Seu João era conhecido por toda vizinhaça, trabalhava há anos em sua própria mercearia na Rua dos Gravetos, número 423. Era daqueles homens turrão, participava das missas dominicais na capela de N.Sra. do Rosário todavia era muito questionador, seus filhos e até sua esposa não aguentavam mais ele retrucando durante toda semana em cima de cada sermão ministrado pelo Padre.
Acreditava em Deus, mas nos milagres, prodígios, intercessão dos Santos… nada disso pareceia ser algo importante, oração então… somente na hora do Pai Nosso na Missa e olhe lá !
Certo dia lá estava Seu João no caixa da mercearia conversando com um advogado que estava a passeio na região, o assunto se alternava entre politica e futebol até que Seu João começou a falar sobre religião perguntando ao homem se ele acreditava nesses milagres que Jesus fazia, o jovem advogado dizia que sim e ai que a conversa ficou boa, pelo menos para o dono do estabelecimento que já tinha prontinho milhares de argumentos para mostrar que era tudo um “conto” do povo daquela época.
Foi quando entrou no local uma Senhora que aparentava uns 40 anos de idade, trazia no colo a filha pequena e na outra mão uma sacola com umas roupas que tinha acabado de ganhar na Capela da vizinhaça, estava com um vestido de renda e um lenço amarrado a cabeça, aproximou-se vagarosamente do caixa e sutilmente chamou o seu João:
- Moço, Moço ?
Seu João ainda entertido com a conversa nem notou quando aquela mulher entrou, muito menos quando se aproximou do caixa, mas isso não importava, ele queria tão prontamente retornar ao seu discurso , sendo assim resolveu atender imediatamente a mulher que o chamou:
- Pois não, o que deseja ?
Ela começou a contar toda sua história, dizia que foi abandonada pelo marido alcoólatra, que tinha 9 filhos, não tinha emprego, enfim, tudo quanto é desgraça. E para Seu João, que já não gostava desse povo chorão o que mais lhe deixava irritado é que aquela Senhora falava muito, mas muito devegar e como ele já estava acostumado com situações semelhantes, já sabia onde o fim da conversa iria acabar
Ela vai me pedir fiado (pensava ele)
E não é que foi isso que ocorreu !! Aquela Mulher pediu umas “coisinhas” para seus filhos e prometeu que assim que possível iria pagar. Seu João maneou a cabeça e disse que não podia fazer nada, enquanto isso o jovem que estava acompanhando a cena observou uma lágrima saindo dos olhos daquela que trazia a criança em seu colo, erguendo a cabeça disse ela ao dono do local:
- Você devia ajudar mais as pessoas
Seu João ficou indignado, milhões de coisas passaram pela cabeça daquele barrigudo em uma fração de segundos, como pode aquela mulher dizer isso? Ele criou seus filhos, trabalhou a vida toda, deu do bom e do melhor, ta certo que nunca gostou desse negócio de abraços e beijos e frases de carinho, mas isso não importava. O que ele poderia fazer? O que ele tinha a ver com a desgraça dos outros, pois quando Seu João se preparava para chutar aquela chorona, o jovem advogado disse que pagaria tudo o que a mulher gastasse naquele momento, mesmo assim, Seu João não se contentou, estava furioso, então resolveu tirar um sarro com ela:
- Não precisa fazer isso não meu jovem, eu vou ajudar essa mulher
Seu João então mostrou uma balança de dois pratos, daquelas onde é necessário o mesmo peso de ambos os lados para equilibrá-la, seu um dos pratos estiver mais pesado, ele irá descer e fará o outro subir, o homem cheio de furor disse que a mulher podia escrever em um pedaço de papel tudo que ela precisava e em seguida poderia colocar na balança, a diferença de peso seria igualada com os mantimentos da mercearia que ela poderia levar para casa.
O Jovem advogado achou aquilo um absurdo, afinal qual o peso de um pedaço de papel, a balança nem iria se mecher, até mesmo uma bala de chocolate seria mais pesada, porém, a mulher com muita calma, disse que não tinha problema, ela faria como o Seu João propusera.
Pegou um pedaço de papel, escreveu algo rapidamente, dobrou e colocou na balança, o resultado foi extraordinário, o prato desceu com uma tremenda velocidade ao ponto de bater violentamente no balcão, era possível observar que se não fosse colocado rapidamente algo do outro lado para equilibrar o peso a balança de despedaçaria por inteiro. Seu João e o Jovem ficaram embasbacados, por alguns segundos tentava entender o que estava acontecendo, recolheu um pacote de feijão e colocou no outro prato, porém o resultado foi praticamente nulo, em seguida, colocou um pacote de farinha, mas como anteriormente o prato pareceu não descer um único centímetro.
Seu João então começou a colocar muitos outros mantimentos, leite, achocolatado, açucar, sal, óleo e vagarosamente a balança começava a se mecher e somente após muito tempo ela se igualou. A mulher, retirou tudo, colocou em sua sacola e foi embora sem pagar um centavo.
Os dois que presenciaram tudo aquilo não sabiam o que falar ou fazer, Seu João então foi até a balança e pegou o pedaço de papel, nele estava escrito: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes o que eu preciso”
Olhamos para o nosso desespero, para nossas limitações, para os sonhso que ainda não conseguimos realizar e não poucas vezes, murmuramos, dizemos que nossa vida está nas mãos de Deus, mas continuamos agoniados quando as coisas ou não dão certo ou não ocorrem como desejamos, é preciso ter a coragem e a confiança de que Deus é Deus, e ele sabe do que eu preciso.
Qual é o seu problema hoje, qual o seu impossível ?
Deus sabe do que você precisa !
Graça e Paz.
outubro 27th, 2009 by Thiaguinho | 1 Comment »