conflitiva. O “breve século vinte”, de fato, foi um século de conflitos e mudanças substanciais. Seriam várias as virtudes e dons que poderíamos ressaltar na personalidade e atuação desse grande homem de Deus. Eu ressalto aqui o que me pareceu uma marca sólida de sua personalidade: a busca da santidade. O Pontífice polonês resgatou para a Igreja e o mundo a busca da santidade como vocação dos fiéis cristãos.

Em torno dessa busca pela santidade ele pautou sua visão de Igreja: escola de comunhão dos santos; sua doutrina social: santidade como justiça. A partir do conceito de santidade ele defendeu os direitos de Deus e os direitos dos homens. Vislumbrou a santidade como meta teológica e antropológica, como realização plena do ser humano e consequentemente da criação. Por isso não se pode estranhar que se clamasse durante seu funeral: santo súbito!

Nunca talvez, tanta gente tenha tido tanta oportunidade de entrar em contato com um Papa como se teve com João Paulo II. Sua primeira viagem ao Brasil (1980) foi marcada de emoção. Pôde-se ouvi-lo, então, dizer abertamente tantas palavras que gostaríamos de dizer, mas a Ditadura Militar vigente não permitia. Visitou os presos da Papuda em Brasília (DF), a Favela do Vidigal no Rio e em São Paulo encontrou os trabalhadores.

Hoje parece fácil clamar pela justiça e o direito em nome da dignidade humana, maltratada por uma sociedade rica, porém, injusta. Mas “nos anos de chumbo” desse período de repressão não o era. João Paulo II venceu o protocolo, as conveniências e tudo o mais, para exercer sua missão de anunciar o Evangelho da paz, fruto da justiça. Teve coragem! Aliás, uma de suas características sempre foi a fé com coragem, que fez dele um profeta do conturbado século XX.

Viveu no século de duas guerras terríveis e da queda do totalitarismo comunista, ao qual ele ajudou a derrubar. Teve coragem também ao protestar contra a guerra movida pelo império norte-americano contra o Iraque. Em nome de Deus ele levantou sua voz também contra o neoliberalismo, o qual promove uma globalização sem solidariedade e uma multidão incontável de excluídos.

Talvez pareça exagerada a comoção quando de seu desaparecimento. Como se costuma dizer: morreu o rei, viva o rei ou rei morto, rei posto. Isso não fez sentido em relação a esse Papa. Ninguém é insubstituível, mas ninguém é igual. E ele fazia bem ao mundo com a sua proposta de santidade, defesa dos direitos de Deus e dos homens, do clamor pela preservação da vida, pela paz. Ele se fazia ouvir até mesmo pelos que não gostavam dele, por isso tentaram assassiná-lo. Foi uma liderança sólida em um mundo carente de líderes verdadeiros.

Não podemos esquecer também, em âmbito interno da Igreja, que ela é apostólica. A Tradição nos ensina que a missão apostólica precede a comunidade e a constitui. A apostolicidade fundamenta a existência da comunidade, porque os primeiros missionários, com mandato direto de Jesus, foram os apóstolos. Entre eles Pedro é o principal. E João Paulo II foi sucessor de Pedro na Sé de Roma, a qual preside na caridade e confirma na fé. Neste espírito de fé e caridade ele foi pranteado à luz do círio pascal. E hoje no tempo pascal a Igreja se alegra, proclamando a sua ressurreição ao beatificá-lo: “Quem com Cristo sofre com Ele será glorificado”.

Quando alguém morre nossos julgamentos se tornam mais coerentes e corretos sobre o morto. Isso porque em vida vemos atos isolados. Mas na morte de alguém vemos o conjunto de sua vida. Deixamos de examinar o “varejo” para examinar o “atacado”. À medida que o tempo passa a grandeza vai aparecendo com mais força. Com João Paulo II foi assim. A história já lhe rende homenagens justas e merecidas. Quem poderá esquecer a grandeza desse Sumo Pontífice, que ousou pedir perdão pelos erros do passado da Igreja, o que foi um dos pontos altos das comemorações do jubileu do ano 2000? Ele provou que a humildade é a virtude dos fortes e dos que têm uma mente sadia, capaz de promover a reconciliação e a paz por meio do perdão. Sem perdão, a justiça será sempre uma maneira de vingança em todas as circunstâncias.

Em uma sociedade moderna ou pós-moderna, mas desencantada, porque percebe que a morte de Deus, tão propalada, acarreta, de certa forma, a morte da pessoa humana, a fortaleza e a alegria de viver de João Paulo II deixaram saudade. Ele era um semeador de esperança.

Na Igreja dos primeiros séculos se dizia que o bispo, sucessor dos apóstolos, exerce seu serviço em nome de Jesus, porque recebe o ofício de embaixador que vem da parte de Deus (cf. São João Crisóstomo in Com. Ad Col. 3,5). Nas vezes em que pude encontrá-lo e falar com ele, me impressionou a profundidade de seu olhar, parecia ver com os olhos de Deus. Mais que nenhum outro bispo João Paulo II foi embaixador de Deus no final do século passado e no início deste novo milênio. Por isso não o esquecemos e a Igreja confirma o dom que Deus lhe deu: a santidade, da qual o mundo sempre teve fome.

Papa João Paulo II – Bem-aventurado

O peregrino de Deus

Somos a geração João Paulo II

O Papa polonês foi capaz de reunir amigos, inimigos, credos, nações…

Nos últimos tempos, muito se fala sobre conflitos de gerações e de como nascer em um período histórico específico influencia a vida de qualquer pessoa. Uma geração é influenciada por fatos e acontecimentos, mas, principalmente, por pessoas. Uma grande figura, cheia de carisma e popularidade, pode levar uma multidão de pessoas a uma nova forma de pensar, de agir, de ver o mundo. Nós que nascemos após os anos 70 somos exemplo disso, pois fomos marcados pela vida de um grande homem, por isso, nossa geração tem um nome: “geração João Paulo II”. E ele, o Papa que conquistou o coração de católicos e não católicos em todo o mundo, será beatificado no próximo dia 1º de maio.

Diante dessa afirmação, poderíamos nos questionar o que o Papa João Paulo II fez para marcar uma geração. Como um homem idoso e com uma saúde tão debilitada influenciou uma geração inteira de homens e mulheres? Talvez as nossas perguntas estejam mal formuladas. Não adianta pensar no que ele fez ou como ele fez, mas é preciso observar o que ele foi.

João Paulo II foi um defensor incansável da Verdade. Não de uma verdade para um grupo religioso, mas da grande Verdade, buscada por toda a humanidade, mesmo que de formas diferentes e até mesmo preocupantes. Foi firme, defendendo a Verdade com a vida, para assim defender o homem dele mesmo. Por isso foi acusado e tachado de tantos rótulos, mas, ao mesmo tempo, suas palavras eram aguardadas e ouvidas atentamente por todo o mundo, como que expressando o desejo oculto e presente em todos da Verdade.

Da mesma forma foi um homem de unidade. Karol Wojtyla foi capaz de reunir amigos, inimigos, credos, raças, nações. Ele era uma “ponte viva”, incansável em ligar distâncias humanas, mas, acima de tudo, em ligar corações. Para isso não teve medo de reconhecer os erros dos filhos da Igreja e de pedir perdão publicamente. Uniu cristãos e não cristãos em torno dos mesmos ideais, para demonstrar em fatos que os laços que nos unem são muito maiores que os que nos separam.

Foi um homem jovem, cheio de alegria, motivado pela certeza de que um mundo melhor é possível, mas antes de tudo pela esperança de um mundo novo que virá. Por esse motivo atraiu uma multidão de jovens em todos os lugares por que passou, dando a eles a certeza de que há uma Verdade para ser vivida e seguida. João Paulo II, mesmo com o corpo curvado e os cabelos brancos, devolveu a esperança a tantos jovens de que vale a pena viver se essa vida for vivida em vista do que virá.

Mas João Paulo II foi antes de qualquer coisa um homem de verdade. Não teve medo de demonstrar sua fragilidade, sua dor, seu sofrimento ao mundo inteiro. Tampouco teve medo de se alegrar, de chorar, de demonstrar que o papado não tirou a sua humanidade; pelo contrário, o tornou ainda mais homem. Mostrou ao mundo seu amor pelas artes, pelos esportes, pelas nações, pelos povos, pela humanidade. Por isso lutou pela paz, pela liberdade, pela dignidade do homem; lutou para que a humanidade conhecesse a Verdade, para que conhecesse a Jesus Cristo, porque sabia que só dessa forma o homem poderia encontrar a verdadeira felicidade.

Por fim, por ser um homem de verdade, João Paulo II foi um grande santo do nosso tempo. A santidade que ele pregou como vocação de toda a humanidade não parou nas suas palavras aos outros, mas foi se traduzindo em sua vida, contagiando multidões, levando muitos de volta a uma vida nova, cheia da presença de Deus. Seu testemunho de santidade rompeu os “muros” da Igreja Católica e atingiu o mundo, que representado na Praça de São Pedro, nos dias de seu funeral, gritava: “Santo já!”. Nele a santidade se mostrou acessível a todos os que se abrissem à graça de Deus e por ela lutassem.

Poderíamos escrever muito mais sobre o Papa mais popular da história, mas o que está aqui já é o suficiente para entendermos por que ele marcou uma geração inteira. Foi por esse motivo que o fundador da Canção Nova, monsenhor Jonan Abib, deu o nome de “Fundação João Paulo II” à mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação. O exemplo foi deixado por ele para nós como uma herança sem tamanho. Sua vida encarnou não somente o que ele acreditava, mas Quem ele seguia. A Verdade pela qual ele tanto lutou tinha um Nome, um Rosto, era uma Pessoa: Jesus Cristo. Por isso, não nos basta ter o nome de “geração João Paulo II”, mas precisamos seguir o seu exemplo e também testemunhar com a vida, com santidade, que seguimos Aquele que é a Verdade.

Os encontros de uma noite

Dificilmente o príncipe encantado vai cair do céu

A partir da revolução sexual dos anos 60 muitas coisas interferiram no comportamento dos jovens. Quem já tem mais de 40, certamente se lembra das muitas etapas vividas nos anos que viriam a seguir… Apesar de todo o liberalismo alcançado, o desejo das pessoas de encontrar alguém para viver um sadio relacionamento ainda continua vivo. De maneira especial as mulheres que se preocupam com o avanço do tempo e ainda não conseguiram encontrar seu par. Outras, por terem vivido um relacionamento frustrado, procuram estabelecer um romance duradouro com alguém que realmente as faça felizes. Algumas dessas já namoraram, já viveram vários relacionamentos de curtíssima duração, outras até tinham um “ficante fixo”, mas entre tantas experiências, ninguém parecia ser adequado para o projeto de um relacionamento sólido.

É bem sabido pela maioria das pessoas que, a cada final de semana, quase sempre, a proposta para a diversão não está somente em conviver com outras pessoas, mas sim de não passar a noite sozinhos. De maneira equivocada, algumas pessoas acreditam que em meio às breves experiências de namoro poderão encontrar seu par ideal. Em outras palavras, elas procuram encontrar alguém especial vivendo inúmeros namoricos. Como se desses encontros fosse possível detectar a(o) namorada(o) perfeita(o) para então viverem o sonhado relacionamento. Outros acreditam que por não terem ainda encontrado a mulher ou o homem da sua vida justificam a atitude de viver um encontro com a duração de uma noite.

Dessa forma, as abordagens quase sempre seguem os mesmos rituais, tanto para homens quanto para as mulheres. Sem rodeios procuram conduzir o encontro para uma intimidade, na qual o casal tem como motivação o vínculo passageiro. E quando acontece do rapaz se deparar com uma moça que resiste a tal proposta ou não responde com o mesmo interesse, sem pestanejar,  desvia seus objetivos  em direção a uma outra pretendente.

Nessas investidas masculinas estará como alvo as jovens que se vestem de maneira mais provocante ou aquelas que expressam em gestos uma predisposição para um relacionamento-relâmpago.

Como que se vivessem num círculo vicioso, a mesma atitude vai se repetir por muitos finais de semanas e festas oportunas. E os comentários entre os amigos(as), já não tão discretos, seria a respeito de quem foi ou como foi a noite com essa ou aquela pessoa.

Sabemos que, para encontrar alguém, precisamos também “nos desinstalar”, pois dificilmente o príncipe encantado vai cair do céu e bater à porta da jovem. E a frustração de muitos relacionamentos está no fato de as pessoas perceberem que, apesar de terem vivido muitos momentos, nenhum desses eventos foram duradouros o bastante como gostariam que acontecesse.
Contudo, a maneira de conquistar alguém com intenções de viver um relacionamento mais sério, certamente, não será por meio das mesmas abordagens vividas nos finais semana anteriores. Tampouco será a extroversão abusada ou a concordância para um programinha que vai garantir a conquista de alguém.

Dessa forma, a pessoa que deseja algo diferente para si começará a entender os motivos de seus relacionamentos frustrados quando, sem hesitação, responder de maneira diferente às investidas costumeiras dos pretendentes de plantão. E uma primeira mudança a ser tomada estaria na própria maneira de ver a pessoa do sexo oposto. Agora não como alguém que serviria apenas de muletas para suprir suas carências, mas de forma a encontrar uma pessoa como quem poderá viver a realização de um chamado para uma vida a dois e de maneira sóbria.

Um abraço e até o próximo encontro.

A Boa Nova é anunciada em fatos

“Os discípulos informaram a João sobre todos estes fatos. João, então, chamou dois deles e os enviou ao Senhor, para perguntar: ‘És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?’” (Lc 7,18-19).

Nessa passagem bíblica, João Batista pede a seus discípulos que perguntem a Jesus se Ele era realmente o Messias, o Cristo. João já estava encarcerado e sabia que a qualquer momento poderia ser morto, por isso era importante que estes [seus discípulos] tivessem a certeza de que Jesus era o Messias, para encorajarem-se a deixá-lo, uma vez que eram dependentes e acostumados a ele, e irem ao encontro do Senhor. Assim, teriam que ouvir da própria boca de Jesus que Ele era o Messias.

Para os judeus, “o Bendito que vem em nome do Senhor” é o Messias. Portanto, perguntar se Jesus é “Aquele que vem” é como perguntar: “Você é o Messias?” E a Palavra continua: “Eles foram ter com Jesus e disseram: ‘João Batista nos mandou a ti para perguntar se tu és aquele que há de vir ou se devemos esperar outro?’ Naquela ocasião, Jesus havia curado a muitos de suas doenças, moléstias e de espíritos malignos, e proporcionado a vista a muitos cegos” (Lc 7,20-21).

Jesus Nazareno respondeu com ações e não com palavras. “Respondeu, pois: ‘Ide contar a João o que vistes e ouvistes […]’” (Lc 7,22a). Em outras palavras, a resposta foi: “O que vocês viram e ouviram, voltem e contem a João. Esta é a minha resposta”. Jesus não disse “Eu sou o Messias”.

Para o sumo sacerdote que O abordara sobre a mesma questão, Ele havia respondido: “Tu o dizes”. Porém, aqui o Espírito Santo O inspirou providencialmente para que não dissesse com palavras, mas com fatos. Observe: “Respondeu, pois: ‘Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa-Nova. E feliz de quem não se escandaliza a meu respeito’” (Lc 7,22-23). Esta era a resposta: essas curas e milagres eram o sinal de que o Reino de Deus havia chegado, de que o Messias estava entre eles, de que o Rei estava operando e o Reino se realizando.

Hoje, igualmente, vemos e ouvimos, graças a Deus, as mesmas coisas. A Boa Nova não é anunciada aos pobres apenas com palavras, mas também com fatos. Temos presenciado hoje também os sinais do Reino de Deus – curas, milagres, prodígios, transformações. Surdos começam a ouvir, cegos a ver, coxos a andar, paralíticos a se levantar; pais e filhos se reconciliam; pessoas viciadas largam as drogas, o álcool; garotas de programa exercem outra atividade; maridos retornam ao lar etc… Graças a Deus!

As curas, além de redespertarem nossa fé, nos levam para a vinda do Senhor, para a implantação do Reino – que já está acontecendo! O Reino de Deus já está no meio de nós! As curas e os milagres apontam para a vinda do Senhor, para a certeza de que no Reino de Deus, o qual Jesus implantará aqui, não haverá mais doença, miséria, fome, pranto, dor, sofrimento, morte. Porque o Senhor da vida virá e o Seu Reino será implantado.